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A maratona dos sabatistas

Por questões religiosas, mais de 71 mil estudantes farão o Exame Nacional do Ensino Médio em regime especial. Adventistas esperam na sala com os demais inscritos, mas só começam a responder as questões depois do pôr do sol. Candidatos se dizem prejudicados

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postado em 19/10/2015 14:34 / atualizado em 19/10/2015 14:51

Alessandra Oliveira - Especial para o Correio

Carlos Moura/CB/D.A Press
Para mais de 71 mil candidatos do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem), a maratona de provas terá um ingrediente a mais de resistência. São fiéis, como judeus e adventistas, que guardam o sábado e, portanto, farão a prova em regime especial. Eles devem chegar
ao local da prova entre as 12h e as 13h, como qualquer outro estudante, mas só começarão a responder as questões depois do pôr do sol, às 19h. 
 
As horas de espera se tornam uma preocupação a mais para os sabatistas. A psicóloga Lívia Borges aconselha que, antes da prova, os alunos tentem relaxar e descontrair um pouco. E, no caso específico dos fiéis, procurem “colocar a mente no momento presente”. “Eles não devem ficar pensando lá na frente, isso só vai gerar mais ansiedade. O ideal é usar esse tempo para meditar e buscar amparo na própria religião deles.”
 
Yudi Yamana, 17 anos, vai prestar o Enem pela primeira vez e demonstra preocupação. “Precisamos ficar esperando na mesma sala que os demais, o dia todo, em uma cadeira desconfortável. A gente se prepara e, no fim, vê que não adianta, porque existe uma desvantagem”, conta o estudante, que pretende cursar engenharia civil.
 
José Oliveira, 17, também é estreante no Enem e teme pelo que chama de “prova de resistência”. “A concorrência tem aumentado cada vez mais; a dificuldade das questões, também. Fico com receio de não resolver a prova com excelência, diferentemente daqueles que chegam e já podem começar.” De acordo com o Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Anísio Teixeira (Inep), dos 7.746.118 candidatos confirmados no exame deste ano, 71.195 são sabatistas.
 
A expectativa para a prova é um desafio até para quem já enfrentou a maratona antes. “É cansativo. Precisamos esperar muito tempo, mas é uma grande oportunidade, tem que aguentar para não deixar passar”, ressalta o estudante José Henrique Villela Neto, 17, que vai fazer a prova pela segunda vez. Se não estivessem esperando para fazer a prova, os jovens contam que o sábado serviria para ficar com os amigos da igreja, dedicando-se à família e a Deus.
 
Descontentamento
Há algum tempo, os sabatistas lutam por uma mudança na aplicação do Enem. Segundo a pedagoga do Colégio Adventista Milton Afonso, Valquíria Couto, os adventistas pedem a alteração de data. “Os alunos ficam ali confinados e são prejudicados pelo cansaço. Se até a população carcerária pode fazer em outra data, eles também deveriam poder”, questiona Valquíria. “Se a prova fosse em outro dia, estaríamos nos igualando aos demais inscritos”, defende o estudante Bryan Anthony, 16.
 
Para psicóloga Lívia Borges, a forma como a questão tem sido tratada não é correta: “O direito deles está sendo preservado, mas não da forma adequada. É por isso que eles se sentem em desvantagem”.
 
As horas de espera para a aplicação da prova são uma grande preocupação dos sabatistas, mas cada um se prepara de forma diferente. Lucas Faro, 16 anos, diz que está estudando muito, mas não deixa de lado o descanso. “Sei que vamos sair prejudicados pela espera, mas não deixo de dormir mais cedo e de descansar”, conta o estudante.
 
Alguns preferem deixar de lado o repouso durante a preparação. Maria Luiza Menezes, 16, quer ser médica e não poupa esforços. A estudante fica em frente aos livros cerca de 15 horas por dia. “A espera é cansativa, mas a prova é importante. Por isso, meu estudo é bem puxado, porque, no final, vai valer a pena”, argumenta. 

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