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Correio Braziliense

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Em coletiva, Inep disse que nota do Enem não é indicador de qualidade

Segundo representantes do instituto e do MEC, é preciso contextualizar os dados das escolas, como o perfil socioeconômico dos alunos atendidos, para avaliar o trabalho das instituições

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postado em 04/10/2016 10:44 / atualizado em 05/10/2016 10:39

Em coletiva no Ministério da Educação (MEC) sobre os resultados do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) de 2015 por escola, que começou por volta das 11h15 desta terça-feira (4), a presidente do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep), Maria Inês Fini, ressaltou que o objetivo da divulgação dos resultados era fornecer aos professores, gestores e à sociedade informações sobre o desempenho dos estudantes e as características das instituições de ensino. "Os resultados têm contextos que precisam ser considerados. O desempenho do aluno sozinho não pode servir como diagnóstico da escola", ponderou.

 

Segundo ela, um simples ranking não serve para analisar os colégios - para isso, há outros indicadores mais acertados, como o Sistema de Avaliação da Educação Básica (Saeb). "O ranking sozinho é inapropriado para indicar aos pais o resultado da escola", disse. Apesar disso, ela afirma que as médias no Enem devem motivar mudanças. "O resultado vem reforçar a enorme necessidade de uma reforma do ensino médio. Os resultados apontam a necesidade de uma escola mais amigável e acolhedora aos projetos de vida dos jovens. O estrato social que se saiu bem tem mais acesso a bens culturais e trocas verbais na família. A escola pública precisa promover uma experiência, uma trajetória na vida dos alunos. Nossa escola é muito tradicionalista", avalia a presidente do Inep.

 

"É muito difícil dizer qual escola é melhor. É importante mostrar a relatividade dos dados", pondera a secretária executiva do MEC, Maria Helena Guimarães de Castro. "Do grupo socioeconômico muito alto para o grupo médio há uma diferença de 100 pontos. É uma diferença absurda. Isso revela a enorme desigualdade do ensino médio brasileiro. Muitos alegam que a reforma do ensino médio vai aumentar a desigualdade, mas a reforma vai aumentar a equidade do sistema", prevê. "Os alunos dos estratos sociais baixos nem se inscrevem para fazer o Enem. Eles se autoexcluem. É essa desigualdade que a reforma pretende enfrentar."

 

Entre os aspectos que se relacionam às notas das escolas está o índice de permanência no mesmo colégio. A conclusão, no geral, é que quanto maior o índice, menores as notas. Segundo Maria Inês, "nas avaliações internacionais, o contexto é um importante indicador. O que diferencia uma escola da outra se relaciona à faixa de renda do aluno, à escolaridade da família, entre outros fatores".

 

"Os colégios federais têm melhores resultados no ranking porque essas escolas selecionam os melhores alunos para integrarem as instituições", comentou Maria Inês sobre os resultados das escolas militares e ligadas a universidades federais. "Um aluno selecionado tem mais chances de ter melhor desempenho, mas, a meu ver, a escola pública não deveria fazer esse tipo de seleção", opinou. Maria Helena sugere que poderia ser observado, ainda, o grau de vulnerabilidade dos alunos. "É importante oferecer educação de qualidade para crianças de baixa renda para que elas tenham novas chances", observa. "Mas o ideal é não selecionar."

 

A secretária executiva do MEC avalia que, hoje, o ensino médio funciona como um grande preparatório para o Enem - proposta que poderia ser alterada com a reforma do ensino médio. A implantação da mudança, no entanto, deve começar a ser possível a partir de 2018 ou 2019. Questionada sobre a chance de a gestão atual acabar com o Enem, Maria Inês, do Inep, respondeu que ela é nula. "Não vamos acabar com nenhuma das vantagens que os estudantes tiveram com o Enem nesse formato. Jamais", garantiu.

 

Redação

Na redação, cujo tema foi a violência contra a mulher, 65 candidatas usaram o texto para contar as próprias histórias de violência.

 

"A redação e a prova de português tiveram índices diferentes pelas características dos alunos. Existem alunos que se dão melhor com cada tipo de prova. Além disso, o tema da redação foi mais amigável aos alunos, é algo que vinha sendo debatido no contexto social dos estudantes", observou Maria Inês, do Inep.

 

Neste ano, o Inep e o MEC não pretendem divulgar os nomes dos melhores alunos na redação ou na prova. O número de alunos que obtiveram nota máxima na redação do Enem foi 104 em 2015. Por outro lado, 53.032 foram anulados ou receberam nota zero.

 

Sobre trechos de redação divulgados em anos anteriores, Maria Inês pediu aos jornalistas: "não coloquem os jovens em evidência por aquilo que eles não sabem. Não ridicularizem os nossos jovens". A presidente do Inep ressaltou inclusive que alguns dos trechos divulgados eram falsos e só tinham a intenção de fazer chacota com os estudantes brasileiros.

 

Estratégia problemática

Sobre a prática - infelizmente comum entre colégios particulares - de usar mais de um CNPJ para competir com grupos diferentes de estudantes no Enem, por exemplo, separando os melhores estudantes num CNPJ e, assim, subir no ranking, Maria Inês disse que é algo que o MEC e o Inep não podem combater. "Isso aconteceu no DF e em outras localidades do país. Essa prática infelizmente ainda se mantém. Um dado que pode ser usado para analisar isso é a taxa de permanência dos alunos na escola."

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