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PERFIS DE SUCESSO - JOãO PAULO GOMES RIBEIRO »

O Bob Esponja da pizza quadrada

Empresário versátil, dono de uma pizzaria e de um empório de móveis artesanais para espaços externos, trabalha 14 horas por dia, mas não tem do que reclamar e garante vender muito bem

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postado em 31/07/2016 15:11

Ana Paula Lisboa

Gabriela Studart
Aos 36 anos, João Paulo Gomes Ribeiro comanda um portfólio variado de negócios: é dono de uma
pizzaria e de uma empresa de móveis para varanda em Taguatinga Norte. A Bob Pizza Quadrada foi criada há 15 anos na CNB 6. Aberto há sete anos, o Empório Arte em Fibra conta com uma loja na QNC 3 e uma fábrica-loja em Alexânia (GO). O segredo para ser bem-sucedido com empreendimentos tão distintos está na dedicação e no tino para o comércio, característica que João Paulo apresenta desde a infância. “Quando era criança, eu confeccionava pipas para comercializar entre colegas, vendia esterco produzido por um vizinho em feiras. Meu pai disse que eu sempre fui empreendedor”, relata.


Com 20 e poucos anos, durante o dia, ele trabalhava no restaurante japonês Ichiban, em que passou por diversas funções, em departamentos como estoque, entrega e compra de mercadorias. À noite, era empregado do antigo bar Academia do Álcool. Em ambas as experiências, o mineiro de Januária criado em Taguatinga aprendeu muito sobre como lidar com o comércio. “Foi minha faculdade”, brinca. Ele se tornou dono do próprio negócio quando propôs uma inovação no segundo local de trabalho. “Um dos donos do bar era meu primo. Lá, vendiam pizza, mas não era o forte do espaço. Eu percebi que a casa poderia dar mais certo se fosse transformada numa pizzaria e entrei em sociedade com ele”, lembra.


A princípio, o parente aceitou a proposta, mas acabou desistindo por achar que não havia chances de sucesso. “Foi então que eu comprei a parte do meu primo e fui colocar o projeto em prática sozinho.” Vencer a resistência dos antigos frequentadores e a tradição do local foi um custoso desafio. “Quando tirei as bebidas do cardápio, muita gente reclamou. Vários bares tinham funcionado naquele ponto, então ninguém acreditava naquilo, diziam que eu fecharia”, conta. Apesar de não entender da preparação do alimento, João Paulo contratou um bom pizzaiolo, fez uma grande reforma e insistiu na ideia.


Nos dois primeiros anos, os prejuízos foram grandes. “Falei para mim mesmo: se eu não chegar a vender pelo menos mil
pizzas por mês até o fim deste ano, vou me desfazer da loja e estudar até passar num concurso.” A mudança de rota não foi necessária, porque o empresário adotou estratégias cheias de criatividade, incluindo mudar o formato do produto e o nome da empreitada e fazer promoções. “Meu sogro viu num programa de televisão uma pizza quadrada, algo totalmente novo e que não era feito por aqui. Achei a ideia legal e resolvi aplicar.”


Numa clara referência ao personagem Bob Esponja, a nova nomenclatura agradou ao público infantil, e João Paulo produziu copos, camisetas e brindes com o desenho. “A jogada deu certo, pois as crianças perturbavam os pais para virem à loja toda semana”, percebe. Ele também teve ajuda externa. “Quando soube da transformação do bar em pizzaria, um pastor ajudou a atrair muita gente: o pessoal saia do culto e vinha para cá. Aproveitei a tendência e divulguei o restaurante em comunidades evangélicas no Orkut. Deu tão certo que, até hoje, 60% do público é protestante”, revela o católico que diz também receber muitos padres.


Aos poucos, a empresa foi crescendo. “Durante muito tempo, só dava para manter. Depois de nove anos, comecei a ter lucro de verdade. Ninguém acreditava no negócio, e hoje sou um sucesso. A pizza se tornou referência na cidade”, comemora. “Conheço metade do meu público, e tem gente que vinha aqui na infância e hoje frequenta casado e com filhos”, informa. Por semana, a Bob Pizza Quadrada, que funciona das 18h às 23h45 diariamente, recebe 800 pessoas; e atende ainda 800 pedidos diários de entrega (feitos pelo telefone 3351-7924) em Taguatinga, Vicente Pires e Águas Claras. Para dar conta do público, João Paulo abriu, em parceria com o irmão José Carlos Gomes Ribeiros, uma unidade de delivery em Taguatinga Sul.


Além do formato, um diferencial do prato é que a borda de catupiri vem de graça. Quem preferir cheddar ou doce de leite paga a mais. Outro toque é a opção de borda com gergelim torrado por cima. O cardápio foi incrementado ao longo do tempo. “Visitei as melhores pizzarias do DF para conhecer o carro-chefe de cada uma. Assim, implementei várias opções. Outros sabores foram inventados por mim ou pela minha mulher. Quando estava grávida, ela tinha desejos. Uma das mais populares da pizzaria, a de carne seca especial, nasceu a pedido dela”, conta.


A pizza Bob Esponja que leva muçarela, tomate, presunto, calabresa, frango, ovo, champinhom, cebola, azeitona, pimentão, bacon, catupiri e orégano e a Mineira com presunto, calabresa, ovo e cebola roxa também fazem sucesso. A qualidade dos ingredientes é fundamental no negócio. “Eu mesmo faço as compras, tanto para fazer economia e escolher os melhores preços quanto para ser criterioso”, revela João Paulo.

Novo caminho
A segunda empreitada de João Paulo nasceu por causa da pizzaria. “Quando reformei o local, encomendei uma decoração toda de bambu. No entanto, a empresa que eu contratei me deu um calote. Então, eu e minha mulher produzimos tudo sozinhos”, lembra. O que era para ser frustração foi revertido em oportunidade, e o empresário quase brasiliense resolveu abrir uma empresa na área em sociedade com um amigo. “Vendíamos numa feira perto do ParkShopping, mas, depois de um tempo, ele me roubou. Larguei aquilo para lá e recomecei do zero, sozinho. Hoje, não penso em ser sócio de ninguém”, revela.


Para dar conta de tudo, João Paulo conta com funcionários de confiança. “Graças a Deus, tenho pessoas muito boas comigo, porque sozinho não dá para fazer nada. Na parte financeira, por exemplo, tenho uma secretária que é meu braço direito e deixa tudo certinho para os dois negócios.” Na pizzaria, ele tem 24 empregados e, no empório de decoração feita a partir de fibra, são cinco trabalhadores em Taguatinga e cinco em Alexânia. Apesar de contar com ajuda, a jornada de João Paulo é intensa: são 14 horas de trabalho por dia. “É por isso que penso em me aposentar aos 50 anos”, conta o pai de quatro filhos.


O Empório Arte em Fibra recebe, em Taguatinga, cerca de 55 pessoas diariamente. “É um público mais classe média alta e admito que dá mais rendimentos que a pizzaria, pois os produtos não são perecíveis, e a margem de lucro de móvel ainda mais artesanal é alta, fica entre 200% e 300%. Agora, estou fornecendo também para hotéis e pousadas que, além de comprarem em grande quantidade, renovam anualmente.” Apesar da crise, João Paulo garante que está em rota de crescimento. “Prefiro não revelar valores, mas estamos vendendo muito bem”, garante.

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