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Correio Braziliense

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A linguagem aplicada no dia a dia

Motivo de preocupação para muitos candidatos do Enem, a prova que engloba língua portuguesa, gramática, interpretação de texto e literatura exige um cuidado maior do estudante em compreender os enunciados das questões

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postado em 21/10/2015 12:20 / atualizado em 21/10/2015 12:24

Bernardo Bittar /

Claudio Reis/Esp.CB/D.A. Press
Um dos módulos mais extensos do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem), linguagens, códigos e suas tecnologias exige do estudante bastante interpretação de texto. Motivo de preocupação para os candidatos que têm dificuldade em compreender os enunciados das questões, a prova engloba língua portuguesa, gramática, interpretação de texto e literatura, entre outros assuntos. A dica dos professores é unânime: ficar atento aos comandos de maneira mais cuidadosa do que o usual. É o que mostra a penúltima reportagem da série que traz conselhos de professores para se sair bem nas provas do Enem — a serem realizadas neste fim de semana.

Para o estudante Roberto Bigonha, 17 anos, esse é o módulo mais complexo. “No ano passado, perdi a data das inscrições, então fiquei sem fazer o exame. Não tenho experiência ainda, mas acho difícil a interpretação. Tenho dificuldade”, afirmou. Segundo ele, após seis meses de estudos, incluindo sábados e domingos, isso pode atrapalhar. “Estudei dobrado. Quero cursar engenharia mecânica, então, as exatas não são um problema. Português, literatura e gramática, sim”, contou.

O jovem costuma se reunir com amigos para responder, semanalmente, a um simulado. Nos dias de folga, vai ao colégio estudar um pouco mais. “Eu me dediquei bastante, porque acho que essa é uma oportunidade mais abrangente. Pode-se ingressar em qualquer faculdade do país”, justifica. Ainda assim, todos os esforços estão focados em uma vaga na Universidade de Brasília. “Meus pais e meus dois irmãos se dedicaram aos livros e conseguiram estudar lá. É a minha meta.”
Embora seja uma boa aluna de língua portuguesa e tenha feito aulas de inglês e espanhol durante toda a vida, Marcela Barreto, 17, está insegura com as interdisciplinas. “Costumo viajar para o exterior e faço força para me comunicar nesses lugares. Porém, é muito diferente: você pedir um café para um americano não faz ninguém conseguir passar nessa prova”, observou. Por isso, ela pediu aos pais que contratassem aulas de reforço.

A gramática sempre foi uma paixão, motivo que impulsionou a vontade dela em cursar letras. “Não sei se tenho conhecimentos suficientes para repassar isso. Acho que me garanto nas avaliações, mas, quando me pediram ajuda, não consegui.” A dificuldade pode refletir na profissão futura, e se sair bem na prova pode ser o termômetro necessário para testar a vocação. “Se eu souber fazer tudo certo, vou ficar orgulhosa. Estudei muito.”

O professor de espanhol Paulo Perez, do Galois, acredita que a insegurança é normal. Para ele, a prova do Enem extrapola os conteúdos e avalia mais habilidades que conhecimentos. “Deve-se ter uma boa leitura, saber usar a linguagem e aplicar isso tudo no dia a dia”, comentou. Ainda assim, conseguir se comunicar social e culturalmente é uma maneira indireta de estudar. “Não é motivo para tanto nervosismo. Se o aluno conviver com outras culturas, tiver o hábito de ler e de socializar, não há motivo para desespero. Saber fazer vale mais que teorizar”, ensina.

Em linguagens, as perguntas são todas em português. As respostas, também. O único momento em que os estudantes têm contato com o inglês ou o espanhol é quando leem o texto de onde serão retirados os questionamentos. “Por isso, deve-se ter uma boa noção da língua, fazer uma cuidadosa interpretação e, assim, tentar fazer o máximo de pontos possível. Novamente, não se trata apenas de saber usar os verbos, mas sim de construir pensamentos”, finalizou.

Cotidiano

Linguagens e códigos são baseados em interpretação. Segundo o consultor de psicologia do Sistema Ari de Sá, Marcos Bloque, infelizmente o índice de leitura e compreensão dos brasileiros ainda é baixo. “É necessário treinar no dia a dia, resolvendo situações-problema a partir de uma codificação encontrada nos livros”, aconselha. Os alunos precisam saber se comunicar em diversos níveis. Se forem ao banco falar com o gerente para abrir uma conta ou procurar um emprego, por exemplo, devem falar de maneira diferente de quando estão em um chat on-line com os amigos. “Espera-se que o ensino médio repasse esse conhecimento. Não é novidade que o Enem é uma prova humanizada”, acrescentou.

Movimentos literários, como o modernismo, e questionamentos sobre autores contemporâneos estão presentes na prova. Mas, diferentemente do vestibular tradicional, que costuma abordar mais antigos escritores, o Exame Nacional do Ensino Médio trabalha tendências contemporâneas e tecnologia aplicada. “Coisas próximas ao aluno”, finaliza Bloque.

O que vai cair

» Vanguardas europeias
» Arte contemporânea
» Modernismo (autores como Oswald de  Andrade, Manuel Bandeira e Carlos Drummond de Andrade)
» Referenciais linguísticos  (especialmente pronomes relativos)
» Variação linguística  
(norma culta x oralidade)
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» Gêneros textuais (sobretudo os gêneros da internet)

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