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Correio Braziliense

Apoio na volta ao Brasil

Quem tenta a vida em outro país e resolve regressar à terra natal encontra, muitas vezes, dificuldades para se reinserir no mercado de trabalho. Há entidades que oferecem ajuda aos retornados

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postado em 26/06/2012 08:00 / atualizado em 13/08/2012 17:36

Longa espera: Andreza sofreu com o desemprego na Espanha. E, em Brasília, teve de esperar um ano até conseguir uma colocação (Monique Renne/CB/D.A Press) Longa espera: Andreza sofreu com o desemprego na Espanha. E, em Brasília, teve de esperar um ano até conseguir uma colocação Eles deixaram o Brasil em busca de oportunidades, sonhos e desafios. Mas, por motivos diversos %u2014 que vão da crise econômica à saudade da família %u2014, decidiram voltar. Cada vez mais numerosos, os brasileiros com esse tipo de perfil são chamados de retornados. Uma das dificuldades de quem regressa à terra natal passa pela reinserção no mercado de trabalho. Afastadas da realidade profissional local, essas pessoas se desacostumam da cultura corporativa e, por vezes, não se adaptam às exigências feitas do lado de cá. Para atender à demanda dos brasileiros que estão nessa situação, o Ministério do Trabalho e Emprego (MTE) criou, em 2011, o Núcleo de Informação e Apoio a Trabalhadores Retornados do Exterior (Niatre). Com 1.628 atendimentos realizados até março deste ano, o núcleo oferece suporte e capacitação na área profissional. De acordo com Reimei Yoshioka, presidente do Niatre, o primeiro passo dado por 59% dos retornados que buscam ajuda é com relação a informações de trabalho e emprego. Outra demanda se refere a documentação. Dos que procuram o centro, 9,8% buscam auxílio para atualizar seus papéis oficiais %u2014 muitos não possuem sequer Carteira de Trabalho. %u201CDepois que cuidamos das questões burocráticas, tratamos de dar apoio no que concerne à capacitação dessas pessoas%u201D, explica Yoshioka. No núcleo, palestras sobre empreendedorismo e desenvolvimento profissional orientam quem ficou longe por muito tempo. %u201CAs pessoas chegam defasadas e, às vezes, têm de começar do zero, pois a função que elas exerciam no exterior não dá retorno financeiro aqui.%u201D Dos casos recebidos pelo Niatre, 94,65% são de pessoas vindas do Japão. Mesmo com o número expressivo de pessoas que chegam do lado asiático, a direção do Niatre garante que o auxílio está garantido a quem retorna de qualquer país. %u201CComo estamos em São Paulo, é natural que os migrantes do Japão sejam maioria. Mas estamos abertos a todos que precisam de ajuda relacionada a trabalho e emprego%u201D, afirma Yoshioka. Ainda segundo ele, 70% das pessoas que procuraram o núcleo entre 2011 e 2012 já estão empregadas. Em busca do eldorado Além da crise econômica que afetou diversos países, o retorno ao Brasil foi impulsionado pela boa situação do país no cenário internacional. %u201CAs pessoas ficam sabendo que na terra natal existe um verdadeiro paraíso. Mas, quando chegam, encontram uma situação diferente%u201D, diz o pesquisador Carlos Alberto Dias, da Universidade Vale do Rio Doce (Univale), de Minas Gerais. Autor de um estudo sobre o impacto do retorno dos emigrantes em Governador Valadares (MG), Dias afirma que a ilusão sobre grandes oportunidades profissionais no país é um dos fatores responsáveis pela frustração vivida por determinadas pessoas. %u201CAlém de encontrar tudo mudado, quem retorna precisa lidar com um mercado de trabalho competitivo.%u201D Foi o que aconteceu com a pedagoga brasiliense Andreza Gonçalves, 36 anos. Determinada a realizar o sonho de morar na Espanha, ela se mudou para Barcelona em 2005, onde trabalhou como administradora de um restaurante e gerenciou uma empresa de serviços gerais. Depois de seis anos morando no país %u2014 e de ter obtido visto permanente %u2014, Andreza se viu desempregada e decidiu deixar a cidade catalã. %u201CMinha filha nasceu e, após dois anos sem trabalho, achei que era hora de voltar, mas não foi fácil%u201D, conta. Em Brasília, mesmo fluente em espanhol, ela ficou um ano sem qualquer ocupação. %u201CHouve dias em que cheguei a mandar meu currículo para mais de 20 lugares sem obter resposta%u201D, lembra. Andreza acredita que os principais empecilhos na hora de encontrar um emprego foram a idade e a falta de cursos de pós-graduação no currículo. %u201CMuitos amigos e familiares que ficaram aqui avançaram nos estudos, fizeram um MBA ou um mestrado. Eu sinto que isso me deixava em desvantagem.%u201D Hoje, Andreza trabalha como terceirizada no Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) e estuda para o concurso do Ministério de Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI). Para o pesquisador da Univale, a questão da reinserção dos profissionais passa também por uma autocrítica. %u201CA pessoa tem de avaliar quais são as suas competências e entender o que o mercado está pedindo.%u201D A partir disso, cabe analisar as possibilidades e descobrir se é preciso passar por uma reciclagem. %u201CNunca é tarde para adquirir uma habilidade, aprender um idioma ou dar continuidade aos estudos%u201D, ressalta Dias. Aprendizado A história da mineira Maria Aparecida Brito, 33 anos, ilustra uma nuance diferente. Ela deixou o emprego de cozinheira, as filhas pequenas e a casa que tinha no Paranoá para tentar a sorte com o marido na Bélgica. Na capital, Bruxelas, Maria Aparecida cuidou de idosos, de crianças e foi faxineira. Tudo ia muito bem até que o marido adoeceu. %u201CNão podíamos mais continuar por lá em virtude da saúde dele. Além disso, a saudade das filhas estava muito grande.%u201D Um ano e cinco meses depois, decididos a voltar ao Brasil, o único fator que pesava contra era o financeiro. %u201CNa Europa, os salários são bons. O dinheiro parece render muito mais%u201D, afirma. Para o regresso ao país, Maria Aparecida contou com o apoio financeiro %u2014 passagens de volta e ajuda de custo %u2014 da Cáritas Internacional da Bélgica. Já em solo brasileiro, ela foi assistida pelo Instituto Migrações e Direitos Humanos (IMDH), que tem sede em Brasília. De acordo com a diretora, irmã Rosita Milesi, a entidade dá suporte psicológico e material para que esses retornados tenham condições de se reinserir no mercado de trabalho. %u201CO acompanhamento dessas pessoas é fundamental para que elas tenham condições de vislumbrar uma recolocação produtiva na sociedade de origem%u201D, garante. Maria Aparecida se preocupava com o que iria fazer quando voltasse, já que o trabalho de faxineira em Brasília não lhe garantiria a mesma renda. Em apenas dois meses, veio a solução. %u201CHavia uma vaga no meu antigo local de trabalho, pois a pessoa que ocupou o meu lugar tinha acabado de sair e meu ex-patrão me deu uma nova chance.%u201D Um ano e três meses depois de se restabelecer no país, ela virou proprietária de uma lanchonete. %u201CA experiência que tive fora me ajudou a ver que sempre é possível levar à frente novos desafios e aprender com os problemas, além de me motivar a querer melhorar de vida%u201D, diz. Da Terra do Sol Nascente Localizado em São Paulo, o Niatre fica no bairro da Liberdade, reduto da comunidade japonesa na capital paulista. A escolha do endereço está relacionada ao número de brasileiros retornados do Japão que são atendidos pelo núcleo. Dos 1.628 atendimentos feitos entre 2011 e 2012, eles respondem por 1.541 casos. Onde encontrar ajuda Instituto Migrações e Direitos Humanos (IMDH) » Quadra 7, Cj. C, Lote 1, Varjão/Lago Norte » Telefones: (61) 8173-7688 e 3340-2689 » Site: www.migrante.org.br Núcleo de Informação e Apoio a Trabalhadores Retornados do Exterior (Niatre) » R. São Joaquim, 381, Subsolo, Liberdade, São Paulo (SP) » Telefone: (11) 3203-1916
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