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Chances cobiçadas em tribunais fora do DF

A iminência de certames em instituições municipais e estaduais desperta atenção de brasilienses. Mas será que vale a pena deixar a capital dos concursos por isso? Confira dicas de especialistas para se decidir

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postado em 24/12/2017 15:20 / atualizado em 29/12/2017 19:44

Arquivo Pessoal

 

 

Em época de seca de concursos federais e do Governo de Brasília, certames de tribunais estaduais e municipais atraem brasilienses que sonham em se tornar servidores públicos. Salários atrativos que podem chegar a quase R$ 30 mil, a busca por menor concorrência e o desejo de acelerar a conquista da vaga no serviço público fazem das cortes de Justiça, eleitoral ou de contas instituições almejadas, ainda que isso signifique deixar para trás a capital federal. A independência financeira e a estabilidade, no entanto, se tornam mais importantes que a localização, já que a pessoa ficará, em muitos casos, longe de amigos e familiares e precisará se aventurar num espaço desconhecido. A escolha pode gerar incertezas — há inclusive quem tenha passado numa boa seleção, mas não soube lidar com a distância e acabou desistindo da vaga. A decisão precisa ser bem pensada para não gerar arrependimentos. Antes de fazer a escolha pelo serviço público em outro estado, o planejamento é fundamental.



Engana-se, porém, quem acha que isso se resume ao aspecto financeiro. A mudança de cidade envolve uma análise mais ampla, conforme explica a coach e especialista em transição de carreira Ana Slaviero. “É preciso perguntar a si mesmo: ‘Esse concurso tem a ver com a área da expertise que tenho?’. Às vezes, aquilo está muito distante do que você gosta ou sabe fazer”, comenta. “Se o candidato tem um perfil que gosta de estar em movimento, é dinâmico e a função que você escolheu não te permite isso, lá pela frente, sentirá frustração, vazio existencial, desânimo, cansaço”, complementa. Seguir com a própria escolha sem depender de outros é mais fácil para solteiros. Os casados e com filhos, contudo, passam por apertos quando não encontram apoio dos parceiros.

“Se isso vai te trazer muitas situações de conflitos, você tem de repensar. Se puder aliar a estrutura profissional com a relacional, será ótimo.” Ela mesma passou por mudança drástica na vida: foi freira por 20 anos. Para se adaptar a contexto diferente, Ana Slaviero ensina que o segredo é mergulhar na nova realidade. “Busque conhecer aquela cultura e conversar com pessoas que vivenciaram essa experiência. Quando estiver na nova cidade, é preciso estabelecer novos contatos para não se sentir sozinho.”

Bancas são desafio
Aos ouvidos de Carlos André Pereira, professor de língua portuguesa e redação jurídica no Cers Cursos On-line (Centro de Ensino Renato Saraiva), soa estranho trocar o DF por um estado da Federação. “Seria uma decisão inesperada, pois Brasília é, além da capital federal, a capital dos concursos”, justifica. Carlos André afirma que optar por uma mudança de cidade a fim de buscar uma concorrência menor não é tão simples. “Dizem ‘ah, vou fazer em outro local porque é mais fácil de passar’, mas todo o processo pode trazer mais complicações, como lidar com banca com a qual não está acostumado, o que traz enorme insegurança”, diz. “Afinal, só passa em concurso público quem conhece a examinadora. Não é nem quem sabe da matéria”, justifica.

“O candidato que presta concurso em Brasília, geralmente, faz prova do Cespe/Cebraspe (Centro Brasileiro de Pesquisa em Avaliação e Seleção e de Promoção de Eventos) ou do Serpro. Isso dá a ele uma segurança maior. Em outros tribunais, as bancas, geralmente, são estaduais, diferente dos tribunais federais, os TJs de outros estados costumam ter instituições organizadoras regionais”, acrescenta. De acordo com o professor, a preparação dos estudantes que prestam concurso para tribunais de diversos estados deve ser mais ampla, com direcionamento dos estudos apenas na reta final. “Procure seguir esses passos: fazer um estudo mais generalista inicialmente e, nos últimos meses, um específico de resolução de provas da banca.”

Caminho inverso
A história de Vitor Amaral, 31 anos, é cheia de reviravoltas. Natural de Novo Horizontino (SP), o paulista viveu por sete anos na capital federal após ser aprovado para a Força Aérea Brasileira (FAB). Graduado em jornalismo e relações-públicas, deixou a família para trabalhar aqui. Voltar para perto dos pais e do irmão e o fim do contrato com a FAB o  impulsionaram a retomar os estudos. “Comecei a fazer uma varredura nos concursos e vi que tinha uma perspectiva de tribunais, até que abriu o regional eleitoral de São Paulo. Foram cinco meses de foco total, estudava à noite e, aos fins de semana, completava os estudos. Fiz meio que o caminho inverso”, relata.

Com uma foto ao lado dos pais e do irmão sobre a mesa de estudos, o plano foi traçado. Aprovado na única vaga para a área de relações públicas do órgão, Vitor está mais próximo da casa dos pais, mas deixou gente querida em Brasília. “Tinha muitos amigos lá, acaba que se perde muita coisa”, lamenta. Adaptado ao novo endereço e experiente quando a questão é mudança de estado, o agora analista judiciário deixa um conselho àqueles que desejam se adequar mais rapidamente a um novo ambiente. “Para onde você for, tem que considerar lá a sua casa porque quanto mais você mencionar o lugar onde vivia, mais dificuldade terá para se adaptar. É preciso se desvincular”, conclui.

*Estagiário sob supervisão de Ana Paula Lisboa




Direito administrativo / Dicas para passar
Professor de direito administrativo no Estratégia Concursos, área recorrente nos concursos para tribunais, Erick Alves dá orientações aos candidatos. “Não pode ser muito generalista, tem que focar em uma área: tribunal judiciário, fiscal ou de controle. Uma vez que escolhe um foco, os conteúdos dos concursos não variam tanto, mesmo em locais diferentes.” Segundo ele, a resolução de provas é fundamental para se conhecer a banca organizadora do certame. O professor elenca, a seguir, os conteúdos mais exigidos de maneira geral para os tribunais de justiça: improbidade administrativa; licitações; regime jurídico dos servidores, sobretudo a Lei de nº 822; atos administrativos.




Tribunais estaduais

CONCURSOS ABERTOS

Tribunal de Justiça de Alagoas (TJ/AL)

Inscrições pelo site www.fgv.br/fgvprojetos/concursos/tjal de 8 de janeiro a 15 de fevereiro de 2018, com 100 vagas para técnico judiciário (ensino médio), 15 para analista judiciário - área oficial de justiça, 15 para analista judiciário - área judiciária e uma para analista judiciário - área de estatística (ensino superior). Salário: entre R$ 2.550,95 e R$ 5.101,92. Edital: não disponível.

Tribunal de Justiça do Rio Grande do Sul (TJ/RS) I - Santa Vitória do Palmar
Inscrições presenciais abertas entre 8 e 15 de janeiro de 2018 na sede do Fórum de Santa Vitória do Palmar, localizado na Rua Dom Diogo de Souza, nº 1255, 3º andar o Juizado Especial Cível. Há duas vagas para o cargo de conciliador cível e duas vagas para o cargo de juiz leigo. Salário: não informado. Edital: goo.gl/v2ogyV.

Tribunal de Justiça do Rio Grande do ul (TJ/RS) II - Erechim
Inscrições presenciais abertas entre 10 e 19 de janeiro de 2018 na sede do Fórum da Comarca de Erechim, situado na Rua Clementina Rossi, nº 129, bairro Bela Vista, no Juizado Especial Criminal, com duas vagas para o cargo de conciliador criminal. Salário: não informado.
Edital: goo.gl/zjk1DC.

Tribunal de Justiça de Mato Grosso (TJ/MT)
I - Comarca de Colíder
Inscrições presenciais abertas entre 8 e 22 de janeiro de 2018 no Fórum da Comarca de Colíder - Diretoria do Foro. Há uma vaga para juiz leigo.
Salário:
R$ 4.871,67.
Edital: goo.gl/pEF7mP  (página 723).

Tribunal de Justiça de Mato Grosso (TJ/MT)
II - Comarca de Campo Novo do Parecis
Inscrições presenciais abertas entre 10 e 30 de janeiro de 2018 no Edifício do Fórum que fica localizado na Avenida Rio Grande do Sul, 731-NE no Centro. Uma vaga para a área de psicologia. Salário: não divulgado. Edital: goo.gl/idzPnF (página 277).

Tribunal de Justiça de Santa Catarina (TJ/SC)
Inscrições abertas até 25 de janeiro de 2018 pelo site www.vunesp.com.br. Há 60 vagas para juiz leigo indenizado.
Salário: R$ 3.984. Edital: goo.gl/Tz8Rg4.

Tribunal de Justiça do Estado de São Paulo (TJ/SP)
Inscrições abertas entre 9 de janeiro e 14 de fevereiro de 2018 pelo site www.vunesp.com.br, com 235 vagas para escrevente técnico judiciário. Salário: R$ 4.706,53.
Edital: goo.gl/FzV9Br.

Tribunal de Justiça do Estado  Amazonas (TJ/AM)
Inscrições pelos sites www.tjam.jus.br ou www.cartorio.tjam2017.ieses.org de 15 de janeiro até 2 de março de 2018. Há 51 vagas para serviços notariais e de registros.
Salário: não informado. Edital: goo.gl/rR5Erf.


CONCURSOS PREVISTOS

Tribunal de Justiça do Estado do Ceará (TJ/CE)

A banca organizadora está definida. É o Instituto de Estudos Superiores do Extremo Sul de Santa Catarina (Ieses). A previsão é de o edital seja aberto com 271 vagas para serviços notariais e de registros.

Tribunal de Justiça de Santa Catarina (TJ/SC)
Segundo documento de licitação da banca contratada, a Fundação Getulio Vargas (FGV), serão abertas  26 vagas para as áreas de técnico judiciário auxiliar, analista administrativo, analista jurídico, oficial de justiça e avaliador, oficial da infância e juventude, arquiteto, engenheiro eletricista, engenheiro civil e enfermeiro, além de formação de cadastro de reserva. A posição de técnico exige ensino médio; as demais são para ensino superior. Salários: entre R$ 3.317,51 e R$ 5.710,74. Informações: portal.fgv.br e www.tjsc.jus.br.

 

 

* Estagiário sob supervisão de Ana Paula Lisboa