SIGA O
Correio Braziliense

Candidatos denunciam fraude em cadastros do Sisu

Prejudicados, inscritos afirmam terem sido vítimas de hackers que mudaram as solicitações de curso e o local das universidades

INFORMAÇÕES PESSOAIS:

RECOMENDAR PARA:

- AMIGO + AMIGOS
Preencha todos os campos.

postado em 01/02/2017 12:53 / atualizado em 01/02/2017 20:55

Denúncias de supostas invasões por hackers e possíveis alterações nos cursos de inscritos no Sistema de Seleção Unificada (Sisu) movimentaram as redes sociais desde a última segunda-feira (30). Os prejudicados consideram falho o procedimento para recuperação de senha, pois, segundo eles, a plataforma solicita informações de fácil acesso como: nome da mãe, número de CPF, data de nascimento e endereço, além de não haver nenhuma confirmação de alteração por e-mail ou via celular, o que facilita o acesso de qualquer pessoa com os dados.


Manoela de Carvalho, 22 anos, mora em Uberaba (MG) e afirma ter sido vítima dos ataques. No primeiro dia de inscrições, a estudante optou pelos cursos de ciências biológicas e química, ambos na Universidade Federal do Triângulo Mineiro (UFTM). A fim de saber a colocação, ela tentou acessar o site no dia seguinte ao término das inscrições, porém a senha digitada por ela constava como incorreta no sistema.

 

“Fui na página do Inep (Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira) e troquei a senha, então, entrei no site do Sisu e percebi que os cursos foram alterados”, relata. A mineira cogita a possibilidade de o erro ter ocorrido em razão do alto número de acessos no site ao mesmo tempo. “Saí, entrei de novo e continuava assim. Então falei para o meu colega que tinha algo errado. Ele entrou na minha conta por outro computador e disse que realmente constavam lá opções que eu não tinha solicitado”, recorda.

 

A mudança no cadastro de Manoela foi para educação física na Universidade Federal do Maranhão (UFMA), em uma vaga para pessoas com deficiência e, como segunda opção, biomedicina, na Universidade Federal do Pará (UFPA), na modalidade de cotas para estudantes que têm renda inferior a 1,5 salário por pessoa. “Eu fui tomar uma providência quando vi que a alteração foi feita de uma maneira que não podia reverter, às 23h59”, explica.

 

Arquivo Pessoal

 

A candidata entrou em contato com a Polícia Militar (PM) para fazer um boletim de ocorrência, mas recebeu a informação de que, sem provas, não seria possível registrar a queixa. Ela procurou o Ministério da Educação (MEC) para solicitar o histórico de acesso ao perfil, mas segundo ela, a atendente da ouvidoria disse que o órgão não tem esse tipo de dado. “A atendente pediu para eu abrir uma demanda pelo Sisu, mas o site não reconheceu meu endereço de e-mail”, comenta.

 

Sem a oportunidade de fazer o curso que queria por meio do Sistema de Seleção Unificada, a jovem diz que tentará outro programa social. “Agora estou tentando o ProUni (Programa universidade para todos) porque não tenho condições de pagar faculdade, só que o método para me candidatar é o mesmo do Sisu. Se não pegarem esses hackers, eles vão fazer isso de novo”, acredita.

 

Outro caso

 

O professor de física Franco Giagio, 33 anos, costuma prestar o Enem (Exame nacional do ensino médio) com frequência para instruir os alunos da escola onde trabalha, em Ribeirão Preto (SP). Ele conta que a senha dele foi redefinida do segundo para o terceiro dia de inscrições no Sisu.

 

Franco acredita que ocorreram duas invasões na conta dele. “Depois de eu ter mudado a senha novamente, vi que havia sido jogado no curso de medicina na Universidade Federal de Goiás (UFG) como cotista, situação em que eu não me enquadro”, ressalta, o mineiro que havia se inscrito no curso de engenharia aeronáutica na Universidade Federal de Itajubá (Unifei). “No meu caso o prejuízo não foi tão grande porque eu nem ia fazer o curso, tanto é que no final eu nem optei no Sisu”, conta.

 

Ele considera o ato como uma forma de terrorismo aos alunos que se dedicam. “Não é apenas uma brincadeira de mau gosto, o que eles fizeram mudou a vida de muita gente”, desabafa. “Eu acho que deve haver apuração pelas autoridades competentes, e o Inep deve mudar esse sistema de recuperação de senha”, afirma.

 

Em nota enviada aos jornalistas na última terça-feira (31), o MEC disse que a Polícia Federal investigará os casos que forem denunciados ao órgão. Procurado pela reportagem, o Ministério ainda não respondeu os demais questionamentos feitos pela equipe do jornal.