Conheça os primeiros colocados do vestibular da UnB

A história, os hábitos de estudo e os anseios de quatro gênios que mandaram bem na seleção da Universidade de Brasília

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postado em 17/07/2017 20:54 / atualizado em 18/07/2017 19:08

 

Conseguir uma vaga numa instituição de ensino superior federal cobiçada como a Universidade de Brasília (UnB) é um desafio e tanto, o que dizer, então, de passar com as melhores notas da seleção. O resultado do vestibular de 2017 da universidade foi divulgado na tarde desta segunda-feira (17) e 2.379 pessoas foram aprovadas. Entre elas, há algumas que se destacam pelo bom desempenho.

Campeão do vestibular

 

Lanna Silveira

Emilton Brito de Souza é o primeiro colocado geral do vestibular da Universidade de Brasília (UnB), com argumento final de 513.405 pontos. Ele conseguiu 20 pontos na prova de língua estrangeira (inglês); em linguagens e ciências humanas, tirou 98,583 pontos; em ciências exatas e naturais, 140,333 pontos; por fim, em redação, conseguiu 9,724 pontos. O carioca tem 27 anos e foi classificado para o curso de engenharias do câmpus Gama. Antes disso, ele chegou a começar os cursos de administração, matemática, direito, medicina (em 2014 e em 2016) e engenharia mecatrônica na UnB, sem nunca concluir nenhum.

 

“Ano passado, eu sabia que queria engenharia, mas, como eu tinha nota suficiente para medicina, optei por ela. Só que, por ter sido chamado para assumir no concurso do Banco Central, ficou difícil conciliar a graduação e o trabalho. Aí, larguei a curso. Hoje eu consegui entrar para o que eu realmente quero", garante. “Decidi entrar no curso de engenharias para ter mais opções de escolha (posso escolher entre engenharia aeroespacial, automotiva, de energia, eletrônica e de software)”, conta. Mas as ambições dele não acabam por aí: Emilton deseja fazer também um curso de direito. "Vou tentar conseguir uma bolsa em uma faculdade particular para estudar à noite e conciliar com o curso do Gama."

 

Ele mora na Asa Norte e atribui a boa colocação ao serviço voluntário que fez ao longo do semestre como professor no Galt, curso pré-vestibular voltado para alunos de baixa renda. Emilton passava de duas a seis horas diárias se dedicando ao projeto e gastava 20 horas semanais com uma espécie de afilhada que tinha no cursinho, para quem dava aulas individuais. O esforço deu resultado: a jovem foi aprovada para odontologia no mesmo vestibular. “Estudei ensinando para a galera”, confessa.


Técnico administrativo do Banco Central, Emilton ia ao trabalho de madrugada para se dedicar ao Galt durante o dia. Ele fez o vestibular da UnB tantas vezes que não sabe precisar a quantidade exata. No início do ano, passou para engenharia mecatrônica pelo Sistema de Seleção Unificado (Sisu). Frequentou a aulas por apenas um mês, quando decidiu largar e tentar passar para engenharias. Apesar de ter concluído o ensino médio em escola pública em 2007, o professor competiu no sistema universal. Ele fez parte do ensino médio no Colégio Militar de Brasília (UnB) e terminou a educação básica no Centro Educacional Gisno. “Por ter faltado muito, reprovei o 3º ano e tive que refazer no Gisno”, diz.


Sobre os seus anseios para o futuro ele conta: “O que eu quero mesmo é ganhar o mundo! Quero me envolver em projetos cativantes e desafiadores, em que eu possa aplicar o meu conhecimento e viajar muito”, anseia. O futuro engenheiro dá dicas para se dar bem no vestibular: “O mais importante é refazer as provas anteriores, pois muitas questões se repetem. É preciso sentar e estudar até criar essa disciplina. Você vai ter que ralar muito; focar no básico de matemática. Para quem está começando, é bom ter um bom material didático.” Para quem quer passar no vestibular, ele deixa uma dica final: “entrar no Galt é sucesso!”.

Fera da medicina

Lanna Silveira
 

Lanna Silveira
Augusto César, 19, é o primeiro colocado do vestibular da UnB no câmpus Darcy Ribeiro. Ele passou para medicina e, na tarde desta segunda, compareceu à universidade para comemorar. O argumento final de Augusto foi 479,03 pontos; com 22 pontos em linguagens; 95,583, em linguagens e ciências humanas; 138 pontos em ciências exatas e naturais; e 6,599 em redação.


Os pais dele — uma nutricionista e um professor de educação física — são servidores da Secretaria de Educação. Antes de decidir se tornar médico, tinha passado em física pelo Programa de Avaliação Seriada (PAS), subprograma 2013-2015, mas largou o curso depois de não se identificar com ele. Morador de Águas Claras, Augusto fez o cursinho preparatório Único para tentar uma nova oportunidade de entrar na universidade.


“Estou muito feliz, é surreal porque eu não sabia se tinha passado. Quando vi que passei em primeiro (no curso e no câmpus), me surpreendi”, conta o ex-aluno do Centro Educacional Sigma. “Minha rotina era levantar às 6h para ir para a escola. Eu chegava a casa e assistia ao jornal para depois estudar até meia-noite. Com um mês nessa rotina, fiquei exausto e fui reduzindo o horário. Houve semanas em que pensei em abandonar o cursinho e apenas estudar em casa”, recorda.


A dica que ele dá para quem quer passar em medicina é revisar bastante o conteúdo da prova e não se desesperar. Por ser adventista do sétimo dia, ele descansava em parte da sexta-feira e no sábado. “Você precisa entender que não é de ferro, então descanse um pouco e não se mate de estudar”, conclui.

Craque de Ceilândia

Lanna Silveira
 

Luciano de Sousa Trindade, 26 anos, natural de Caxias (MA), foi o primeiro colocado do câmpus Ceilândia. Graduado em nutrição pela UnB, ele passou para estudar fisioterapia. Com argumento final de 231,410 pontos; Luciano obteve 73,582 pontos em ciências exatas e naturais, 79,541 em linguagens e ciências humanas, 19 pontos em língua estrangeira (inglês), 7,332 na redação. “Eu não esperava essa classificação”, admite o morador da Asa Norte. Depois de exercer a profissão de nutricionista por alguns anos, ele decidiu mudar de área. A trajetória até a aprovação foi trabalhosa, estudando sete horas por dia. Para dar conta do recado, ele dividia as matérias por horários específicos (duas horas para exatas, duas para português, uma para humanas e duas revisão de conteúdos).


“Eu ainda priorizei as matérias de exatas que têm grande peso”, conta. “As pessoas têm que estudar mais as matérias que são seus pontos fracos. Também é muito bom estudar a resolução de provas passadas”, comenta. Depois de formado, Luciano sabe o que quer fazer. “Pretendo trabalhar de acordo com conteúdos da Escola de Osteopatia de Madrid, mais precisamente com tratamentos que utilizam manipulação corporal (reeducação da postura corporal, que ao longo do tempo vai ficando deformada, um exemplo de deformação é ficar sentado muito tempo em frente ao computador com a postura errada)”, afirma ele, que estudou no Colégio São Francisco de Sales, escola particular no Maranhão.

Ele quer ir para o ITA

Arquivo pessoal
Arthur Queiroz, 17 anos, teve a terceira melhor nota do câmpus Darcy Ribeiro e foi aprovado para medicina. Apesar de o curso ser cobiçado, o jovem não vai se matricular. “Eu estou me preparando para o vestibular do ITA (Instituto Tecnológico de Aeronáutica), que é muito difícil, então fiz o da UnB só como teste mesmo, porque quero estudar engenharia aeronáutica ou aeroespacial", revela. O morador de Riacho Fundo I chegou a passar em engenharias no Programa de Avaliação Seriada (PAS) da UnB, mas também não começou o curso em busca do sonho de estudar no ITA. “Eu gosto muito da área de exatas, tenho mais facilidade com física, por isso escolhi esse curso.”


Ele teve bolsa de 50% no Colégio Leonardo da Vinci nos dois primeiros anos do ensino médio; no ano passado, o último, ele não conseguiu nota suficiente no concurso de bolsas. Os pais de Arthur são professores de alfabetização da Secretaria de Educação. "Estou fazendo cursinho no Pódion e estou estudando praticamente o dia inteiro", diz. A aprovação em medicina o motiva a estudar ainda mais para o ITA. “Fiquei um tanto surpreso porque achei que não tinha ido bem na prova. Quando terminou o tempo, eu ainda nem tinha feito todas as questões de tipo D”, lembra.


No vestibular da UnB, Arthur conseguiu um argumento final de 457.620 pontos. Ele obteve 130,625 pontos na prova de ciências exatas e naturais; 84.666 pontos, na avaliação de linguagens e humanas; 24 pontos na prova de língua estrangeira (inglês); e 9.630, na redação. A maior dificuldade para ele foi a matéria de gramática. "Não gosto tanto dessa disciplina, então é um pouco mais difícil", conta. "Eu estou bem satisfeito com o resultado. Para quem está tentando, eu digo que é importante ter uma rotina de estudos: não é se acabar de estudar, mas se preparar bem", afirma.

 

*Estagiários sob a supervisão de Ana Paula Lisboa