Primeiros colocados do PAS ressaltam importância de prestar atenção à aula

Três estudantes que obtiveram algumas das melhores notas no somatório das três etapas do programa revelam seus métodos de estudo

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postado em 26/01/2018 21:49 / atualizado em 01/02/2018 13:40

Horas e horas de estudo, saber equilibrar lazer e dedicação, não se cobrar demais ou, pelo contrário, exigir de si mesmo a superação de todos os limites… Cada resultado positivo tem uma história diferente por trás. Nesta sexta-feira (26), foram conhecidos os nomes dos estudantes que conquistaram uma vaga na Universidade de Brasília (UnB) por meio Programa de Avaliação Seriada (PAS). Para ter sucesso nesse sistema, é preciso ter bom desempenho durante os três anos do ensino médio, já que, a cada série, a pessoa faz uma prova no fim do ano. O primeiro colocado do câmpus Darcy Ribeiro é de Minas Gerais, mas não teve o nome divulgado pelo Centro Brasileiro de Pesquisa em Avaliação e Seleção e de Promoção de Eventos (Cebraspe, antigo Cespe). Outros dos campeões desta edição do PAS são do DF e foram entrevistados pelo Eu, Estudante. Confira as histórias deles:

O 2º lugar do Darcy Ribeiro deixou medicina por psicologia

Foi de Felipe Seda, 18 anos, a segunda melhor pontuação do PAS no câmpus Darcy Ribeiro. Ele passou em psicologia e se surpreendeu com a notícia de que tinha conquistado uma posição tão boa na lista de selecionados. Os resultados nas etapas anteriores haviam sido bons (79,6 e 64,3 pontos, respectivamente), mas o ótimo desempenho na terceira fase, com uma incrível pontuação de 83,3 fez a expectativa pela aprovação aumentar. A confirmação veio na tarde desta sexta-feira, quando conferiu o resultado pela internet. “Quando recebi o resultado de desempenho individual na segunda-feira, não dava pra ter noção das notas das outras pessoas. Eu sabia que eu tinha tido um bom desempenho, estava com uma grande expectativa, mas estou surpreso com a colocação”, conta.


Ex-aluno do Centro Educacional Sigma, o jovem não fez cursinho preparatório e teve uma rotina inteiramente baseada no estudo em casa — cerca de quatro horas e meia por dia além do tempo dedicado à escola. A receita para o sucesso de Felipe não se encontra em um tempo dedicado especificamente para o PAS, mas em algo que muitos alunos acabam deixando de lado: a atenção às aulas. “Meus amigos me procuravam perguntando como eu fazia para estudar e eu sempre dizia que esse é o primeiro passo.” O foco do novo calouro de psicologia nos estudos contrasta com a indecisão nos meses que antecederam a prova. Escolher qual curso fazer foi difícil: ele ficou em medicina e chegou a cogitar medicina. A mãe, psicóloga, aconselhou o filho a fazer medicina e, com as notas obtidas, ele, certamente, teria sido selecionado, mas a decisão de Felipe se deu por uma série de fatores.

“Eu não queria curso de exatas, mas também não queria algo 100% de humanas. Quero trabalhar com, pesquisa, experimentos. A psicologia é teórica, mas é uma ciência e eu me encontrei nela”, diz Felipe, cujo pai é militar. Aprovado com louvor no Programa de Avaliação Seriada, o jovem deixa dicas para quem deseja seguir os passos dele. “Quem for começar a fazer o PAS agora, deve começar a se dedicar o quanto antes. Existe uma ideia errada de que a primeira e a segunda etapa não valem tanto, mas elas fazem a diferença.” Caso a pontuação nas fases iniciais não venha a contento, a dica é se reerguer — como fez Felipe, que conseguiu pontuação bem mais alta na última etapa por ter se esforçado bem mais no 3º ano do ensino médio.

 

A 1ª colocada de Ceilândia vai estudar enfermagem

O primeiro lugar no câmpus Ceilândia pertence a Aime Stefany, 17 anos. Consciente desde o ensino fundamental da importância de se dedicar para conseguir uma vaga na UnB pelo PAS, ela será caloura do curso de enfermagem e colhe os frutos do empenho desde cedo. “A dedicação não veio apenas com o ensino médio. Quando eu cheguei, todos os professores frisavam que a primeira etapa era mais importante. Negligenciar ela seria estragar uma boa oportunidade”, analisa. “Prestar atenção nas aulas era o que me fazia aprender as matérias com facilidade”, relata. “Isso faz muita diferença.” Filha de um técnico em administração e de uma professora, Aime sempre gostou muito da área de saúde.


A inclinação da família paterna pelas ciências biológicas — avô, pai e tio são graduados em biologia — chegou a fazê-la cogitar esse ramo. Ela também pensou em fazer medicina. Porém, objetivos profissional e pessoais fizeram a jovem escolher a enfermagem. “Gosto muito de cuidar das pessoas, de dar assistência. Esse curso cumprirá bem o que eu quero não apenas para o trabalho, mas para minha realização pessoal”. Aime tirou 52 pontos na primeira etapa; 52, na segunda; e 58 na terceira. Ex-aluna do Claretiano- Centro Educacional Stella Maris, a moradora de Taguatinga Norte usava o horário contrário às aulas para estudar especificamente para os vestibulares que faria, aproveitando o conteúdo recebido em sala de aula com o máximo de exercícios da UnB. Com a experiência de alguém que, desde muito nova se importou com o PAS, a estudante aconselha aqueles que passarão por cada etapa, individualmente.

“Para quem está na primeira etapa: priorize o PAS. Não é apenas o colégio que está em jogo, mas o futuro profissional. Quem não se sair bem nessa fase deve se persistir. Para os que estão no 3º ano, o segredo é ralar e estudar o máximo que der, sem se deixar influenciar pela perspectiva de emprego ou quanto vai ganhar na hora de escolher qual curso fazer”, orienta. Aime contou com a ajuda do cursinho on-line Descomplica. Para ela, fez diferença prestar atenção à parte de exatas da prova. “Mas não se restrinja a cada matéria especificamente e pense em como um assunto pode ser explorado: a interdisciplinaridade é muito forte.”

 

O 2º colocado do câmpus Gama mira o ITA

Thiago Lobo Ferreira, 17 anos, mora na Asa Norte e foi o segundo colocado entre os aprovados para o câmpus Gama. Assim como o segundo colocado do Darcy Ribeiro, ele nunca fez cursinho e conta que prestar atenção às aulas é o segredo para o bom desempenho. Aprovado para engenharias, ele pretende se habilitar em engenharia eletrônica. O destaque entre os selecionados foi uma surpresa. “Eu esperava passar, mas não nessa colocação. Confirmei que eu fiz um ensino médio de qualidade. Além disso, bons resultados são sempre bem-vindos”, conta ele, que concluiu os estudos no Colégio Pódion.

As notas dele nas três etapas foram, respectivamente, 84, 69 e 53 pontos. Apesar de ter passado na UnB, os planos para o futuro são outros. “Quero estudar engenharia eletrônica no Instituto Tecnológico de Aeronáutica (ITA) e completar a formação na França. Por isso, não vou me matricular na Universidade de Brasília”, afirma. De acordo com Thiago, ele não estudou e também nunca fez cursinho para fazer a prova do PAS. “Eu só prestava atenção às aulas e fazia inglês às terças e quintas-feiras na época do ensino médio”, lembra. A dica dele para quem deseja ter bom desempenho em seleções como essa é revisar provas anteriores. A mãe de Thiago é cirurgiã dentista e professora aposentada e o pai, analista judiciário do Tribunal de Justiça do Distrito Federal e Territórios (TJDFT).

 

*Estagiários sob a supervisão da subeditora Ana Paula Lisboa

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