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Treinadores de vestibular

Na preparação para o Enem, muitos estudantes têm trocado as aulas do cursinho pela orientação de um coach. Os preços podem ser salgados, mas os jovens garantem que o acompanhamento personalizado compensa

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postado em 25/09/2015 11:49 / atualizado em 25/09/2015 14:38

Isabela Bonfim /Especial para o Correio

Ed Alves/CB/D.A. Press
 

A palavra coach vem do inglês e significa treinador. Como um técnico de futebol, que orienta o jogador, organiza o treino e ajuda com todo o suporte emocional. Mas o coach saiu dos gramados e ganhou espaço na preparação pessoal das pessoas. Já existem coaches financeiros, de relacionamento e agora também para vestibulares. “Ele ajuda a encontrar o caminho correto nos estudos. É um mentor que, com uma visão de fora, vai facilitar a trajetória do aluno”, explica Vincenzo Papariello, consultor do VP Concursos. E é por conta desse atendimento personalizado que estudantes estão trocando o cursinho pelo coach na hora de se preparar para o Exame Nacional do Ensino Médio (Enem).

A estudante Isabela Assis, 19 anos, quer cursar medicina e já prestou o Enem duas vezes. Ela contava com preparação na escola e também já fez um ano de cursinho. Neste semestre, optou pelo coaching. “É uma maneira diferente de estudar. No cursinho, eles te passam a matéria, mas não te ajudam a se organizar. O coaching te acompanha o tempo todo e sabe como você está”, explica. Outra diferença que ela destaca é a cobrança. “Se fosse por minha conta, eu acabaria deixando alguma matéria de lado. Mas o coach te cobra uma rotina de estudos e você acaba estudando mais.”

Isabela tem encontros semanais com a coach Isadora Jinkings, que é psicopedagoga e orientadora educacional. Ela explica por que o Enem exige uma preparação específica. “A prova tem um molde de avaliação diferente, com um cunho social e crítico, que os alunos não estão acostumados. Meu trabalho é ajudá-los a entender esse formato.” Além disso, também é fundamental que o coach ajude a organizar os horários do aluno. De acordo com o professor de química e coach Jônatas Gonçalves, a tarefa não é fácil. “Eles são resistentes, acham que não precisam dormir, por exemplo. É meu papel mostrar que ele tem descansar, fazer atividades físicas e se alimentar bem.”

Mas a receita nunca é a mesma para todos os estudantes. Por isso, no primeiro encontro com o coach, o aluno passa por uma entrevista. Para que o trabalho seja realmente personalizado, é preciso conhecer o nível de preparação, as intenções no vestibular, a rotina diária e principalmente as dificuldades de cada aluno. “Só depois dessa primeira avaliação é que distribuimos as matérias de estudo. Há um trabalho de estatística quanto ao que mais cai e também de estratégia de acordo com os pesos da prova”, explica Isadora. Segundo Jônatas, a grade é sempre reavaliada e bastante flexível. “A programação muda conforme o progresso do estudante. Se você fizer algo engessado, ele se desanima.”

Como os coaches não dominam todos os conteúdos da prova do Enem, eles precisam pesquisar e consultar outros professores. “O importante é não deixar o aluno com dúvida. O estudante que contrata o coach é muito exigente”, relata Jônatas. Eles também oferecem livros, apostilas, exercícios e indicam sites. E não acaba por aí, o acompanhamento é diário. O coach constrói uma relação muito próxima com o estudante. “Você participa da vida do menino. Às vezes eles me ligam porque se sentem inseguros e precisam de apoio emocional. Eu converso com os pais e toda a família se envolve naquele objetivo”, conta. Seguindo o perfil dos alunos, os coaches adotam meios de comunicação mais modernos, como Skype e WhatsApp. O importante é estar sempre disponível.

Um atendimento tão personalizado tem o seu preço. Jônatas Gonçalves cobra R$ 900 pelo acompanhamento. “É um preço fixo. Se o aluno me procurar um ano ou seis meses antes da prova, o valor vai ser o mesmo”, explica. Já Isadora Jinkings trabalha com mensalidades de R$ 550 e a chamada “taxa de sucesso” caso o aluno seja aprovado. Se passar em medicina, ele deve pagar R$ 3 mil, para os demais cursos são R$ 2 mil. Como o coaching é um processo de desenvolvimento pessoal, os mentores recomendam que o atendimento seja contratado pelo menos seis meses antes da prova. “Também é possível fazer um trabalho de revisão agora que falta um mês, mas o estudante precisa já ter uma bagagem de estudo”, explica Jônatas.

Quem mais contrata o coaching para o Enem?

  • Em maioria mulher
  • Classe média e média alta
  • Estudou em boas escolas
  • Pretende cursar medicina ou outros cursos concorridos
  • Precisa sentir segurança

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