Salário de servidor é 4 vezes maior

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postado em 29/06/2012 08:00 / atualizado em 13/08/2012 17:30

Daniel Augusto busca uma oportunidade no setor privado, enquanto estuda para chegar ao serviço público: %u201COs salários são melhores%u201D 

A diferença do valor dos salários entre o setor público e o setor privado no Distrito Federal apresentou a maior discrepância dos últimos 20 anos, de acordo com a Pesquisa de Emprego e Desemprego (PED) relativa a maio deste ano divulgada ontem pelo Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese). Um funcionário da iniciativa privada ganha, em média, R$ 1.255, quatro vezes menos do que um servidor público, cuja remuneração chega a R$ 5.557.

Conforme a série histórica, iniciada em 1992, abismo salarial entre os setores público e privado sempre existiu pelo fato de Brasília ser sede do governo federal. Mas, nos últimos três anos, a diferença aumentou. O principal motivo é o reajuste concedido a várias categorias do funcionalismo público, principalmente aos servidores do governo federal. Em contrapartida, a iniciativa privada não tem conseguido repassar os mesmos índices de aumento aos empregados.

%u201CEssa discrepância transforma Brasília na cidade dos concurseiros%u201D, afirma Júlio Miragaya, diretor de Gestão de Informações da Companhia de Planejamento do Distrito Federal. Ele explica que esse cenário ocorre apenas no DF. Se compararmos com outras regiões metropolitanas, como São Paulo, por exemplo, ocorre movimento contrário de valorização das carreiras da iniciativa privada. %u201CO emprego é um indicador de como está a economia daquele local, como o Brasil está aquecido, SP está pagando melhor quem está ligado ao setor produtivo%u201D, explica.

Segundo Miragaya, a alta concentração da renda no setor público demonstra a debilidade do segmento privado na capital do país e a baixa diversificação das atividades produtivas no DF. %u201CFicamos muito dependentes dos empregos criados pelo governo. Este ano, por exemplo, a política do Executivo federal é de segurar reajustes, tanto que várias categorias estão em greve. O que deixa a economia local atrelada ao serviço público%u201D, explica. Segundo ele, os baixos salários do setor privado se devem ao fato de o segmento de serviços ser o principal gerador de empregos no DF. Ele cita, como exemplos, as vagas para trabalhos domésticos e pequenas atividades de ajustes. Se o DF tivesse uma indústria forte, os salários da iniciativa privada estariam em outro patamar.

Ressalvas

Porém, especialistas alertam que essa diferença salarial entre o público e o privado deve ser avaliada com ressalvas. %u201CComo o número de pessoas com baixa escolaridade no setor privado é maior, os salários também diminuem. Além disso, boa parte das pessoas empregadas no setor público tem nível superior, e isso está relacionado a remunerações mais altas%u201D, explica o professor Gilson Geraldino, do Programa de Pós-Graduação em Economia da Universidade Católica de Brasília. O professor Carlos Alberto Ramos, do Departamento de Economia da Universidade de Brasília, acrescenta que a grande quantidade de funcionários públicos deixa o DF blindado em relação à situação econômica nacional. %u201CPor causa da estabilidade, a economia do DF sente pouco a crise, como sente pouco também o período de aquecimento da economia nacional, como o de agora.%u201D

Enquanto a iniciativa privada não consegue acompanhar o salário do poder público, brasilienses como Daniel Augusto, 20 anos, sonham em ter o governo como chefe. Ele estava ontem na Agência do Trabalhador procurando emprego, mas está estudando para o concurso da Agência Nacional da Aviação Civil. %u201COs salários são melhores, tem estabilidade, por isso, quero ser servidor público%u201D, conta.

Rendimento: cresceu 12,23%
A PED de maio de 2012 mostrou ainda que, em comparação ao ano passado, o rendimento médio real dos ocupados aumentou 12,3% e o dos assalariados 10,7%. A média de rendimento do trabalhador no DF é de R$ 2.274.




Saiba mais...

Taxa de desemprego segue em 13%


>> Flavia Maia

O desemprego na capital do país no mês de maio manteve-se estável em relação a abril e ficou na casa dos 13%. Essa taxa coloca a capital do país na segunda colocação entre as sete cidades analisadas pelo Dieese. Brasília só perde para Salvador, cuja taxa é de 17,6%. Belo Horizonte tem a menor taxa (5%), seguida de Porto Alegre (7,3%), Fortaleza (9,9%), São Paulo (10,9%) e Recife (11,7%).

Cerca de 188 mil pessoas continuam desempregadas no DF, apesar de todos os setores da economia terem criado postos de trabalho no mês passado. A construção civil e o comércio foram responsáveis por 6 mil vagas a mais. Mesmo assim, a taxa manteve-se estável em relação a abril. Para Adalgiza Lara Amaral, coordenadora da PED-DF, em maio 13 mil pessoas foram inseridas no mercado de trabalho formal. A média dos outros meses era de 5,6 mil. %u201CO DF criou novas vagas, mas elas foram absorvidas por essa parcela inesperada de pessoas que entraram na População Economicamente Ativa (pessoas à procura de emprego)%u201D, explica.

Se comparado ao mesmo período de 2011, os setores produtivos empregaram menos este ano do que no anterior. A indústria, por exemplo, teve queda de 6,4% na quantidade de empregados. O comércio está com 3 mil funcionários a menos. A explicação de ambos os setores é a acomodação da economia nacional e a crise econômica mundial.

%u201CA taxa de emprego e desemprego é o indicador de como o empresariado está vendo o mercado. Se o empresário está eliminando vagas, ele está olhando para frente e não está vendo um cenário promissor%u201D, analisa Diones Cerqueira, assessor econômico da Federação da Indústria do DF. O presidente da Federação do Comércio do DF, Adelmir Santana, acrescenta que é difícil comparar 2012 com 2011 por conta do boom que o comércio viveu nos últimos três anos. %u201CFoi um período crescente da economia nacional. Agora, vivemos acomodação, por isso a queda.%u201D

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