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Onde a carência é maior

Taxista, controlador de voo, piloto e funcionário de hotel são exemplos de profissões em que a falta de trabalhadores bilíngues é prejudicial. Cursos mais rápidos podem ajudar

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postado em 23/07/2012 10:00

Mariana Niederauer

Aprender um idioma depois de adulto exige disciplina para conciliar a jornada dupla de trabalho e estudos. No entanto, é um conhecimento necessário para alcançar melhores colocações no mercado. Quem busca oportunidades nos eventos esportivos que o Brasil sediará nos próximos anos precisa se apressar, mas ainda dá tempo de chegar a um nível intermediário de domínio da língua escolhida. Paulo Rodrigues, gerente na multinacional especializada em idiomas Rosetta Stone, alerta que a metodologia tradicional não permite treinar os trabalhadores para os eventos internacionais que se aproximam. Com métodos mais rápidos e indutivos, no entanto, as pessoas são capazes de compreender e dialogar com estrangeiros, alcançando um nível intermediário de proficiência em um ou dois anos. %u201CEm qualquer atividade, médico, advogado, ou policial, em mais de 85% da conversação é usada a linguagem comum do idioma, não é a técnica%u201D, afirma. Os taxistas vão receber os turistas na chegada ao país e percebem a importância de saber um segundo idioma. %u201CEu estou nessa profissão há três anos e nunca senti falta, mas é claro que qualificação é sempre importante%u201D, afirma Marcone Drummond, 27 anos. Ele só fala português e conta que, quando recebe pessoas de outros países, elas entregam um papel com o endereço por escrito. O taxista Luiz de Almeida, 46, fala inglês e diz que o domínio da língua ajuda no trabalho. %u201CNo nosso caso, conhecer uma língua a mais é excelente.%u201D Essa percepção não se reflete, porém, na busca por qualificação. Muitos ressaltam a falta de tempo como fator que dificulta os estudos, além de acreditarem que cursos muito rápidos não vão ajudá-los. O Serviço Social do Transporte (Sest) e o Serviço Nacional de Aprendizagem do Transporte (Senat) estão oferecendo à categoria o Táxi 10, curso gratuito de inglês. São 120 horas de aulas gravadas em CD para que o profissional possa ouvir enquanto trabalha. A demanda, no entanto, é baixa. Segundo o Sindicato dos Permissionários de Táxi e Motoristas Auxiliares do Distrito Federal (Sinpetaxi), cerca de 5 mil taxistas circulam no DF e menos de 3% deles procuraram o curso. Marcone só fala português: bilhetinhos para saber o endereço No setor de turismo também está complicado encontrar profissionais qualificados. %u201CHá muitas pessoas querendo trabalhar, mas temos dificuldade para encontrar alguém que saiba, pelo menos, inglês intermediário%u201D, afirma a gerente de contas comerciais de um hotel em Brasília, Polhyana Silva. Funcionários como Bruno Moreira, 27 anos, que atua na área de reservas, são raros. Ele domina dois idiomas, o inglês e o espanhol. %u201CAcho que ajuda bastante no meu desenvolvimento dentro do hotel, pois, na hora em que alguém precisa, sabe que pode contar comigo%u201D, afirma. Bruno aprendeu inglês antes de começar a trabalhar, mas só foi estudar um terceiro idioma depois de contratado no setor de turismo. Outras profissões que demandam o conhecimento de uma língua estrangeira são as de controlador de tráfego aéreo e piloto. Uma das hipóteses levantadas no choque entre o Boeing da Gol e o jato Legacy, em 2006, é de que o controlador não sabia falar inglês, o que teria contribuído para o acidente. A legislação internacional de aviação civil determina que essa é a língua universal para os profissionais que atuam em órgãos que atendem pilotos ou aeronaves estrangeiras. O nível de proficiência exigido é quatro, numa escala de zero a seis. Tanto a Infraero quanto a Força Aérea Brasileira (FAB) acompanham o conhecimento dos controladores sobre o inglês na formação e durante a carreira. O capitão Paulo Sergio Barcellos, 52 anos, controlador de tráfego aéreo há 35, explica que o domínio do inglês é importante desde o trabalho nas torres de controle até as funções administrativas. A maioria das situações de contato entre controladores e pilotos está prevista nos manuais, mas é preciso se preparar para ocasiões atípicas. Atualmente, eles estão indo para os Estados Unidos e a Europa treinar em situações semelhantes às que enfrentarão quando o país receber grandes eventos esportivos. %u201CPara que haja uma interação adequada, precisamos do conhecimento da língua inglesa%u201D, ressalta Barcellos. Na Agência Nacional de Aviação Civil (Anac), o controle de proficiência dos pilotos também é feito com base em padrões internacionais. Na última semana, a Anac determinou que 37 pilotos que fizeram o teste de proficiência na Espanha devem refazê-lo no Brasil para adequar-se à metodologia adotada pela Organização da Aviação Civil Internacional (OACI). Desde 2007, cerca de 8,5 mil pilotos foram avaliados pela agência e mais de 25% reprovados. Como escolher o curso ideal A oferta é grande, mas é preciso ficar atento à qualidade. Não há uma entidade que certifique as escolas, por isso, anote as dicas da especialista Janaína Cardoso, coordenadora no Núcleo de Ensino de Línguas da UERJ: Material Desconfie quando o curso vender o próprio material didático e não cobrar mensalidade. O importante é vender um serviço e não um produto. Teste Peça para assistir a uma aula sem compromisso. Se o curso for bom, provavelmente aceitará a proposta. Referência Busque pessoas que já tenham sido alunas da escola de idiomas que você escolheu. Se possível, procure orientação de associações e sindicatos de professores. Método Tente conhecer a proposta pedagógica antes. Métodos baseados apenas na repetição não costumam ser eficientes. Rapidez Duvide de quem promete resultados rápidos. Os cursos básicos são mais curtos mesmo, mas dominar uma língua não é algo que ocorre da noite para o dia. On-line O ideal é que os cursos sejam semipresenciais, com alguma parte em sala de aula. Mas, antes de tudo, é preciso ter certeza de que você está preparado para estudar sozinho.
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