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Cearense tira nota máxima na redação do Enem e é aprovada em medicina

Caloura da UFC, Tainá Rocha escreveu sobre as falhas na execução das leis brasileiras em casos de violência contra a mulher

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postado em 19/01/2016 20:18 / atualizado em 20/01/2016 13:36

acervo pessoal
Tainá Rocha, 23 anos, tirou nota máxima na redação do ENEM de 2015 e foi aprovada para medicina pela Universidade Federal do Ceará (UFC), com média 819,3. Ela abordou a dificuldade de colocar a legislação em prática no que diz respeito à proteção da mulher. "A falta de profissionais preparados, reincidências, falta de credibilidade da lei. Tudo isso contribui com a persistência dos crimes. Em termos de legislação, o Brasil é excelência, mas na prática nem tanto . O nosso índice de casos de violência contra a mulher se aproxima do de países cuja cultura é de submissão", explica.

Além do cursinho no colégio Ari de Sá de Fortaleza, que teve duração de um ano, Tainá participou de aulas específicas para o treino de redações. Toda semana, ela devia escrever textos sobre três temas diferentes, que eram discutidos em sala e acompanhados de aulas de gramática. "Eu sabia que precisava falar algo diferente, que os examinadores percebessem logo de cara que era inovador", conta. E para atingir esse objetivo, ela leu bastante sobre filosofia, sociologia e política, matérias que pudessem enriquecer sua compreensão dos temas. Segundo a caloura, ela esperava que fosse algo relacionado a gênero, pois foi um tema muito discutido ao longo do ano e que nunca tinha caído antes.

O contato com pai médico e com a mãe psicóloga acabaram por direcionar Tainá para o curso de medicina desde pequena. Porém, o seu terceiro ano do ensino médio, ela não foi aprovada para o curso que queria e acabou optando pela segunda opção: engenharia de energias renováveis. "Eu ia só passar pra ver como era e fui ficando, acabou que fiz 4 anos de curso". Foi no intercâmbio para a Alemanha, proporcionado pela universidade, que ela começou a refletir sobre não estar fazendo o que queria. "Longe de tudo eu comecei a rever os meus conceitos, abri mão de tudo que eu tinha e da minha família, estava sozinha e tinha muito tempo para pensar", diz.

Ao chegar no Brasil, decidiu largar o curso e voltar para o cursinho. "A primeira vez [que fez vestibular] ninguém sabia ao certo como seria a cobrança, estavam todos muito perdidos, e com o tempo foi ficando cada vez mais previsível, ai me senti bem mais amparada". No ano em que Tainá terminou o ensino médio, 2009, o Enem foi usado pela primeira vez como forma de unificar o ingresso nas universidades federais brasileiras. Ela conta que a diferença entre a realidade na faculdade de engenharia e no cursinho foi um choque, mas que se sentia bem mais madura e preparada para o vestibular , além de contar com o apoio da família, do namorado e dos amigos.

Ansiosa para começar as aulas, Tainá afirma que não sabia se ia passar ou não, pois a competição esse ano foi muito forte, mas que os amigos e professores acreditavam muito nela e até apostavam que ela tiraria a nota máxima na redação. "Eles me deixaram muito confiante, mas ver o resultado foi uma surpresa, eu fiquei muito feliz". Agora que foi aprovada, o próximo desafio é escolher em que área vai se especializar. "Eu não faço ideia, meus pais me falaram que no internato [último período do curso de medicina] todo mundo muda muito as escolhas, só sei que quero fazer parte de uma causa nobre."

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