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Classificação na ponta do lápis

Apresentar uma letra ilegível em redações e questões discursivas é um descuido fatal que tende a ser negligenciado por concurseiros. Uma apresentação visual incompreensível prejudica a avaliação do texto e pode ser a linha divisória entre a aprovação e a eliminação

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postado em 11/09/2016 15:08 / atualizado em 11/09/2016 16:13

Arquivo Pessoal

Há quem acredite que basta estudar os conteúdos cobrados no edital para conquistar uma vaga na administração pública. Porém, não só de questões objetivas se fazem os concursos. A parte discursiva, que abrange as formulações dissertativas e a redação, é responsável por carimbar a entrada ou barrar o ingresso do candidato. Há quem se esqueça, ainda, da importância da caligrafia a fim de garantir boa nota nas questões tipo D: a letra não precisa ser bonita, mas é imprescindível que seja legível.


A professora de redação do Gran Cursos On-line Vânia Araújo afirma que a produção textual sela o destino do candidato. “No caso da última prova do Tribunal de Justiça do Distrito Federal e dos Territórios (TJDFT), a posição dos classificados foi definida nessa parte, visto que um terço da pontuação total se deve a ela. Outro exemplo é o concurso da Polícia Civil de Goiás cuja prova será aplicada em outubro: a parte discursiva do exame será responsável por 20% da nota. Concursos para o Senado podem pedir textos de até 60 linhas. Já para diplomacia, a banca examinadora cobra textos de 600 linhas.”
Vânia explica que um jeito de escrever compreensível deve ser decifrável e harmônico do início ao fim. “Há candidatos que começam com uma caligrafia linda, mas, no fim da redação, quando pressionados pelo tempo, se descuidam, e isso prejudica bastante. Recomendo que a letra seja redondinha, mas não precisa ser bonita”, pondera. “Sempre pensam que o conteúdo é o mais importante, mas não dá para abrir mão do aspecto visual uma vez que o examinador não pode se eximir de certa subjetividade.”


Ana Paula Cordeiro, corretora de redação da plataforma Imaginie, ressalta que uma caligrafia descuidada prejudica a compreensão, mesmo que o autor apresente argumentos coerentes e uma boa estrutura textual. “Quando não se compreende palavras, não se entende bem o texto todo”, esclarece.

 

Para se recuperar

 

Arquivo Pessoal

Cursinhos de caligrafia não são exclusivos para crianças e têm sido procurados por concurseiros, como André Luiz Troccoli, 38 anos, analista de negócios na Secretaria Especial de Agricultura Familiar que teve problemas com a letra. “No certame para analista de tecnologia da informação do Ministério do Planejamento, em 2015, conferi a folha de redação corrigida e notei marcações destacando palavras que não estavam legíveis”, salienta o graduado em computação. “Fiz um curso específico e resgatei o prazer de redigir”, comemora. Para se manter assim, escreve de cinco a 10 folhas por dia e treina, repassando memorandos por escrito.


“Uma letra ilegível acarreta a perda de grandes oportunidades. Muitos alunos que me procuram passaram na prova objetiva, mas foram reprovados na parte discursiva”, conta Fátima Montenegro, professora do Curso para Caligrafia Técnica ABZ. Primeiramente, é necessário corrigir vícios, como postura errada, pressão ao segurar a caneta, força no papel, letra com inclinação irregular, entre outros. “Existem pessoas que sentem dor ao escrever. Passar a maior parte do dia digitando no teclado do computador e do celular desfavorece a caligrafia. Se não há o hábito, a escrita se perde”, observa.


De acordo com Fátima, o primeiro aspecto notado por um examinador é o visual gráfico, e há vícios (saiba mais em Não passe vergonha) que os candidatos negligenciam, pois acreditam que a redação é fácil. “Vale lembrar que as pessoas não escrevem pra si, mas para alguém”, atenta. “O ato de escrever se parece com o jeito de segurar os palitos de sushi. Ou seja, sem pressão, fazendo os movimentos de forma que não se sinta dor e que não fiquem marcas da caneta na mão.” O ato de redigir dever ser confortável. Para isso, o destro precisa apoiar o peso do corpo no braço esquerdo. No caso do canhoto, o certo é apoiar no braço direito. Alongamento antes de redações podem ajudar nos movimentos.


É importante observar que uma caligrafia legível é necessária não apenas para passar no concurso: também é exigida no dia a dia do servidor público. O combatente do Corpo de Bombeiros, Paulo Roberto Ferreira, 44, diz que, quando escreve rápido, tem dificuldade para compreender os próprios registros. “Já anotei ocorrências e, depois, não consegui saber qual o nome da pessoa”, admite. Paulo não tinha prática de redigir à mão, mas, depois de recorrer a aulas de caligrafia, escreve de cinco a seis páginas diariamente. “Além de melhorar minha assinatura, o curso foi necessário porque pretendo prestar concurso para auditor fiscal do trabalho”, revela.

 

 

Fique atento

Não passe vergonha
» Faça desenhos diferentes dos seguintes pares: “t” e “h”, “r” e “s”, “u” e “n”, “l” e “e”.
» Decida-se por um estilo de caligrafia e não os misture: ou use o cursivo ou o de forma.
» O “til” nas terminações “ão” precisa vir em cima apenas da vogal “a”. O Instituto Americano de Desenvolvimento (Iades), banca da Polícia Civil do DF, apenou candidatos que colocaram til em cima do “o”.
» Obedeça os limites das margens, coloque espaçamento moderado entre as palavras, evite o uso exaustivo do hífen, tenha cuidado com a separação silábica ao mudar de linha e comece os parágrafos com um espaçamento regular.
» Um traço muito grande na letra “t” pode comprometer sua nota.
» Há bancas que penalizam por não pingar “j” e “i” e até por colocar o pingo no lugar errado.
» No caso de rasuras, passe um traço em cima da palavra errada e continue o texto.
» O rascunho pode ser feito com agilidade, mas vá com calma na hora de passar a redação para a folha definitiva.
» Procure saber qual será a banca responsável pelo concurso para ter ideia do método e dos critérios de correção.

Fontes:  Ana Paula Cordeiro, Fátima Montenegro e Vânia Araújo

 

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