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Mais de 1,7 mil vagas para cadastro reserva

A Dataprev oferece salários que variam de R$ 3,6 mil a R$ 6,8 mil. O fato de outro certame da instituição, de 2014, ainda estar em vigor gera polêmica: mais de 3,8 mil aprovados não foram empossados

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postado em 25/09/2016 15:56 / atualizado em 26/09/2016 12:35

Arquivo Pessoal
O último concurso da Empresa de Tecnologia e Informações da Previdência Social (Dataprev) foi promovido em 2014 e vale até março de 2017. Mesmo assim, a instituição lançou outro certame para formação de cadastro de reserva. Vários dos cargos nas duas seleções são idênticos, e há 3.813 selecionados na lista de espera do último processo. As provas de 2016 oferecem 1.703 vagas para candidatos de níveis técnico (10) e superior (1.693). Os selecionados atuarão no Distrito Federal e em seis estados — Ceará, Paraíba, Rio de Janeiro, Rio Grande do Norte, Santa Catarina e São Paulo. Entre as oportunidades, 10% são destinadas a pessoas com deficiência e 20% a pretos e pardos. A remuneração varia entre R$ 3.699,32 e R$ 6.899,98, de acordo com o cargo. Os aprovados terão direito ainda a auxílio-alimentação (R$ 852,24), reembolso de pré-escola para filhos matriculados em creche e reembolso escolar para dependentes que cursam ensino fundamental e médio (até R$ 1.061,62), além de apoio financeiro para tratamentos de saúde.


No caso de nível básico, são cinco vagas para auxiliar de enfermagem do trabalho e cinco para técnico de segurança do trabalho, ambas com remuneração de R$ 3.699,32. Já para cargos que exigem graduação, os postos de analista de processamento (com salário de R$ 6.899,98) e de analista de tecnologia da informação (com salário de R$ 7.559,60) serão preenchidos por graduados em ciência da computação, ciências econômicas, informática, sistemas de informação, engenharias, estatística, matemática, processamento de dados ou tecnologia da informação, direito, ciências contábeis, finanças, pedagogia, psicologia, ou tecnologia em gestão de negócios. Há ainda cinco vagas para médico do trabalho e cinco para engenheiro de segurança do trabalho, destinadas a pós-graduados nessas áreas, que ganharão R$ 7.559,60 por mês.


Formado em gestão de tecnologia da informação há um ano, Rangel Machado, 32 anos, quer ocupar o cargo de analista de tecnologia da informação para atuar na gestão de serviços de tecnologia da informação e comunicação. O candidato se prepara para o concurso com um cronograma bem definido. “Trabalho oito horas por dia e estudo a mesma quantidade de horas de segunda a sexta. Para isso, uso meu intervalo de almoço e acordo cedo. No sábado, me dedico por cinco horas”, conta Rangel.

Reta final

Os interessados devem acelerar o ritmo de estudos: faltam menos de dois meses para os testes, que serão em 20 de novembro. Para ambos os níveis, serão aplicadas uma prova objetiva com 50 questões de múltipla escolha (10 de língua portuguesa, cinco de língua estrangeira — o aluno pode optar por inglês ou espanhol —, cinco de conhecimentos gerais — que abrangem atualidades, cenário internacional e interesse geral — e 30 de conhecimentos específicos) e uma avaliação discursiva, com até 30 linhas, sobre uma situação-problema relacionada a cada área. Os graduados também passarão por análise de títulos, com avaliação de documentos específicos que podem agregar até cinco pontos à média do candidato.


Professor de português do Espaço Campus e bacharel em letras pela Universidade de Brasília (UnB), Átila Abiorana aconselha que os concurseiros foquem no estudo da gramática. “O concurso é realizado pelo Cetro, banca muito metódica, com maior apego a normas gramaticais, nomenclaturas e regras de concordância. Também é bom revisar os tipos de texto, como dissertação, narração e crônica.  A banca tende a trabalhar bastante as regências dos seguintes verbos: assistir, lembrar, recordar e atender”, pontua. Além disso, o aluno deve se atentar à nova ortografia, principalmente quanto a regras de acentuação.


A gramática também deve ser o foco dos que optarem pelo espanhol como língua estrangeira, como observa o professor do idioma no Alub Ricardo Tobé. “O candidato precisa desenvolver a habilidade de interpretar textos e, na parte gramatical, se atentar às relações semânticas desenvolvidas pelos pronomes dentro do texto e aos aspectos verbais referentes ao modo e aos tempos. Para ajudar, indico o Dicionário Señas, da Universidad de Alcalá de Henares, que é quase uma gramática, e o livro Espanhol para vestibular de Sandra Di Lullo Arias”, sugere.


Um tema que costuma preocupar concurseiros é atualidades. Professor da disciplina no Estratégia Concursos, Leandro Signori sugere uma atualização diária. “Todo o conteúdo é importante, mas o estudante deve focar mais em assuntos de interesse geral e prestar atenção às grandes notícias dos últimos dois anos, principalmente sobre política brasileira, eleições, impeachment, Brexit, Olimpíadas e Paralimpíadas, terrorismo, crise na Venezuela, crise no Mercosul, acordo de paz na Colômbia, eleições nos Estados Unidos e crise migratória na União Europeia”, elenca. Segundo Signori, é importante assistir a um telejornal e ler um jornal de circulação nacional ou site diariamente.

 

Passe bem/Atualidades

A Síria vem recebendo grande destaque nos noticiários mundiais atualmente. Após anos de uma guerra civil que afundou o país numa crise humanitária, aumentam as notícias de chegadas de refugiados sírios em busca de melhores condições de vida na Europa. Além disso, devido à sua situação precária, o país é uma das principais bases do grupo radical Estado Islâmico. A partir de seus conhecimentos, considere as seguintes afirmativas.
I. Apesar de situada no Oriente Médio, a Síria é um país cuja maioria da população é curda, não árabe.
II. Diretamente afetadas pelos conflitos, as cidades sírias de Palmira e Damasco são famosos patrimônios culturais da humanidade.
III. Desde o início das tensões em território sírio, Rússia e China manifestaram-se contrárias ao regime do ditador Bashar al-Assad, opondo-se com isso aos Estados Unidos e à União Europeia.
Está correto o que se afirma em:
a) I, somente.
b) II, somente.
c) I e III, somente.
d) III, somente.
e) nenhuma.

Comentário:
Na Síria ocorre o mais violento conflito armado do século 21. A guerra civil, iniciada em 2011, dura cinco anos e teve como estopim a violenta repressão do governo de Bashar al-Assad às grandes manifestações por democracia no país, no contexto da Primavera Árabe. A população é de maioria árabe, os curdos são uma expressiva minoria que habitam o Norte e o Nordeste da Síria. Damasco é a capital da Síria e, com a cidade de Palmira, são famosas como patrimônios culturais da humanidade, diretamente afetadas pelos conflitos. A Rússia e Irã são os principais aliados do regime do ditador Bashar al-Assad, a China não é contrária e os Estados Unidos e a União Europeia defendem a saída de Assad do poder; totalmente contrários à continuidade do seu regime de governo.

Questão retirada de prova aplicada no concurso do Conselho Regional de Administração do Acre em junho deste ano pelo Instituto Quadrix, comentada pelo professor Leandro Signori

 

Gabarito: b (somente o item II está correto)

 

O que diz o edital

Concurso Público para a Empresa de Tecnologia e Informações da Previdência Social (Dataprev)

Inscrições: até 7 de outubro pelo site www.cetroconcurso.org.br
Vagas: 1.703
Salários: de R$ 3,6 mil a
R$ 6,8 mil
Taxas: R$ 80 (ensino técnico)
e R$ 100 (ensino superior)
Data da prova: 20 de novembro
Locais de prova: todas as capitais do Brasil

 



Certame anterior


O último concurso da Dataprev — cujo edital foi lançado em 20 de outubro de 2014, cujas provas foram realizadas em 14 de dezembro do mesmo ano, e cujos resultados foram publicados em 12 de março de 2015 — está em vigor até 12 de março de 2017. Até 31 de agosto deste ano, dos 4.016 aprovados, apenas 203 foram admitidos em todo o Brasil. Em Brasília, 58 candidatos foram efetivados, mas nenhum classificado das áreas de advocacia, arquitetura, comunicação social, engenharias, serviços logísticos e web design foi chamado. Mesmo assim, o certame de 2016 oferece 85 vagas para advocacia (20) e engenharia (65) para a capital federal, áreas em que ninguém foi convocado.

Esse é um comportamento recorrente da Dataprev que, nos últimos cinco anos, lançou cinco editais com previsão exclusiva de formação de cadastro reserva. A desproporcionalidade entre o número de vagas previstas e o quantitativo de convocados pode ser notado facilmente no edital lançado em 2012, em que a empresa ofertou mais de 8 mil vagas e empossou somente 50. Segundo a subgerente do Departamento de Gestão de Carreira da Dataprev, Lucília Ferreira, não há nada demais em publicar uma nova seleção. “Todos os nossos concursos são para formação de cadastro reserva, pois precisamos ter um banco ativo para suprir as demandas de desligamento que possam acontecer, como óbito, transferência ou demissão de algum funcionário. Por isso, quando a validade está para vencer, a Dataprev abre um novo processo. As pessoas que passam estão sujeitas a essa condição: se tiver vaga, serão chamadas; se não houver, não”, afirma.

O entendimento da Procuradoria Regional do Trabalho (PRT) da 10ª Região é diferente. Em outubro de 2014, a instituição instaurou o inquérito civil nº 001963.2014.10.000/9 a fim de apurar denúncia de irregularidades na realização de concurso público com previsão exclusiva de vagas de cadastro reserva. Uma Ação Civil Pública (ACP) foi criada pela Procuradoria em 27 de janeiro de 2016, pedindo que a Dataprev seja condenada a convocar os selecionados do último concurso, não utilizar editais com cadastro reserva, sempre publicar o quantitativo de vagas disponíveis aos candidatos e que esse corresponda à real necessidade de mão de obra da empresa. Segundo a procuradora Daniela Costa Marques, a situação gera um contexto de insegurança e desigualdade, em prejuízo dos candidatos que empregarem dinheiro e tempo para ser selecionados. Em primeira instância, a ação não foi aceita, mas a PRT entrou com recurso em 2 de agosto e aguarda novo resultado.

A Procuradoria afirma que não é razoável que, em um certame em que foram ofertadas tantas vagas no edital, apenas um ou dois candidatos sejam convocados, ou, o que é pior, não convocar sequer um candidato para alguns cargos. Ainda no documento é relatado a defesa apresentada pela Dataprev.

Mesmo assim, a empresa lançou um novo edital, novamente com alto número de vagas, o que gerou revolta nos candidatos aprovados em 2014. Thays Oliveira, 32 anos, formada em ciência da computação, cotista, ficou em 16º lugar para o cargo de análise de negócios. Com 250 vagas ofertadas, apenas 60 foram convocados - sendo 12 cotistas. Quando soube do novo certame lançado, Thays fez denúncias ao Ministério Público do Trabalho (MPT), ao Tribunal de Contas da União (TCU) e à Controladoria-Geral da União (CGU). “No novo concurso, são oferecidos os mesmos cargos e praticamente as mesmas quantidades de vagas, sem chamarem nem 10% dos aprovados. Além disso, a formação exclusiva de cadastro reserva é inconstitucional”, afirma. “A Dataprev era uma das melhores opções na época e, quando eles pararam de chamar, fiquei desanimada, mas espero que com a ACP (Ação Civil Pública), ela seja obrigada a convocar todos nós do concurso anterior”, conclui.

Concurseira há mais de três anos, a nutricionista Brunella Favarato, 32 anos, passou em 1º lugar para o cargo de analista de tecnologia da informação - processo administrativo, no Rio de Janeiro. Para o cargo que se candidatou, apenas uma pessoa foi chamada, o primeiro lugar da região de Brasília; mas a maioria das vagas era para o estado carioca. “Não tenho mais esperança de ser chamada. No início eu tinha, mas depois continuei a estudar para passar em algum com vaga garantida”, afirma.

Larita Leal, 26 anos, advogada, estudou por quase dois anos para ingressar na empresa. A baiana ficou em nono lugar para o cargo analista de tecnologia da informação - processo administrativo e estranhou o fato de o cadastro reserva ter tantas vagas e não chamar nem o primeiro colocado com a data de vencimento tão próxima. “Não cheguei a fazer denúncia face aos outros colegas terem feito e não obterem sucesso. As respostas dos órgãos controladores são muito genéricas e parece que não percebem a gravidade da situação”, conta. Larita acompanha de perto a conduta da empresa e não se conforma o que está acontecendo. “A Dataprev em torno de 800 funcionários aposentados e aposentáveis, e está cada vez mais rica. Então não entendemos o posicionamento de não convocar e fazer concurso de dois em dois anos. Pena as autoridades não terem se atentado devidamente a esta aparente forma de arrecadação”, desabafa.

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