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Especialistas avaliam o desempenho das escolas no Enem

"Notas estagnadas revelam ausência de mudanças no plano educacional", avalia o coordenador-geral da Campanha Nacional pelo Direito à Educação

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postado em 05/08/2015 19:46 / atualizado em 07/08/2015 14:41

A partir dos resultados por escola no Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) de 2014, Daniel Cara, coordenador-geral da Campanha Nacional pelo Direito à Educação, avalia que muito deve ser feito para alcançar um ensino de qualidade no país. Para Cara, as médias revelam a ausência de mudanças no plano educacional. “A estagnação das notas, de forma geral, indica que as políticas públicas lançadas ainda não são suficientes para garantir a melhoria da aprendizagem no cenário nacional.”

Indicadores
A partir deste ano, o Ministério da Educação (MEC) apresentou novos critérios de avaliação dos colégios: o nível socioeconômico dos alunos, o índice de formação dos professores - que leva em consideração fatores como docentes com mestrado e doutorado - e o indicador de permanência - a partir do qual é possível identificar alunos que cursaram ou não todo o ensino médio na escola.

Os dados divulgados pelo Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep) ponderam tanto o nível socioeconômico dos alunos quanto as condições de qualificação profissional dos professores, aspectos considerados fundamentais para interpretar os resultados das escolas no Enem e, a partir daí, corrigir rumos e melhorar a qualidade do ensino. “A formação de professores está entre os fatores mais importantes na educação. Um educador precisa dominar sua profissão e ter à disposição as ferramentas certas para conduzir a gestão dentro da sala de aula”, afirma a coordenadora-geral do movimento Todos pela Educação, Alejandra Meraz Velasco, que ressalta a importância dos novos indicadores para analisar o desempenho dos estudantes brasileiros.

Alejandra também considera a análise feita até o Enem de 2013 um falso retrato das instituições. Para a coordenadora, "conclusões mais rápidas sobre os resultados se tornam mais difíceis, como é de se esperar. Uma escola não pode vender uma imagem que não tem. Há outros fatores que contribuem para uma educação de qualidade”.

“A criação do indicador de permanência foi importante nesta etapa. Com ele, é possível identificar as escolas particulares que apenas visam obter lucro por meio de mensalidades exorbitantes, mas sem oferecer a devida contrapartida com professores qualificados e outros indicadores de qualidade”, observa Daniel Cara. Apesar de avaliar positivamente os novos indicadores, o coordenador-geral da Campanha Nacional pelo Direito à Educação alerta que eles não são a solução final, mas podem embasar planos para melhorar a educação. “Sem o planejamento e a criação de políticas públicas, não há como alcançar uma educação de qualidade”, declara.

Sobre os resultados

As notas das escolas brasileiras no Enem foram divulgadas nesta quarta-feira (5) pelo Inep. Estudantes de mais de 15 mil escolas, entre elas públicas e privadas, participaram do exame que envolvia questões sobre ciências humanas, ciências da natureza, matemática, linguagens e códigos além de redação. Apenas seis escolas públicas figuram na lista das cem instituições mais bem colocadas no ranking elaborado pelo Eu, Estudante, envolvendo as médias nas provas objetivas e na redação.

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