SIGA O
Correio Braziliense

Ingresso na UnB em dose dupla

Conheça a história dos gêmeos Fernanda e Pedro, que passaram na UnB

INFORMAÇÕES PESSOAIS:

RECOMENDAR PARA:

- AMIGO + AMIGOS
Preencha todos os campos.

postado em 10/01/2017 15:43 / atualizado em 10/01/2017 19:24

Estudar na Universidade de Brasília (UnB) é o sonho de muitos jovens durante o ensino médio. Os gêmeos Fernanda Pereira e Pedro Pereira, 17 anos, tinham esse objetivo desde criança. “Comecei a ter vontade de ingressar na UnB, aos 11 anos, quando a minha irmã mais velha passou”, lembra Fernanda, que agora é caloura do curso de direito. “Eu já tinha ido a palestras no câmpus e  percebia a vontade dos professores de transmitir conhecimentos. Existem até docentes de outros países. Acredito que  lá é o melhor lugar para me formar”, diz Pedro, que passou para engenharia mecatrônica.

 

Arquivo pessoal
 

 Filhos de uma cabeleireira e de um administrador de empresas, que atualmente está desempregado, os irmãos sempre estudaram juntos e em escolas públicas. Uma parte do ensino fundamental foi no Centro Educacional Incra 08, em Brazlândia, e a outra, no Centro de Ensino Fundamental, em Ceilândia.  Os gêmeos cursaram  o ensino médio no Centro de Ensino Médio Setor Leste, na Asa Sul. “A última escola marcou a minha escolha pelo curso. O colégio e os professores sempre nos deram muito apoio e nos ajudaram nos estudos para que conseguíssemos passar”, conta Fernanda, que quer lutar pelos direitos das mulheres. Pedro concorda  parcialmente com a irmã: “Acredito que na escola  particular, os estudantes têm mais incentivo para passar no vestibular de uma universidade federal. No Setor Leste, eu tive apoio de alguns docentes, mas outros pareciam não se interessar tanto”, observa. Ele que sempre gostou de matemática, decidiu que queria cursar engenharia mecatrônica depois de conversar com o namorado da irmã mais velha:  “Ele me contou que fez um intercâmbio na Alemanha e eu pensei: Eu quero ser igual a esse cara”, lembra.

 

Arquivo pessoal
 
Moradores de Águas Claras, os gêmeos fizeram um cursinho anual, frequentado duas vezes por semana, bancado pela irmã mais velha e tinham uma rotina  rígida  de estudos para garantir a vaga na UnB. “Além de estudar na escola, chegava em casa, almoçava e estudava cerca de cinco horas por dia por meio de apostilas. Nos fins de semana, eu descansava, tentava fazer coisas para relaxar, pois como estudava no Plano  Piloto, tinha que acordar muito cedo e era cansativo”, lembra Fernanda.  A rotina de Pedro era parecida com a da irmã. “Também não abria mão de descansar, mas já deixei de sair, por exemplo, por causa dos estudos”, diz.

 

Arquivo pessoal
 

 Os gêmeos, que passaram por cotas por estudar em escola pública foram conferir o resultado no câmpus. “Eu não estava  encontrando meu nome  na lista e quando, finalmente, vi minha mãe pensou que eu não tinha sido aprovada porque eu comecei a chorar muito. Estou muito feliz, pois no ensino médio tive a certeza de que queria estudar na UnB, até porque meus pais não teriam condições de pagar uma faculdade particular”, afirma Fernanda. Pedro também concorda com a irmã : “Senti um alívio muito grande. Agora, eu não vou mais enfrentar aquela pressão da família para passar”, comemora.

Não desista!

Fernanda acredita que, mesmo que a pessoa não passe agora, é muito importante não desistir. “Principalmente agora que temos a oportunidade de ingressar  por meio do sistema de cotas, que prevê vagas para estudantes de escolas públicas. Há algum tempo, alunas como eu, talvez, nem pensassem que poderiam concorrer para um curso tão concorrido como direito. A UnB é nossa”, afirma. Pedro também aposta que sempre vão existir outras oportunidades : “É só uma prova e não a decisão da sua vida. Se não passou agora, outras chances vão surgir. É necessário se esforçar para que o estudante consiga”, aconselha.

 

Arquivo pessoal

 

* Estagiária sob supervisão de Ana Sá