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Marinha abre vagas em saúde

Organização oferece 143 oportunidades de nível superior para médicos, dentistas, enfermeiros, farmacêuticos, fisioterapeutas, fonoaudiólogos e nutricionistas. Os salários são de R$ 9 mil

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postado em 30/04/2017 12:30 / atualizado em 01/05/2017 18:53

Arquivo Pessoal
A Diretoria de Ensino da Marinha (DensM) oferece 143 vagas de nível superior para ingresso no Corpo de Saúde da instituição (CSM-Md). Os aprovados ocuparão o cargo de primeiro-tenente com soldo de R$ 7.350 (com adicionais militar e de graduação, o salário chega a 9 mil). São 123 oportunidades para médicos (27 especialidades), 11 para cirurgiões-dentistas (nas especialidades de dentística, endodontia, odontopediatria, periodontia e prótese dentária) e 12 para profissionais de apoio à saúde (enfermagem, farmácia, fisioterapia, fonoaudiologia e nutrição). Além de curso superior na área, os interessados devem ter registro no respectivo órgão fiscalizador da profissão. O concurso é composto por prova objetiva com 50 questões. Não há matérias de conteúdos básicos, apenas específicos para cada cargo.


Após a seleção, os candidatos devem passar por inspeção de saúde, teste de aptidão física de natação (25 metros em 50 segundos para o sexo masculino e 1 minuto para o sexo feminino) e corrida (2.400  metros em 16 minutos para homens e 17 minutos para mulheres), verificação de dados biográficos, além do exame de títulos. Os aprovados e classificados na primeira fase da avaliação farão o Curso de Formação de Oficiais (CFO) no Centro de Instrução Almirante Wandenkolk (CIAW), no Rio de Janeiro, de 5 de fevereiro a 4 de abril de 2018, em regime de semi-internato (recebendo R$ 6.625 por mês).


Enfermeira formada pelas Faculdades Integradas Pitágoras de Montes Claros (FIPMoc), Lucélia Ferreira, 32 anos, aguarda com ansiedade a divulgação da data das provas. Ela sempre quis ser enfermeira na Marinha e se interessa por concursos pensando na tranquilidade e na estabilidade que eles podem trazer. O fato de serem oferecidas apenas quatro vagas em âmbito nacional para a especialidade dela a desanima um pouco. Para ter mais chances de sucesso, a enfermeira, que trabalha na Unidade Básica de Saúde do Município de Japonvar (MG), estuda seis horas por dia. “Atualmente faço aulas on-line, pois teria dificuldade em frequentar um curso presencial por causa do tempo. A rotina como enfermeira torna difícil algo presencial”, conta.

Dicas de especialistas
Marco Aurélio Corrêa, formado em odontologia pela Universidade Federal de Pernambuco (UFPE) e dono do MCA Concursos, orienta os candidatos a conferirem o site do órgão (www.marinha.mil.br) para ficarem por dentro de temas que podem ser abordados no exame. “A Marinha tem a característica de cobrar, além de assuntos atuais, informações do próprio portal. O aluno deve ficar de olho no que é publicado por lá. Dois temas inseridos na página da internet chegaram a ser usados em redações anteriores: submarino nuclear e Amazônia azul. É algo que pode se repetir neste concurso”, relata. Ele orienta dentistas a ficarem atentos ao conteúdo de patologia oral (que trata das doenças dentárias), um dos que mais caem na prova.


Fernanda Andrade Barbosa, professora da área da enfermagem e coordenadora da saúde do Gran Cursos Online, conta que achou o conteúdo do exame extenso, de modo que boa parte dele consiste no que enfermeiros aprendem na faculdade. “As provas de 2015 e de 2016 foram bem complexas. O órgão cobra muito a parte de enfermagem crítica e de enfermagem mais especializada”, diz. Enfermeira pela Universidade Federal da Bahia (UFBA) e com pós-graduação em vigilância sanitária pela Universidade Federal de Goiás (UFG), ela recomenda que quem estuda para esse concurso aproveite para fazer provas de outros órgãos militares. “É importante fazer também as provas da Aeronáutica e do Exército, pois têm conteúdos similares”, percebe.

De olho no português

O fato de a seleção ser voltada a profissionais de saúde não os exime de dominar o português. É preciso prestar atenção à correção gramatical e às regras da redação dissertativa, que deve ter no mínimo 20 linhas e no máximo 30. O concurseiro não poderá escrever com letra de forma. Mario Torres, professor de português no Curso Seleção, graduado e pós-graduado em letras pela Universidade Estadual do Rio de Janeiro (UERJ), explica que os principais critérios levados em conta na correção são coesão e coerência. “Quando a banca examinadora exige bom conhecimento e boa aplicação das palavras, isso significa que o candidato deve saber articular bem os elementos tanto gramaticais quanto de coerência dentro do texto”, diz. Segundo ele, a redação deve ser baseada em citações e trazer um equilíbrio de informações, de modo que o concurseiro consiga expor argumentos sem extremismos. “A banca não tem preconceito contra a opinião de ninguém. Tanto faz defender o aborto ou ser contra o ato, por exemplo: o que interessa é você argumentar e buscar convencer o leitor do seu ponto de vista”, comenta.

 

Passe bem / Enfermagem

Segundo Brunner, a tríade de Cushing, que pode se manifestar em pacientes com pressão intracraniana elevada, caracteriza-se por:
a) ortopneia, bradicardia e hipotensão
b) bradicardia, hipertensão e bradpnéia
c) ortopneia, taquicardia e hipotensão
d) bradicardia, hipertensão e ortopneia
e) taquicardia, hipertensão e taquipneia

Comentários:
A tríade de Cushing se relaciona com a hipertensão intracraniana grave. É composta por: hipertensão (níveis pressóricos elevados), bradicardia (baixa frequência cardíaca), alterações do ritmo respiratório (padrão respiratório irregular), traumatismo cranioencefálico (TCE) e aumento da pressão intracraniana. Uma vez que o cérebro ocupa quase a totalidade da caixa craniana e não tem para onde se expandir, suportando apenas um ligeiro aumento de volume, a acumulação de líquido de edema e/ou sangue vai ter como consequência a compressão das estruturas cerebrais. Esta situação conduz ao aumento da pressão intracraniana (PIC). Uma vez que as artérias que irrigam as estruturas nervosas também vão ser comprimidas, se a pressão sanguínea não for suficiente para vencer esse aumento da pressão intracraniana, iniciar-se-á um processo de sofrimento celular por diminuição da irrigação sanguínea e, consequentemente, diminuição do fornecimento de oxigênio e outros nutrientes. Se houver um aumento da PIC, para que a irrigação cerebral se mantenha, é necessário que a tensão arterial aumente. Assim, as vítimas de TCE tendem a apresentar valores de tensão arterial elevados, traduzindo a existência de um mecanismo que tenta manter a irrigação cerebral para contrabalançar o aumento da PIC. No TCE, a PIC suportável para que não ocorra sinais e sintomas de hipertensão intracraniana é de até 20 mmHg, mas o valor de normalidade é de até 15 mmHg.

 

O que diz o edital

Concurso público para ingresso no Corpo de Saúde da Marinha
Inscrições: até 15 de maio pelo site www.ensino.mar.mil.br; acesse os editais pelos sites goo.gl/hxJcjq (médicos), goo.gl/GhyoOi (cirurgiões-dentistas) e goo.gl/N4pRrI (profissionais de apoio à saúde)
Taxa: R$ 110
Salário:  R$ 9 mil
Vagas: 143 para médicos (123), cirurgiões-dentistas (11) e profissionais de apoio à saúde (12)
Provas: horário e data a serem definidos a partir de 30 de maio
Locais de prova: Brasília, Rio de Janeiro, Vila Velha, Salvador, Natal, Olinda (PE), Fortaleza, Belém, São Luís, Rio Grande (RS), Porto Alegre, Florianópolis, Ladário (MS), São Paulo, Manaus e Cuiabá

 

Questão da prova para ingresso no Corpo de Saúde da Marinha aplicada em 2016 para o cargo de enfermeiro comentada pela professora Fernanda Andrade Barbosa

 

*Estagiário sob a supervisão de Ana Paula Lisboa