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Enfrentando o bicho-papão

Nesta reta final do Enem, o Correio inicia uma série de reportagens com dicas para o candidato se sair bem em cada área do conhecimento abordada no exame. A primeira é aquela que costuma pôr medo nos estudantes: matemática e suas tecnologias

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postado em 19/10/2015 13:07 / atualizado em 19/10/2015 13:32

Alessandra Oliveira - Especial para o Correio

Paula Rafiza/Esp. CB/DA Press
Começa hoje a última semana de preparação para o Enem. Cerca de 7 milhões de inscritos vão enfrentar dois dias intensos de exame, nos próximos dias 24 e 25. A fase de preparação passou e o momento, agora, é de dicas para se destacar no exame. O Correio Braziliense inicia uma série de reportagens sobre as especificidades de cada prova, começando pelo bicho-papão da maioria dos estudantes: matemática e suas tecnologias.
 
Na prova, cairão questões que causam arrepios em Luan Almeida, 18 anos, aluno do Centro de Ensino Médio Paulo Freire. O estudante garante ter medo de matemática. “Eu sempre fugi da matéria, ao longo dos anos na escola, e tudo foi se acumulando.” Luan conta que, para recuperar o tempo perdido, precisou começar a fazer um cursinho, mas não sabe se, mesmo assim, conseguirá relaxar para a prova. “Eu sou um poço de ansiedade, nunca consigo ficar tranquilo, mas tentarei me garantir nas questões mais fáceis.”
  
De acordo com a professora de matemática Kelly Martins Silva, a estratégia de Luan está correta. Para o dia da prova, o estudante deve ler com atenção a questão e, se for fácil, continuar. Caso seja difícil, a melhor opção é pular e deixar para o fim. “Assim, o estudante garante as que sabe e usa o tempo para desenvolver os cálculosmais complexos nas perguntas de exatas, por exemplo”, aconselha. A professora afirma que não há pegadinhas na prova: “O que deve ser o foco do aluno é a interpretação de texto. É necessário se acostumar com a linguagem do Enem”.
 
Enquanto Luan ainda se sente ameaçado com amatemática, a estudante Lara Marques Galhardo diz que já superou isso. “Eu tinha muita dificuldade. Quando era mais nova, minha mãe me ajudava, mas logo perdia a paciência. Então, eu deixei de lado.” A estudante conta que,ao longo dos anos, viu que era necessário enfrentar o problema. “Meus amigos da sala de aula e os professores me ajudaram a compreender como funciona. Hoje, eu sei que matemática é prática”, comemora a estudante. Lara fará o Enem pela segunda vez e tem certeza de que se saíra melhor. “Temo ainda por geometria e proporção, mas sei que, estudando, vai dar certo”, justifica.
 
Para o professor de matemática e diretor da consultoria pedagógica do Sistema Ari de Sá, Arthur Filho, este não é mais o momento de estudar. “A prova do Enem foca nas habilidades do inscrito, e habilidade é treino. Uma grande dica para esta última semana é resolver questões, não estudar conteúdo.” Ele conta ainda que a prova de matemática costuma cobrar porcentagem, análise de tráfico, cálculo de volume, entre outras questões presentes no cotidiano.“O aluno não deve decorar fórmulas ou informações, deve focar no conhecimento de matemática que vivencia e achar como aplicar isso no cotidiano”, argumenta.
 
Sem medo da prova 
O psicólogo do colégio Galois Erich Botelho brinca com o medo da matemática: “Não precisa nem trabalhar em escola e ser psicólogo para saber que ele existe”. Para ele, são diversos os fatores que explicam essa tensão, começando pela questão cultural. “Às vezes, a mãe diz
que tem trauma de matemática e o filho carrega isso para a vida.” Outro ponto é a má formação. “Os professores, muitas vezes, não têm a didática correta para ministrar essas disciplinas”, explica. E, por fim, Botelho ressalta que os alunos precisam entender que a matemática está presente em tudo na vida. “Quando tiverem essa consciência, ficará mais fácil compreender a necessidade de aprender, e o medo vai desaparecer. A matemática existe até em videogame, jogos de futebol, não é algo apavorante”, argumenta o psicólogo.
 
O medo da matemática rendeu um novo mercado. É cada dia mais comum encontrar escolas especializadas em superar a tensão que os números causam. O professor de matemática Rogério Lacerda, que trabalha em uma escola focada na disciplina, explica que esse medo se deve à falta de base do aluno.“Originalmente, nossa escola chamava-se Reciclagem de matemática, para trabalhar com o estudante desde a base, com os cálculos primários, para, só depois, avançar. Hoje, conheço diversos casos de alunos que deixaram para trás essa briga com a matemática.”
 
Amanda Pereira de Melo Silva, 20, aproveitou o curso de reciclagem e fez as pazes com a matemática. A aluna está tentando entrar no curso de medicina há dois anos e viu que os números eram o maior obstáculo. “Eu ficava muito apegada a decorar as fórmulas, mas não compreendia realmente como funcionava o exercício”, lembra a estudante. Ela disse que o segredo é se questionar e entender por que a fórmula existe e para que serve. “Para este ano, estou muito confiante, porque sinto que tive um salto enorme no meu rendimento. Antes, fazia 29 questões no simulado; hoje, faço 41 com confiança.” 
 
» O que cai:  
 
• Razão e proporção
• Escala métrica
• Geometria plana (cálculo de áreas)
• Geometria espacial: planificação (cone e tronco de cone)
• Volumes (prismas e cilindros)
• Álgebra: funções do 1º e do 2º graus
• Estatística
• Análise combinatória (arranjo e permutação)
• Probabilidade (porcentagem) 

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