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180 vagas no colégio da Aeronáutica

Já pensou em fazer o ensino médio numa escola militar de ponta e ainda receber um salário por isso? Essa é a possibilidade oferecida pela Escola Preparatória de Cadetes do Ar

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postado em 21/05/2017 13:55 / atualizado em 21/05/2017 13:58

Arquivo Pessoal

A Escola Preparatória de Cadetes do Ar (Epcar) seleciona jovens de 14 a 17 anos com ensino fundamental completo. Homens e, desde o ano passado, mulheres podem concorrer ao ingresso na instituição para seguir a carreira de aviador. Os aprovados estudarão os três anos do ensino médio (com aulas de conhecimentos gerais e militares) na escola da Força Aérea Brasileira (FAB), sediada em Barbacena (MG), em que estarão sujeitos a regime de internato com direito a alimentação, alojamento, fardamento, assistência médica e dentária. Os selecionados ainda recebem remuneração, que, atualmente, é de R$ 936 nos dois primeiros anos e de R$ 956 no último ano.


Nesta edição, foram ofertadas 180 vagas, sendo 160 vagas destinadas a candidatos do sexo masculino e 20, do sexo feminino. A prova é composta por 16 itens de matemática, 16 de português e 16 de inglês, além de redação. Os candidatos passam ainda por exames de saúde e psicotécnico e teste de aptidão física, com flexões, abdominais e corrida. A conclusão do ensino médio na Epcar não garante uma carreira militar: para isso, é preciso ser aprovado, posteriormente, no concurso do Curso de Formação de Oficiais Aviadores (CFOAv) da Academia da Força Aérea (AFA). Os que forem admitidos e terminarem o curso se formarão como cadetes aviadores e se tornarão, finalmente, pilotos militares.

Dicas certeiras

Segundo André Barbosa, professor de direito e coordenador do Curso Seleção, a Epcar costuma cobrar os conteúdos com profundidade, de forma bastante avançada para a faixa etária dos concorrentes. “Engana-se quem pensa que, por ser de nível fundamental, é um teste fácil. A maioria dos aprovados fez o 2º ou o 3º anos do ensino médio, pois eles geralmente têm mais facilidade e vem estudando por mais tempo”, diz. Segundo ele, para dar conta da quantidade de conteúdos, é importante planejar bem a rotina de estudos. De acordo com o coordenador, apesar do esforço exigido, os admitidos dizem que vale a pena quando estão lá dentro. “Minha filha foi aprovada no ano passado. Segundo ela, a parte física tem sido bastante puxada e o ensino também, mas ela está gostando muito”, conta. “O militarismo forma valores cívicos e cidadãos e oferece excelentes oportunidades”, elenca.


Como os classificados têm de se adaptar às restrições da vida militar e à vida confinada em quartel, André acredita que é preciso escolher fazer a prova apenas se tiver paixão pela carreira. “O maior desafio das nossas alunas admitidas foi cortar o cabelo em corte channel, obrigatório para as mulheres”, brinca. A seleção para a Epcar existe há mais de 50 anos e sempre foi elaborada pelo Departamento de Ensino da Aeronáutica (Depens), por isso existe um padrão de aplicação das questões, como observa o professor de matemática do Dínatos COC, José Júnior. “Nos últimos 15 anos, tudo tem sido muito parecido, por isso o ideal é estudar resolvendo as provas anteriores”, recomenda. O matemático acredita que é importante focar em função e em geometria para ter bom rendimento.


“O certame é muito conteudista, exige o conhecimento completo das matérias e nada fica de fora”, acrescenta. “Na hora do concurso, avalie as questões e comece pelas mais fáceis”, conclui. Geralmente, a prova da Aeronáutica traz questões contextualizadas por meio de textos de conhecimentos gerais, ligados à realidade do candidato. A gramática vem sempre associada à interpretação de texto, por isso o domínio dela é essencial. Mário Torres dá aulas de português no cursinho Seleção e percebe que, para ser aprovado, o aluno não pode estudar de maneira amadora. “Os estudantes devem prestar atenção à acentuação e à ortografia, além de se atualizarem com o novo acordo ortográfico. Em português, também sempre cai crase e concordância”, detalha. Um ponto crucial é aprender a finalizar as questões em tempo hábil. “Para passar, o candidato não pode gastar mais de três minutos por item.”

Quero passar
Aluna do 3º ano do Colégio Militar de Brasília (CMB), Isabela Emerick, 16 anos, vai fazer a prova incentivada pela escola e pela família. Faltou pouco para que ela fosse aprovada no ano passado. Agora, a jovem está esperançosa. “Não passei por uma vaga e ainda tenho idade para tentar mais vezes. Este ano, imagino que vou conseguir”, conta ela, que se divide entre o colégio e um cursinho. Colega de Isabela, Vinicius Dantas, 16, aluno do 2º ano, também está otimista. Ele atribui a confiança ao fato de ter feito cursinho. Ter resolvido muitos exercícios também contribui para isso. “Tem horas que fico cansado, mas não desanimo. Se é o que quero, tenho que tentar”, afirma. Se aprovados, ambos terão que voltar para o 1º ano do ensino médio.

Eu cheguei lá

O sonho de ser militar e o incentivo da família levaram Juraci Ferreira Bispo Júnior, 21, a começar a se preparar com foco na Epcar quando ele ainda estava no ensino fundamental. Aos 13 anos, a rotina dele envolvia colégio, cursinho e estudo numa biblioteca pública até as 22h. Juraci ingressou no 1º ano do ensino médio na Epcar aos 15 anos, em 2010. “As pessoas na faixa etária que podem concorrer ao exame da Epcar estão numa fase de descobertas, por isso, para não perder o foco, o candidato deve se manter motivado. Fazer um cursinho específico vale a pena”, diz. “É importantíssimo estabelecer e cumprir uma rotina de estudos”, recomenda. Depois de terminar a Epcar, Juraci passou para o Curso de Formação de Oficiais Aviadores e o concluiu em 2016. Hoje, é aspirante a oficial da Força Aérea Brasileira e faz três voos por semana. Ele está prestes a finalizar o curso de especialização e, em agosto, se forma como tenente, a primeira patente da FAB.

 

Passe bem/Português*Estagiário sob supervisão de Ana Paula Lisboa

 

Assinale a alternativa que não apresenta infrações no que diz respeito à regência e à concordância.
a) Grande parte das pessoas prefere lamentar do que buscar soluções para complexos problema e situação.
b) Os doutores da alegria já assistiram a 170.000 mil crianças nas UTIs, noventa por cento delas apresentou melhoras.
c) Não agrada ninguém um trabalho inacabado ou uma conta a pagar, mas encará-los como tragédia cotidiana só desencadeia o mau humor.
d) Aversões ao erro e ao ridículo são fatores favoráveis para o surgimento do mau humor.

Comentário
Essa é uma questão que exige do aluno conhecimento de sintaxe de regência. A armadilha está em apresentar frases erradas, mas que costumam ser usadas na oralidade, o que induz ao erro. A única solução é o item D. O erro do item A está na preposição: o correto seria “prefere lamentar a buscar”. No item B, falta concordância; o certo seria “noventa por cento apresentou”. No item C, faltou a preposição em “não agrada a ninguém”.

Questão do Exame de Admissão ao Curso Preparatório de Cadetes do Ar 2016/2017, comentada pelo professor Mário Torres

 

O que diz o edital

Exame de admissão ao Curso Preparatório de Cadetes do Ar
Inscrições: encerradas em 9 de maio; confira o edital pelo site ingresso.afaepcar.aer.mil.br
Vagas: 180 (160 para o sexo masculino e 20 para o sexo feminino)
Salários: R$ 936 nos dois primeiros anos e R$ 956 no terceiro
Taxa: R$ 60
Provas: 24 de julho
Locais de prova: serão divulgados até 7 de julho

 

 

 

*Estagiário sob supervisão de Ana Paula Lisboa