Censo 2010

População leva até duas horas no trajeto de casa ao trabalho

Levantamento foi realizado pelo IBGE em 2010 entre a população das grandes cidades. Especialistas recomendam mais investimento em transporte público

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postado em 29/04/2012 08:00

Grasielle Castro /Correio Braziliense

Fábio Alquimi chega a levar duas horas no caminho de Valparaíso para o Setor Comercial Sul. Para ele, o ideal seria ter mais opções de transporte O crescimento das cidades tem refletido no tempo que as pessoas demoram para ir de casa ao trabalho. O Censo 2010, realizado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), perguntou aos brasileiros, pela primeira vez, o quanto demora esse percurso e descobriu que, para 52,2% da população, ele leva em média de seis a 30 minutos. Quem vive em unidades da Federação mais desenvolvidas e populosas, porém, costuma levar, em média, até uma hora. É o caso de cariocas, paulistas e brasilienses. Os dados não surpreendem os pesquisadores do instituto. Segundo a coordenadora de geografia, Maria Luísa Castello Branco, foi verificado no Brasil um fenômeno que ocorre em áreas metropolitanas de todo o mundo. %u201CMais pessoas se deslocando, levando mais tempo%u201D, resumiu. Segundo ela, esse resultado era previsto porque geralmente quem mora em um município pequeno trabalha perto de casa e leva até cinco minutos para fazer o trajeto. %u201CNas grandes cidades, as pessoas levam até mais de duas horas. Em São Paulo e no Rio (de Janeiro), por exemplo, que são densamente ocupados, o longo tempo de deslocamento é muito comum%u201D, ressaltou. Nos dois estados do Sudeste, a locomoção de até duas horas atinge 428 mil (16,8% da população) e 229 mil (23,1%), respectivamente. A expectativa da pesquisadora do IBGE é de que, com os dados em mãos, os gestores consigam trabalhar melhor a questão do transporte público. %u201CA informação nova é um indicativo para que se repense a questão da mobilidade urbana%u201D, explica. Essa também é a esperança do técnico em prótese dentária Fábio Alquimi, 32 anos. Todos os dias ele pega um ônibus de Valparaíso para o Setor Comercial Sul. %u201CChego a ficar até duas horas no caminho, mas a média é de 1 hora e 20 minutos. O problema é que, sinceramente, eu não vejo como melhorar de imediato. A única saída seria investir mais em transporte público de qualidade%u201D, sugere. Enquanto a situação não muda, Fábio adapta sua rotina ao horário do transporte para perder menos tempo. %u201CJá sei que horas o ônibus vai passar, então, chego na parada uns cinco minutos antes. Mas, se eu me atraso, tenho que mudar tudo porque o outro demora muito a passar%u201D, conta. Para ele, uma alternativa para desafogar o trânsito seria uma maior variedade de transportes públicos. A especialista em mobilidade urbana e em educação da Universidade de Brasília (UnB) Maria Rosa Magalhães também aposta no investimento em mais opções, como metrôs e trens urbanos. Segundo ela, a deficiência na variedade é, inclusive, um dos motivos para que o tempo gasto na locomoção seja grande. Na lista de problemas apontados por Maria Rosa está a falta de integração entre os serviços, o alto custo do transporte público e a sua ineficiência. %u201CNão existe nenhum cartão mensal ou semanal com tarifa única. Não há integração física entre as linhas. Além disso, é mais barato colocar um litro de gasolina no carro do que pegar dois ônibus. As pessoas precisam de transporte bom, barato e eficiente e não temos nada disso%u201D, argumenta. Segundo ela, um dos passos mais importantes para que a cultura de mobilidade comece a mudar é fazer com que o transporte público seja mais atrativo que o automóvel. %u201CPara chegar a esse patamar, ele precisa levar as pessoas a todos os lugares, ser confortável, pontual e ter um custo-benefício razoável%u201D, elenca. Entre as primeiras medidas que poderiam ser adotadas está o investimento em mais linhas de metrô e ciclovias. %u201CEm algumas cidades, como Brasília, se nada for feito, será criada uma nova São Paulo com a média de 8km por hora de trânsito parado nas horas de pico%u201D, prevê. Legado da Copa Uma das oportunidades que o Brasil tem pela frente para mudar o cenário da mobilidade urbana e facilitar a vida dos brasileiros é o pacote de obras de preparação para receber a Copa do Mundo de 2014. Embora um recente levantamento da Comissão de Desenvolvimento Urbano (CDU) da Câmara dos Deputados tenha apontado que apenas 5% do montante destinado a essas obras tenha sido executado até o momento, o presidente do Sindicato da Arquitetura e da Engenharia (Sinaenco), José Roberto Bernasconi, acredita que o legado chegará, mesmo que depois do evento. Segundo ele, essas mudanças vão aparecer em pelo menos 10 anos e, apesar da demora, se não fosse a Copa, talvez os projetos nem tivessem sido elaborados. Mortalidade infantil Nos últimos dez anos, o número de óbitos de crianças menores de 1 ano passou de 29,7 para 15,6 em cada mil nascidas vivas, uma queda de 47,6%. Apesar de ainda apresentar o índice mais elevado do país, o Nordeste registrou a diminuição mais expressiva da mortalidade infantil no país, passando de 44,7 para 18,5 óbitos para cada mil crianças. O menor índice é o do Sul, com média de 12,6 mortes. De acordo com o órgão, políticas de medicina preventiva, curativa, saneamento básico, programas de saúde materna e infantil, valorização do salário mínimo e programas de transferência de renda influenciaram a queda.
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