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As vagas que despertam a cobiça dos concurseiros

Com ótimos salários e expediente de trabalho menor, Judiciário atrai a atenção daqueles que desejam entrar para o setor público. Mas opções são diversificadas e seleção para o INSS deve registrar grande número de interessados

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postado em 24/08/2015 10:43 / atualizado em 24/08/2015 10:45

Vera Batista


 (Maure/CB/D. A Press)
 


As carreiras das áreas jurídicas e de segurança pública estão entre as que mais atraem a atenção dos concurseiros. Além dos salários elevados, despertam o apetite o expediente de apenas seis horas e os benefícios sociais (auxílios-alimentação, creche ou moradia e plano de saúde) robustos. Estão na lista os cargos de juízes, procuradores, defensores públicos, policiais federais, policiais rodoviários, advogados da União, gestores e analistas. “São funções que dão status e oferecem boa remuneração”, diz Maria Thereza Sombra, diretora-executiva da Associação Nacional de Proteção e Apoio aos Concursos Públicos (Anpac).

Apesar das preferências, os interessados em entrar para o setor público não desperdiçam oportunidades, que, no governo federal, vêm saindo a conta-gotas, devido ao arrocho fiscal. Até os primeiros cinco meses do ano, quase nenhum concurso foi liberado. As torneiras só foram abertas em meados de junho, depois de muita pressão sobre o Ministério do Planejamento. “Hoje em dia, o estudo é dirigido para carreiras com similaridades. As pessoas aproveitam o que está disponível como primeiro passo”, explica Thereza. “O importante é conseguir uma vaga. Depois, foca-se no cargo dos sonhos.”

No momento, os cursos preparatórios estão cheios de alunos focados em seleções para a Advocacia-Geral da União (AGU), as agências reguladores, os ministérios do Planejamento e da Fazenda, o Superior Tribunal de Justiça (STJ), o Tesouro Nacional, a Receita Federal, o Exército, a Marinha, a Aeronáutica e, especialmente, o Instituto Nacional do Seguro Social (INSS). “O índice de aposentadoria nesses órgãos tende a crescer”, assinala a diretora da Anpac.

Legislativo

Na avaliação de Anderson Ferreira, professor do IMP Concursos, deve-se dividir o serviço público em cinco principais áreas de interesse: fiscal, jurídica, bancária, policial e administrativa. As quatro primeiras, mais específicas, normalmente são procuradas por servidores que querem melhorar a remuneração ou seguir, finalmente, sua aptidão. Para os iniciantes, os fatores preponderantes são a oferta do edital, a quantidade de vagas e o salário. “Quem toma a decisão de entrar na concorrência, vai por etapas. Opta pela área administrativa ou de apoio. O segundo movimento, aí, sim, é para especialidades”, afirma.

Ferreira reconhece que um cargo no Legislativo também está entre os objetos de desejo dos concurseiros. O problema é que as seleções para esse Poder são escassas. Por isso, quando ocorrem, causam comoção. Para compensar a escassez, muitos miram o Judiciário, que paga salários bem melhores que o Executivo. O ganho inicial para nível médio, no Judiciário, está entre R$ 4 mil e R$ 6 mil. Nos de nível superior, varia de R$ 6 mil e R$ 12 mil. No Executivo, a remuneração varia entre R$ 2 mil e R$ 3 mil (nível médio) e  entre
R$ 4 mil a R$ 6 mil (nível superior).

Lógica do mercado

Professor do IMP Concursos, Anderson Ferreira aconselha os concurseiros que tenham paciência para esperar as seleções de sua preferência, pois o mercado tem uma lógica: vive dois anos de contração e dois de expansão. A crise econômica global de 2008, que se estendeu por 2009, teve impactos negativos em 2010 e 2011, anos de baixa contratação. Em 2012 e 2013, veio a compensação, com grandes oportunidades. “Nos anos de 2014 e 2015, estamos sob forte crise política e econômica. Avalio que 2016
e 2017 serão comparativamente melhores”, enfatiza.
 
Opção pelas Forças Armadas


Mesmo com salários mais baixos, as Forças Armadas Brasileiras atraem grande contingente de concurseiros. Todo ano, são abertas milhares de vagas para Exército, Marinha e Aeronáutica. Além do recrutamento obrigatório, o sonho de servir ao país se espalhou. “Não temos dados concretos. Mas, segundo informações do Ministério da Defesa, o número de mulheres nas Forças Armadas vem crescendo. Do total do efetivo, de mais de 350 mil militares, elas já representam 6,34%, ou 22,2 mil”, diz a Maria Thereza Sombra, diretora- executiva da Associação Nacional de Proteção e Apoio aos Concursos Públicos (Anpac).

Os analistas pouco falam sobre as Forças Armadas, mas as corporações militares voltaram a ser vistas, principalmente pela população de baixa renda, como um porto seguro e importante entrada no mercado de trabalho diante da crise, que eleva o número de demissões. Boas notícias não faltam. O Exército teve projeto de aumento do efetivo aprovado pelo Senado de 296,3 mil, que vigorava havia 30 anos, para 325.692. A Marinha tem autorização para passar de 59,6 mil para 80,5 mil. E a Aeronáutica, de 67,4 mil para 80,9 mil.

Os amigos Mario Vargas, 32 anos, contador, e Fernando Martins, 33, administrador, querem entrar para a Marinha e a Aeronáutica, respectivamente. Estudam, no mínimo, seis horas por dia. “Sempre quis ser oficial de Marinha”, diz. “Sonho com a Aeronáutica desde pequeno”, frisa Fernando.  (VB)
 
28 mil cargos em disputa

A crise econômica pela qual o país vem passando fechou, só neste ano, meio milhão de empregos com carteira assinada na iniciativa privada. Diante desse quadro assustador, o desejo de passar em um concurso público aumentou. Quem estiver disposto a enfrentar as seleções deve se preparar: pelo menos 28 mil vagas estão abertas em todo o país. E a expectativa é de que nove órgãos federais publiquem, ainda neste semestre, editais com mais de 4 mil postos. As oportunidades em disputa são para candidatos de nível médio e superior, com salário inicial de até R$ 28,9 mil.

A lista dos concursos em andamento inclui o Tribunal de Contas da União (TCU), cujas inscrições se encerram na próxima sexta-feira, e o Ministério Público do Distrito Federal e Territórios, com 27 vagas para cargo de promotor, ganho de R$ 27 mil e prazo de adesão até 8 de setembro. No caso do Banco do Brasil, são 95 oportunidades, rendimento inicial de R$ 2,2 mil e inscrição até 31 de agosto. Já na Universidade Federal de Pernambuco, há três postos para professores, com remuneração de até R$ 5,1 mil e adesão até dia 28.

Quem não conseguir uma vaga agora não deve desanimar. Devem ser lançados, nos próximos meses, os editais para o Instituto Nacional do Seguro Social (INSS), Agência Nacional Aviação Civil (Anac), Agência Nacional do Petróleo (ANP), Agência Nacional de Saúde (ANS), Ministério das Relações Exteriores (MRE), Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), Fundação Nacional do Índio (Funai) e Correios. O concurso para a Anac já recebeu o aval do Ministério do Planejamento, que autorizou a abertura de 150 vagas e salário de até R$ 12,3 mil.

“Em regra, quando o Planejamento autoriza um concurso, avalia os custos tanto da contratação das pessoas quanto das despesas da realização do certame. Para autorizar, não se vê apenas o número de vagas, mas todo o orçamento”, diz Washington Barbosa, coordenador do Instituto de Capacitação Avançada. Ele lembra que a Anac tem até 24 de dezembro para lançar o edital, uma vez que a portaria de autorização, publicada em 24 de junho, estabelecia seis meses como prazo máximo para a divulgação do documento.

Receita

Barbosa destaca também a urgência de contratação de funcionários para o INSS, que teve autorização liberada pelo Planejamento em junho. O prazo máximo para a abertura de inscrições se encerra em 29 de dezembro. Ele avalia que a greve dos servidores, por conta da carência de pessoal, pode fazer com que o certame seja apressado. São 800 vagas para técnicos e 150 para analistas, que serão alocados nas diversas regiões do país. Os salários vão de R$ 5,2 mil, para técnicos, a R$ 7,8 mil, para analistas.

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