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Correio Braziliense

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Pioneiros no Brasil

O profissional de gestão em saúde coletiva coordena e administra políticas do setor. Com formaturas previstas para o segundo semestre, as primeiras turmas de graduação no país são da UnB e da Universidade Federal do Acre

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postado em 23/07/2012 09:00

O Sistema Único de Saúde (SUS) foi criado em 1988 com a missão de levar atendimento gratuito e de qualidade a toda a população brasileira. Hoje, o modelo carrega falhas que comprometem esse objetivo. Por isso, há a necessidade de profissionais experientes que saibam enxergar os problemas e resolvê-los. É aí que entra em cena o especialista em saúde coletiva, mais conhecido como sanitarista, uma profissão que até o momento só é exercida por pessoas com pós-graduação no assunto. Essa realidade está prestes a mudar. Os 31 primeiros bacharéis em saúde coletiva do Brasil se formam este ano pela Universidade de Brasília (UnB) e pela Universidade Federal do Acre (UFAC), uma vez que as duas instituições foram, em 2008, as pioneiras na oferta do curso (leia Saiba mais). A função do sanitarista é basicamente de administração e gestão. Envolve coordenar políticas de saúde, observar necessidades da comunidade e exercer atividades de vigilância sanitária e epidemiológica. Ele pode atuar em secretarias municipais e estaduais, ministérios, agências reguladoras, hospitais, clínicas. Esse profissional precisa ter contato diretamente com a população, além de desenvolver habilidades de liderança. %u201CA pessoa deve gostar de ciências da saúde, controle de riscos, política e análise de fenômeno social. Não necessariamente precisa gostar de clínica%u201D, explica Fátima Sousa, coordenadora do Núcleo de Estudos em Saúde Pública da UnB. Alguns estudantes já estão trabalhando na área. É o caso de Priscila Carvalho, 20 anos, aluna do 7º semestre do curso na UnB Ceilândia. A jovem é supervisora de atendimento no Hospital da Criança de Brasília. Entre as funções desempenhadas estão o monitoramento de internações e o encaminhamento de pacientes aos departamentos especializados. Como a maioria dos colegas, ela escolheu a graduação sem ter muitas informações a respeito. %u201CEu sempre gostei de saúde e queria um curso em que eu pudesse cuidar de pacientes, mas que não tivesse contato direto. Quando descobri o que era, me apaixonei. Na saúde coletiva, posso observar e remodelar a realidade médica%u201D, conta. O diretor-geral do Hospital Universitário de Brasília (HUB), Armando Raggio, é um defensor ardoroso do trabalho de gestão em saúde coletiva. Com uma experiência de 33 anos como secretário, gerente e diretor de saúde, o médico não se arrepende de sua formação %u2014 graduação em medicina e especialização em anatomia patológica %u2014, mas garante que o caminho é muito mais fácil quando as pessoas podem se capacitar diretamente. %u201CNão é apenas fazendo clínica que tornamos a sociedade saudável. O trabalho do profissional de saúde coletiva é pensar estratégias para promover o bem comum, dedicando-se àquilo que nós, formados nas profissões clássicas, não podemos nos dedicar.%u201D Desafios Os 13 estudantes que vão sair graduados em agosto pela UnB têm uma série de desafios pela frente. Eles precisam lutar pelo reconhecimento do curso no Ministério da Educação %u2014 que só está apto a reconhecer graduações depois que a primeira turma se forma %u2014 e para que o governo abra concursos públicos na área. O formando Caio Batista, 22 anos, já atua na assessoria internacional do Ministério da Saúde como estagiário. Ele garante não ter medo de enfrentar um mercado de trabalho que está ainda em fase de consolidação. %u201CComo saúde coletiva é uma graduação que não pode se espelhar em outras, há um certo conflito, mas estou bastante esperançoso. Por onde passo, sou visto com bons olhos.%u201D O estudante Florentino Leônidas, 20 anos, faz parte da Coordenação Nacional dos Estudantes de Saúde Coletiva, que organiza encontros com lideranças políticas e luta pelos direitos da profissão no país. Uma das pautas é a geração de empregos na área. Embora o curso seja voltado para o SUS, também existem oportunidades no setor privado, como hospitais e clínicas particulares, mas muitos deles não querem nem saber. %u201CNosso foco é o atendimento público. São as diversas complexidades e lacunas que o SUS tem%u201D, assegura Leônidas. O secretário executivo do Conselho Nacional de Saúde (CNS), Márcio Pereira, apoia os novos profissionais. Não poderia ser diferente, uma vez que ele mesmo é cirurgião-dentista por formação, mas se especializou em saúde coletiva. O secretário garante que haverá vagas para todos os que apostarem no setor. %u201CNós (o CNS) estamos no processo de estimular que as entidades possam estabelecer a profissão de sanitarista. O SUS tem uma grande demanda nas áreas de gestão e vigilância, que atendem o perfil dos estudantes de saúde coletiva, e, aos poucos, esse profissional vai se inserindo no mercado de trabalho.%u201D Ainda é cedo, no entanto, para estipular um teto salarial. Hoje, um sanitarista ganha em média de R$ 5 a R$ 6 mil, no caso do setor público. %u201CComo é uma área muito abrangente, a pretensão salarial é relativa%u201D, esclarece Indyara Moraes, 20 anos, aluna do 6º semestre do curso de saúde coletiva na UnB. Indyara já sabia da oportunidade de alcançar um alto salário porque tem uma tia sanitarista na Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), em São Paulo. %u201CNinguém nasce querendo ser sanitarista, mas a profissão abre oportunidades para ganhar até R$ 10 mil%u201D, cobiça a garota. Saiba mais Quinze turmas Depois da UnB e da UFCA, outras 13 universidades federais passaram a oferecer o curso de gestão em saúde coletiva. No Distrito Federal, há turmas nos câmpus da Asa Norte (Darcy Ribeiro) e de Ceilândia. A grade curricular contempla disciplinas como anatomia, legislação sanitária, políticas de saúde e gestão administrativa, principalmente no âmbito do SUS. São oito semestres, no mínimo, e 12, no máximo. "Nosso foco é o atendimento público%u201D Florentino Leônidas, da Coordenação Nacional de Estudante de Saúde Coletiva
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