Entre as 50 melhores escolas do país no Enem, três são públicas

Os colégios custeados pelo governo com resultados mais elevados são todos federais. O dado reforça conclusão do Instituto Alfa e Beto de que alunos da rede pública não têm condições de disputar vagas com os estudantes da rede particular. No geral, o país melhorou em ciências humanas e redação e piorou em linguagens, matemática e ciências da natureza

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postado em 04/10/2016 11:00 / atualizado em 05/10/2016 10:39

O resultado do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) de 2015 por escolas foi divulgado nesta terça-feira (4) pelo Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep). Tomando como base as notas da prova objetiva e da redação por escola, a pontuação média das escolas brasileiras no Enem de 2015 foi de 525 pontos. Entre os colégios públicos, o número ponderado nacional é de 492 pontos; e na rede particular, o valor é de 570 pontos.

 

Por dentro dos dados

A IDados, instituição dedicada à análise de dados e de evidências sobre a educação brasileira associada ao Instituto Alfa e Beto, preparou uma análise dos dados do Enem por escolas 2015.

 

O instituto observou as escolas e o nível de proficiência dos estudantes, sendo nível 1 mais baixo e o 5, mais alto. A maioria dos alunos das escolas estaduais, municipais ou federais se encontra nos níveis 1 e 2 em todas as provas. A porcentagem dos estudantes da rede pública que estão no nível 3 ou acima varia de 8,2% (em ciências da natureza) a 26% (em matemática).

A maioria dos alunos das escolas particulares está entre os níveis 2 e 4 da escala. A quantidade de alunos dos estabelecimentos pagos no nível 5 varia de 0% em linguagens a 9,4%, na redação. Ou seja, o nível das escolas privadas da elite é extremamente baixo, conclui o relatório.

O desempenho dos 30 melhores alunos da rede pública comparado ao dos 30 melhores da rede privada mostra que a uma grande diferença entre os dois tipos de ensino. Isso sugere que as chances de os melhores alunos das escolas públicas competirem pelas melhores vagas nas melhores universidades com os alunos das escolas particulares é mínima – exceto se os primeiros forem amparados pelo sistema de cotas. Os melhores alunos que as melhores escolas públicas conseguem atrair se situam num patamar relativamente modesto de desempenho (o que é comprovado pelo Pisa, o Programa Internacional de Avaliação de Alunos).

 

O Inep não divulga um ranking geral por escola, mas o Eu, Estudante fez uma média ponderada das notas nas cinco disciplinas para gerar uma lista de classificação. Para ter a nota divulgada, é preciso que, pelo menos, 10 estudantes da instituição tenham feito o Enem e que a taxa de participação - com relação ao total de alunos - seja de, no mínimo, 50%.

 

 

Rankings gerados pelo Eu, Estudante

Média da prova objetiva e da redação*
Ranking geral

Ranking das escolas públicas

Ranking das escolas particulares

 

*Nesta reportagem, levamos em consideração o ranking que considera as médias da prova objetiva e da redação conjuntamente para estabelecer as posições dos colégios 

 

Nos três primeiros lugares do país estão o Objetivo Colégio Integrado (SP), o Colégio Ari de Sá Cavalcante - sede Mario Mamede (CE) e o Instituto Dom Barreto (PI). A primeira escola de Brasília a aparecer no ranking está na 11ª colocação e é o Colégio Olimpo. A pior instituição de ensino do Brasil no Enem, no 14.998º lugar, foi o CE Marcelina Noia Alves - Anexo 1, da rede estadual do Maranhão.

 

Resultados nacionais
A proficiência média dos participantes do Enem caiu em relação a 2014 em ciências da natureza, linguagens e matemática, passando de 487, 511 e 481 pontos para 478, 504 e 475 pontos, respectivamente. Em ciências humanas e redação, as médias aumentaram: de 546 e 491 (em 2014) para 555 e 543 (em 2015).

O documento da IDados destacou a melhora na nota média da redação, que saltou de 454 pontos em 2014 para 516 pontos no ano passado entre as escolas públicas. No caso das particulares o avanço foi de 599 pontos para 627 pontos.

O desempenho em matemática, no entanto, caiu nos dois casos. De 455 pontos na rede pública dois anos atrás para 451 em 2015. E de 551 pontos nas particulares em 2014 para 546 no ano passado.

Participação
Dos mais de 2 milhões de estudantes matriculados no 3º ano do ensino médio naquele ano, cerca de 1,3 milhões fizeram a prova (66% do total). Dentre os que participaram do exame, 17,2 mil foram eliminados: por não terem feito uma das provas, terem tirado nota zero na redação ou por terem zerado alguma das provas objetivas.

As melhores públicas

Entre as 50 melhores escolas do Brasil, aparecem três públicas - todas federais: o Colégio de Aplicação da Universidade Federal de Viçosa (28º), o Colégio Politécnico da Universidade Federal de Santa Maria (33º) e o Colégio de Aplicação da Universidade Federal de Pernambuco (40º). A próxima federal na lista é o Colégio Pedro II - Câmpus Niterói, que figura na 158ª posição no ranking nacional.

 

A primeira instituição estadual a figurar no ranking é a Escola de Aplicação do Recife, no 162º lugar. A melhor escola municipal é o Colégio de Aplicação da Fundação Educacional de Macaé, que conquistou a 742º posição.

 

Variáveis
O relatório apresentou ainda dados por Indicador de Nível Socioeconômico (Inse), calculado a partir da escolaridade dos pais, da posse de bens e da contratação de serviços pela família dos alunos, com o objetivo de situar o público atendido pela escola em um estrato ou nível social de acordo com o padrão de vida. Os colégios com maior taxa de participação no Enem têm Inse médio alto (25,5%) e alto (22,5%).

Em seguida, vêm as instituições com indicador médio (19,6%), muito alto (17,3%), médio baixo (10,1%) e baixo (4,6%). As escolas com Inse muito baixo, ou seja, cujos alunos vêm de famílias mais pobres, representam apenas 0,4% do total. Quanto menor o Inse, pior a média apresentada pelos centros educacionais: o grupo com Inse muito alto ficou com um total ponderado de 599 pontos; enquanto a parcela de colégios com Inse muito baixo somou 454 pontos no Enem.

Também foi analisado o porte das escolas: 28% eram muito pequenas (até 30 alunos), 26% eram pequenas (de 31 a 60 estudantes), 15% médias (61 a 90) e 31% grandes (mais de 91). As médias escolares foram de: 541, 532, 521 e 509 pontos, respectivamente. Ou seja, quanto menor a instituição de ensino, maior a nota.

Quanto à formação dos professores, o relatório concluiu que, em 27% das instituições, até metade dos professores têm a formação considerada adequada pelo Inep e fizeram licenciatura na área da disciplina ou bacharelado no ramo da matéria com complemento pedagógico. Essas escolas obtiveram, em média, 506 pontos na prova. Enquanto isso, nos 73% dos colégios restantes, em que mais de 50% dos professores têm a formação adequada, a média foi de 532 pontos.

O Indicador de Permanência na Escola (IPE), que representa o percentual de alunos que cursaram todo o ensino médio na mesma instituição também foi avaliado. Os estabelecimentos com a média mais alta no Enem (558 pontos) foram os 467 que tiveram o IPE mais baixo (menos de 20%). Em seguida, vêm as 297 instituições com IPE médio baixo (20% a 40%), com 537 pontos; as 7.568 escolas com IPE alto (mais de 80%), com média de 526 pontos; e os 1.293 colégios com IPE médio (40% a 60%), cuja média foi 525 pontos; e as 5.373 unidades com IPE médio alto (60% a 80%), com média de 520.