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Casal de negócios

Administradores e donos de uma firma de cobranças com mais de 10 anos de atividade acabam de lançar uma nova empresa: uma marca de roupas femininas com vendas on-line. Conheça a receita dessa parceria

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postado em 23/04/2017 14:38

Balbina Guimarães, administradora
 
Gabriela Studart
Depois de trabalhar como diretor das áreas de crédito e comercial de uma multinacional durante 21 anos, o administrador Josué Ribeiro Guimarães, 61, resolveu apostar no empreendedorismo. Em parceira com a mulher, Balbina Guimarães, 58, também administradora, abriu, em 2006, a empresa de cobrança Emcob, localizada no Setor Comercial Sul. O negócio é mantido também com a ajuda da filha mais velha, Natasha, 31. “Fiz um acordo para sair e pensei em abrir um comércio, mas percebi que seria algo muito cansativo. Então parti para esse outro formato, que exige dedicação só de segunda a sexta-feira, sem fins de semana. Minha mulher começou a trabalhar a partir daí: antes disso, ela tomava conta da casa e das filhas”, conta o maranhense.

A união deu certo. “Sabemos separar as coisas. Na empresa, não somos o marido, a esposa e a filha: lá, cada um tem uma função. A tomada de decisões nunca é feita individualmente e, até hoje, nunca discutimos por causa de trabalho”, afirma Balbina. Com 15 funcionários, o estabelecimento administra o processo de negociação e cobrança de dívidas de cerca de 30 mil clientes inadimplentes em todo o país, a maioria de planos de saúde. “A nossa receita é definida por vários fatores, como o tamanho do atraso no pagamento da conta”, explica Josué. Esse também é o aspecto que mais determina a taxa de sucesso das cobranças. “Em atrasos de até 30 dias, nosso índice é de 70%. Entre dois e três meses, passa a ser de 10%. De seis meses para frente, é de 5%”, revela.

A maior parte dos contatos é feita por telefone, mas também são usados SMS e mensagens de voz. Os sócios são cuidadosos para não ferir a legislação que protege o consumidor. “A gente elabora o script com tudo o que cada colaborador vai falar, não somos incisivos, somos cautelosos nos horários de ligar. Além disso, todas as ligações são gravadas”, completa Josué. Durante o período de crise, em que a inadimplência aumenta, a empresa tem sido mais procurada. “No entanto, nesta época, o grau de dificuldade também sobe”, pondera Josué, que acrescenta que cobranças são sempre necessárias, então o ramo oferece oportunidades fora da recessão também.

Nova aposta
Depois de abrir a Emcob, o casal até se aventurou pelo comércio, mas os resultados não foram tão satisfatórios: Josué abriu uma loja de colchões, em parceria com um sócio, e uma de roupas, com a esposa e a filha caçula, Jéssica, 26. “A primeira até dava retorno, mas nada muito substancial, e eu queria algo que crescesse bastante, por isso, resolvi sair. Já a confecção era focada no público A, mas o ponto era um centro comercial pequeno na Asa Sul. Errei nessa escolha”, revela Josué. Depois dos aprendizados, a família acaba de investir fichas no mais novo projeto: a Belice, marca de roupas femininas para vendas na internet (acesse www.belice.com.br). O site entrou no ar há um mês. “O comércio on-line é o negócio do futuro. As pessoas não querem mais ficar rodando dentro de shopping à procura de algo se dá para achar tudo por meio de um clique, num portal intuitivo, com facilidade para pagar e receber”, justifica Balbina.

Com preços de R$ 49 a R$ 199 por peça, a marca pretende atender um público jovem, de 18 a 37 anos, das classes B e C. A escolha das roupas é feita pessoalmente por Balbina em lojas no Bom Retiro, em São Paulo. “Lá foi o lugar em que achamos melhores preço e qualidade”, explica Josué. O plano é, no futuro, contratar uma compradora para não ter de fazer tantas viagens. Por enquanto, o estoque fica na casa da família e a estratégia 
atual não é investir nas vendas. Agora, o foco é conquistar seguidores no Instagram e no Facebook — trabalho feito pela filha Natasha — para, dentro de seis meses, mudar a prioridade. “É preciso conquistar o público antes de vender”, percebe Josué.

Tino comercial
“O conhecimento acadêmico da faculdade de administração e da pós-graduação em finanças — e outras aulas que fiz ao longo da vida, como de idiomas — aliado à minha experiência na multinacional me deu a base para investir nos negócios. Para completar, meu pai sempre teve comércio”, conta Josué, que faz faculdade de gastronomia, por hobby. Essa experiência é um dos fatores que ajudaram a família a ter êxito. Somam-se a essa receita de sucesso outros aspectos, como planejamento, bom atendimento e sintonia nas ações. Balbina atribui o êxito da companhia “à visão de negócios” dos integrantes. “Todo empreendimento tem altos e baixos e, se você souber equilibrar, ajustando-se ao contexto, consegue estar no mercado sempre. Não tem muita dificuldade”, garante a cearense.