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Tire os desejos do papel

Fazer uma autoavaliação é um dos caminhos para conseguir transformar sonhos em realidade, indicam especialistas. A virada do ano é daqui a pouco, saiba como não deixar a lista de resoluções se transformar em fogo de palha

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postado em 27/12/2015 14:34 / atualizado em 27/12/2015 14:46

Jéssica Gotlib /Especial para o Correio

Marcelo Ferreira

Fazer uma nova graduação, um curso profissionalizante, mudar de emprego, conseguir uma promoção... Itens como esses compõem as metas de diversos profissionais para 2016. Listar vontades é uma maneira de se planejar, mas tirá-las do papel não é simples: à medida que o ano passa, é comum que os planos sejam adiados, esquecidos ou até abandonados no meio do processo. “A lista de ano-novo é como fogo de palha que se acende e se apaga com a mesma rapidez”, compara o professor de gestão de pessoas do Instituto Business Education / Fundação Getulio Vargas (IBE-FGV) Júlio César Nogueira de Sá.


“O fim do ano, assim como momentos de adversidade econômica, deve ser encarado como uma oportunidade para o autoconhecimento. Cada um deve avaliar os próprios talentos e, a partir daí, fazer um planejamento dividido entre metas de curto, médio e longo prazo”, adiciona. “No primeiro período, entram tarefas, como entrar num curso técnico, aprender outra língua ou fazer contatos. Os outros dois prazos incluem afazeres que demandam mais tempo, como uma segunda faculdade ou uma pós-graduação. Os resultados, de qualquer maneira, só vêm em médio e longo prazos, nunca em curto”, adverte.


Foi pensando assim que Jadi Castro, 33 anos, estruturou planos para a carreira. Bibliotecária desde 2011, ela trocou um emprego em que trabalhava oito horas por dia em uma biblioteca por um posto de agente administrativa em uma empresa de crédito, com jornada de seis horas diárias, no segundo semestre de 2015. “Gosto muito da minha área e queria continuar nela, mas foi a chance de ter mais tempo para estudar.” Jadi está se preparando para fazer mestrado em história na Universidade de Brasília (UnB). O processo seletivo será aberto em 2016. A pós-graduação agregaria valor ao currículo, além de ser a realização de um sonho dos tempos de faculdade. “É um sacrifício agora para ter vantagens maiores no futuro”, complementa.


Você sabe o que quer?
Clareza nos objetivos é uma das principais chaves para o sucesso, observa a psicóloga e consultora de carreiras da Eleve Consulting Shana Wajntraub. “Tempo é um recurso muito importante e deve ser otimizado. É por isso que orientamos as pessoas a procurarem saber exatamente o que querem e como estão dispostas a conseguir”, esclarece. Para a personal trainer de pessoas com deficiência Suellen Curcino, 27, traçar estratégias é a principal dificuldade. “Desde que me formei em licenciatura plena em educação física, em 2013, não parei de procurar qualificação”, conta ela que participou de cursos, palestras e de um projeto de pesquisa. “Apesar disso, é difícil fazer planos para a minha carreira. No ano que vem, pretendo fazer uma pós-graduação voltada para atendimento de autistas, mas preciso aumentar meu número de alunos e ter uma renda mensal mais constante, por isso quero estudar para concursos públicos”, diz. No caso de Suellen, a dica é elaborar uma lista de prioridades e mantê-la sempre à mão para não esquecer o que realmente quer. A orientação é da coach Inessa Franco. “Fazer uma autoanálise é como descascar uma cebola, você vai tirando camadas, que correspondem aos sugestionamentos externos, até encontrar a essência”, brinca.

Troca de caminho
Alguns problemas de conduta que podem impedir profissionais de alcançarem propósitos são a procrastinação e o medo de errar. “As duas coisas estão intimamente relacionadas. Nos casos com os quais lidei, observei que o procrastinador é perfeccionista, teme o fracasso. Portanto, é preciso estimular a inteligência emocional e mudar a forma de entendimento do erro, compreender que é um aprendizado. Todo mundo tem dentro de si uma voz que diz o que fazer, e é a ela que as pessoas devem escutar.”


André Mezêncio, 25, agente administrativo do Ministério da Cultura e graduado em nutrição, resolveu dar ouvidos a seu eu interior. “Ainda na graduação, sentia que ser nutricionista não era a minha paixão. Eu era muito novo quando passei no vestibular, gostava um pouco do curso e estava perdido, por isso decidi terminar a faculdade. Depois de formado, fui aprovado no concurso de agente administrativo. Pensando no que queria para o futuro, eu me lembrei de que sempre gostei de ensinar. No ensino médio, eu ficava feliz em ajudar meus colegas, por isso decidi ser professor de química. Acho que essa é minha vocação”, conta. Para concretizar o sonho, ele separou tempo para os estudos, fez o vestibular para portador de diplomas da UnB, cujo resultado sai em 19 de janeiro, e o Exame Nacional do Ensino Médio (Enem). “Por algum caminho, eu vou cursar química no ano que vem”, afirma.


Mudar de rumo parece um objetivo arriscado, mas é preciso não ter medo de progredir, determina o coach e diretor do Instituto Brasileiro Master Coaching (Ibmaster), Raphael Costa. “Costumo brincar que você pode ir de Brasília até Goiânia passando por Salvador, se quiser, mas existe um caminho mais rápido. O problema não é querer mudar, mas a forma como as alterações são feitas.” Raphael lembra que os grandes responsáveis pela realização de projetos são os costumes. Para começar uma jornada, é essencial mudar práticas: alguém que pretende se exercitar mais e só tem disponível a parte da manhã deve começar a dormir cedo, por exemplo. O coach aconselha que as novas situações sejam associadas à sensação de bem-estar. “A mente é movida pela busca da satisfação e pela fuga da dor. É preciso que a pessoa crie um padrão de atitudes e associe a sentimentos de felicidade”, finaliza.

 

Caminho para o sucesso

 

Sete dicas para colocar planos em prática no ano-novo:

1) Definição de foco: comece devagar. É melhor listar três metas para 2016 e, conforme for conquistando-as, estabelecer novas. Não adianta elencar 15 itens se sua vida é corrida e você mal tem tempo de pensar.

2) Seja específico: em vez de “emagrecer em 2016”, pense em “perder 20 quilos em quatro meses”.

3) Gestão do tempo: identifique o que te faz desperdiçar horas do dia (alô, redes sociais!), adote ferramentas para economizar tempo, como uma agenda. Organize-se.

4) Cronograma realista: é importante ter prazos condizentes com seu estilo de vida. Não adianta querer emagrecer 10 quilos em um mês se você não faz atividade física e não se alimenta bem, por exemplo. Esteja comprometido com o cronograma.

5) Mensuração de resultados: avalie as conquistas. Não está atingindo o que gostaria no tempo que imaginou? Reveja o plano. Só não vale deixar para fazer isso em dezembro de 2016: faça revisões periódicas.
6) Compartilhe: a meta é economizar mais? Peça ajuda àquela amiga da área financeira, que controla cada centavo gasto e tem vários aplicativos no celular. Compartilhar planos com as pessoas queridas é uma forma de receber apoio e aliados.
7) Sonhe: não deixe de sonhar! Ter metas que façam nossos olhos brilharem torna o caminho mais prazeroso a cada etapa conquistada.

 

Confira indicações de leitura, filme e aplicativo para aprender a lidar com situações de crise, mudar hábitos, e alcançar suas metas em 2016

Leia
Rápido e devagar: duas formas de pensar

Autor: Daniel Kahneman
Editora: Objetiva
624 páginas
R$ 49,40
O livro presenta as duas forças dominantes na mente: o pensamento rápido, intuitivo e emocional; e o devagar, lógico e ponderado. A publicação mostra a capacidade do pensamento rápido, sua influência persuasiva nas decisões e até onde se pode ou não confiar nele.

Assista
Valentin

Argetina, 2003
Direção: Alejandro Agresti
Duração: 1 hora e 26 minutos
Protagonista homônimo ao filme, Valentin é solitário e tem um objetivo na vida: construir uma família. O menino traça um plano e cria formas inusitadas de realizá-lo, levando o espectador dos risos à comoção.

Acesse
7 Weeks

Disponível no GooglePlay e na App Store da Apple
Gratuito para Android, US$ 2,99 para
IOSCalendário que tem como função única ajudar a mudar e adquirir novos costumes, a partir de estratégias inspiradas no best seller O poder do hábito, de Charles Duhigg. Ao se cadastrar, o usuário informa as mudanças pretendidas e o aplicativo cria incentivos visuais para que ele registre as etapas do processo.

 

 

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