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Correio Braziliense

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As barreiras do idioma

O crescimento do país e a proximidade dos eventos esportivos reforçam a urgência de capacitação. Empregadores confirmam a dificuldade para encontrar profissionais que dominem uma segunda língua

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postado em 23/07/2012 09:00

Trabalhadores que dominam um idioma estrangeiro são cada vez mais procurados pelas empresas brasileiras. A necessidade atinge desde setores que desenvolvem produtos e precisam vendê-los no exterior até turistas desejosos de um bom atendimento no local que visitam. Especialistas observam que a relação do Brasil com outros países está crescendo e que a necessidade de se comunicar em outras línguas para fechar negócios acompanha essa tendência. Algumas organizações apostam em qualificação após a contratação, por meio de parcerias com escolas e de subsídio integral ou parcial aos funcionários. A gerente executiva na multinacional de tecnologia Stefanini, Carla Rossi, confirma a dificuldade em encontrar profissionais que dominem uma segunda língua. %u201CÉ uma necessidade real. Em processos seletivos, mesmo quando o idioma não é exigido, nós temos indicado aos colaboradores que busquem essa qualificação%u201D, explica. A empresa em que Carla trabalha possui escritórios em 25 países e, por isso, os funcionários precisam estar aptos a se comunicar uns com os outros. A multinacional também oferece cursos internos de capacitação e, de acordo com a executiva, quem atende aos requisitos do idioma tem mais chances de progredir na carreira. %u201CEsses profissionais são mais valorizados e, às vezes, a ascensão é até mais rápida.%u201D Outro problema é o descompasso entre o grau de conhecimento exigido pelas empresas e o detido pelos candidatos. Alguns colocam no currículo que possuem nível intermediário ou avançado, mas, quando chegam para a entrevista, não conseguem se comunicar em outra língua, o que foi constatado em pesquisa da empresa internacional de educação Education First (EF). O Brasil ficou em 31º lugar no ranking de proficiência em inglês, atrás, por exemplo, de China, Índia, Guatemala e Costa Rica. Foram incluídos 44 países e avaliados 2 milhões de estudantes entre 2007 e 2009. O governo federal também busca solução para a falta de qualificação por causa da proximidade de eventos como a Copa do Mundo de Futebol de 2014 e as Olimpíadas de 2016, que serão sediadas no Brasil. No fim do mês passado, foi lançado o Pronatec Idiomas. Serão oferecidas 32 mil vagas nos cursos de espanhol e inglês no âmbito do Programa Nacional de Acesso ao Ensino Técnico e Emprego até 2014. O pré-requisito é trabalhar no setor turístico. As inscrições, que somam 51 mil por enquanto, podem ser feitas até o dia 31 (leia Onde estudar). A língua inglesa ainda é a mais procurada por estudantes e a que tem maior demanda por parte das empresas. %u201CO inglês nem é mais diferencial, é essencial%u201D, atesta Janaína Cardoso, coordenadora acadêmica do Núcleo de Ensino de Línguas da Universidade Estadual do Rio de Janeiro (UERJ). Porém, a escolha do segundo idioma deve levar em consideração a área em que o profissional atua. Para quem faz direito, por exemplo, dominar o italiano é mais interessante, por causa da raiz latina do idioma. Os que cursam ciências sociais podem optar pelo francês, pois pensadores importantes da sociologia e da antropologia escreveram nesse idioma. O mesmo vale para o método de ensino escolhido e o foco que se pretende dar aos estudos. Janaína explica que quem trabalha com turismo %u2014 como camareiras, taxistas, guias e garçons %u2014 deve dar mais atenção à oralidade. Os técnicos, que precisam entender manuais escritos em outras línguas, podem priorizar a leitura. %u201CVocê tem que analisar a língua a ser estudada e a forma de se fazer isso%u201D, ressalta a professora. Por trabalhar em uma multinacional norte-americana, a brasiliense Priscila Horta, 24 anos, optou pelo inglês. Formada em administração pela UnB, a jovem não dominava a língua quando entrou na empresa, ainda como estagiária. %u201CEu estava ficando atrás nesse sentido%u201D, relata. Durante o estágio, entrou para o programa de idiomas da organização e, depois de contratada, continuou a estudar e tem 75% do valor do curso subsidiado. A cada ano, a profissional é avaliada e precisa mostrar evolução para continuar recebendo o auxílio. O idioma faz parte do dia a dia da funcionária. Como mudou de função, ela frequenta um curso de formação e todo o material de treinamento é em inglês. No fim de 2012, Priscila vai receber o diploma após quatro anos de estudo, mas pretende continuar se aperfeiçoando. %u201CAqui é uma formalização, mas acho que, se eu não mantiver a prática, de nada vai adiantar tudo o que aprendi.%u201D Lapso no currículo A ausência de um segundo idioma no currículo pode levar à perda de oportunidades. Um dos obstáculos do Ciência sem Fronteiras (CsF), por exemplo, é encontrar candidatos que conheçam bem a língua do país onde pretendem estudar. A Casa Thomas Jefferson iniciou em abril um projeto-piloto de aulas de inglês para bolsistas do programa. Foram selecionados 20 alunos de baixa renda que preenchiam todos os requisitos para participar da seleção do governo federal, menos o domínio do idioma. Eles recebem bolsa integral e a inscrição no exame de avaliação de proficiência TOEFL, exigido pelo CsF. %u201CO curso trabalha ainda a escrita e a cultura acadêmicas, já que, uma vez lá nos Estados Unidos, os estudantes também têm dificuldades de adaptação%u201D, explica a coordenadora-geral da instituição, Isabela Villas Boas. Especialistas também sugerem buscar cursos ligados a instituições de ensino superior. A Universidade de Brasília (UnB), por exemplo, oferece turmas de idiomas para toda a comunidade a preços acessíveis %u2014 se comparados aos valores cobrados pela maioria dos cursos particulares em Brasília %u2014 e os estudantes recebem certificado de extensão a cada semestre concluído. A UnB Idiomas tem, inclusive, parcerias com empresas e outras entidades para qualificar funcionários. %u201CHoje em dia, em qualquer área, de qualquer empresa, o funcionário tem que saber um, dois ou três idiomas%u201D, afirma a coordenadora geral do programa, Glória Pacita. Três perguntas para... Leonardo Bauer, gerente na rede de colaboração universitária Universia Brasil Quais são as vantagens de um curso on-line de idiomas? Cursos on-line têm a vantagem de permitir ao aluno flexibilizar os horários de estudo, além de escolher o local mais adequado e de fácil acesso %u2014 casa, universidade, lan house etc. Outro diferencial que vale ser mencionado é o valor, que, em grande parte das vezes, é inferior ao de um curso presencial. A certificação por instituições renomadas é uma saída? É fundamental buscar cursos certificados por instituições de referência. É grande a oferta de turmas on-line, mas nem sempre a qualidade atende às expectativas do aluno ou o certificado emitido tem relevância para o mercado. Por que é importante, no mercado de trabalho atual, conhecer outros idiomas? Podemos observar que, hoje, dificilmente conseguimos encontrar vagas abertas em empresas de referência que não exijam o conhecimento de um segundo idioma como requisito mínimo ou diferencial. Temos de pensar no cenário global em que as empresas estão inseridas. Clientes, fornecedores e até a própria chefia podem estar em outros países. Desconhecer o idioma deles dificulta, ou até inviabiliza, a comunicação. Onde estudar Universia Brasil Oferece cursos on-line de espanhol, inglês, chinês e português para estrangeiros. Também está disponível no site lista com 101 links para cursos gratuitos de idioma Preço: R$ 130 para o módulo com 60 horas de aula Matrículas: shopping.universia.com.br UnB Idiomas Turmas de alemão, árabe, grego moderno, hebraico, italiano, japonês, espanhol, francês, mandarim, russo, inglês e coreano Preço: R$ 645 em três parcelas (para a comunidade externa) Matrículas: 19 de julho a 19 de agosto pelo site unbidiomas.com Informações: 3107-7223 ou 3107-7224 Centros interescolares de línguas (CILs) Alemão, francês, espanhol e inglês para alunos da rede pública Matrículas e informações: www.apmcil.com.br (as inscrições para o próximo semestre já estão encerradas) Universidade Católica Aulas de inglês e espanhol Preço: a partir de R$ 832,60 em cinco parcelas Matrículas: a partir do dia 23 de julho Informações: 3356-9170 ou secretariaclc@ucb.br Uniceub O Diretório Central dos Estudantes (DCE) oferece cursos de inglês, espanhol, italiano, francês, alemão e japonês Preço: taxa de R$ 60 no início do semestre para compra de material Matrículas: a partir de 30 de julho no DCE, Bloco 10, 707/907 Norte Casa Thomas Jefferson Está oferecendo 50 vagas para o curso Hello Brazil!, de inglês iniciante, para profissionais que atuem na área de atendimento ao turista Preço: R$ 75 por mês (sem o material didático) Matrículas: de 18 a 25 de julho Informações: 3442-5500 ou pelo site www.thomas.org.br Pronatec idiomas Cursos gratuitos de inglês e espanhol para trabalhadores que atuam na área de turismo, e de libras para qualquer profissional. Inscrições: até 31 de julho pelo site www.pronateccopa.turismo.gov.br Qualificopa A Secretaria de Trabalho do Distrito Federal incluiu aulas de inglês em todos os cursos gratuitos oferecidos pelo programa Matrículas: a partir de amanhã até 3 de agosto, em todas as agências do trabalhador Informações: www.trabalho.df.gov.br
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