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Correio Braziliense

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Crise de mestres e doutores

No Brasil, a quantidade de pós-graduados stricto sensu é baixa se comparada à de países como EUA, Austrália e Portugal. A carência é maior na indústria e no comércio, que reúne apenas 9,35% deles

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postado em 16/07/2012 08:00

O desenvolvimento de qualquer país depende de profissionais qualificados para pesquisar, difundir conhecimentos e gerar tecnologias. Todos os trabalhadores contribuem em algum grau para esse processo, mesmo aqueles que executam serviços básicos. Mas é uma parcela muito menor do mercado, a que tem níveis mais altos de capacitação, que poderá alavancar esse crescimento, pois possui experiência decisiva para contribuir na criação de tecnologias inovadoras. O Brasil já soma 568 mil pós-graduados stricto sensu (doutores e mestres), mas o número de titulados a cada 1 mil habitantes ainda é menor do que o de países desenvolvidos. O dado é do levantamento Doutores 2010, do Centro de Gestão e Estudos Estratégicos (CGEE), órgão vinculado ao Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI). Uma atualização dos números %u2014 que será divulgada oficialmente no fim deste mês, a partir de dados preliminares do Censo 2010 do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) %u2014, mostra que o Brasil tem 1,9 doutor a cada mil habitantes com idade entre 25 e 64 anos. Está abaixo de países como Estados Unidos (8,4), Austrália (5,9) e Portugal (2,1). Além de continuar expandindo o número de titulados por ano, o próximo desafio da pós-graduação nacional será colocar mais mestres e doutores dentro das empresas. Desses últimos, hoje, apenas 3,29% trabalham no setor produtivo. Na administração pública, por sua vez, são 11,06%. É o caso do consultor da União na Advocacia-Geral da União (AGU) Otavio Luiz Rodrigues Junior, 37 anos. Ele tem pós-doutorado em direito privado internacional pelo Instituto Max Planck, da Alemanha, e em direito constitucional pela Universidade de Lisboa. Para Otavio Luiz, a alta qualificação o torna mais competitivo e traz independência profissional. %u201CSei que sempre há uma porta aberta no mercado. Se as situações de trabalho ou financeiras se tornarem adversas, tenho alternativas. Eu continuo na AGU porque quero e não porque dependo desse emprego%u201D, explica. Com dua especializações no currículo, Alessandra vê mais reconhecimento na iniciativa privada Já o número de mestres alcança 4,3 a cada mil brasileiros entre 25 e 64 anos. E a participação deles no setor produtivo chega a 11,22%. %u201CA dinâmica do mercado é melhor para os mestres do que para os doutores. Eles são mais baratos. É mais fácil moldá-los à necessidade da empresa%u201D, aponta o diretor do CGEE, Antônio Galvão. Apesar dos números mais animadores, a quantidade de mestres também precisa aumentar. Atualmente, são formados 40 mil a cada ano. Segundo o novo Plano Nacional da Educação (PNE), que tramita no Congresso Nacional, o ideal é que, até 2020, esse número chegue a 60 mil. A necessidade de mais pós-graduados nas empresas brasileiras motivou a criação do programa Ciência sem Fronteiras, que, além de graduação, oferece oportunidades de doutorado e pós-doutorado. Das 75 mil bolsas prometidas pelo governo federal, quase 46 mil são para esses profissionais. Outras 26 mil são concedidas com recursos da iniciativa privada. %u201CTodas as áreas têm cursos bons de pós-graduação no Brasil. Mandar os estudantes para fora é uma forma de colocá-los num ambiente onde eles tenham exemplos e vejam como é fazer pesquisa aplicada às empresas%u201D, justifica o presidente do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), Glaucius Oliva. O desafio será avaliar os resultados. O impacto do Ciência sem Fronteiras na indústria brasileira só poderá ser visto, segundo Oliva, daqui a cinco ou 10 anos. Competitividade Inovação é uma palavra-chave nesse cenário. No último dia 5, o Banco Central reduziu a previsão de alta do Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro de 3,5% para 2,5%. De acordo com o presidente do CNPq, além de refletir a crise internacional, isso mostra a perda de competitividade pelo fato de o país não ter incorporado inovação o suficiente. Ele lembra que, há 10 anos, as empresas podiam comprar uma tecnologia de segunda geração %u2014 pois a mais recente é sempre guardada pela própria corporação que a vende %u2014 e lidar bem com as demandas do mercado. Atualmente, porém, algumas tecnologias duram apenas meses. %u201COu as empresas se envolvem em gerar as próprias inovações, ou vão ser cada vez mais penalizadas. A economia brasileira depende bastante de que a gente consiga incorporar inovação%u201D, ressalta. Apesar de as oportunidades para pessoas que possuem pós-graduação no Distrito Federal estarem concentradas no setor público, a gerente administrativa Alessandra Mayrink, 39 anos, trabalha em uma empresa de assistência médica e descarta a possibilidade de prestar concursos. Ela acredita que não terá o mesmo reconhecimento que alcançou no setor privado. Alessandra tinha especialização em marketing e a empresa ofereceu a chance de ela fazer outra pós, em gestão empresarial. %u201CTinha muito a ver com a tarefa que eu estava assumindo no momento, então, aproveitei a oportunidade%u201D, relata. Dessa forma, conseguiu melhorar seu desempenho. %u201CA especialização dá a você uma base teórica para entender melhor o trabalho desenvolvido, bem como o que as empresas e os funcionários esperam de você%u201D, conclui. PARCERIAS Em 9 de julho, foi divulgada parceria entre a Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes) e a Fundação Lemann, dos EUA. Serão oferecidas bolsas de estudos em seis universidade norte-americanas %u2014 entre elas Harvard e Stanford %u2014 pelo programa Ciência sem Fronteiras. Outra parceria foi feita em 21 de junho. A China vai reservar 5 mil vagas para estudantes brasileiros em universidades locais. As bolsas devem ser oferecidas até 2015. Ciência sem Fronteiras 0800-619697
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