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Falta especialização no mercado digital

É de 30 mil o deficit de profissionais em marketing on-line. Há pouca oportunidade nas faculdades e o aprendizado vem da prática

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postado em 12/08/2012 11:32

Mariana Niederauer

Em busca de inovação, Heidi Kolarik, 28 anos, já ocupou quatro cargos no trabalho: dificuldade de encontrar cursos específicos O mercado de agências digitais está em expansão e precisa de profissionais qualificados para atender à demanda do país. O foco dessas empresas é o marketing on-line, que serve para divulgar o trabalho de outras organizações, entender qual é o perfil dos clientes e oferecer produtos adaptados às necessidades deles. O campo de trabalho é amplo: envolve agências de publicidade, empresas de tecnologia, assessorias e veículos de comunicação. O Interactive Advertising Bureau no Brasil (IAB Brasil), uma das entidades representantes do meio, calcula que o setor emprega mais de 60 mil pessoas no país e que o deficit atual seja de 30 mil trabalhadores. Projeções do IAB Brasil mostram que o mercado digital cresce num ritmo de 10% ao ano e a internet, 40%. “É um mercado que vem crescendo muito. Vários veículos se sustentam basicamente com a publicidade”, explica o diretor executivo da entidade, Ari Meneghini. Segundo ele, o impacto em cada uma das empresas passa pela valorização da relação com o cliente: “Hoje, cada pessoa é uma mídia. O consumidor não é mais passivo. Se ele gosta ou não, ele fala”. É por isso que um dos profissionais que mais procurados no mercado de agências digitais é aquele que trabalha com redes sociais, como Pedro Jeolás, 26 anos. Formado em administração, atua como auxiliar de métricas em São Paulo, produzindo, por exemplo, relatórios quantitativos e qualitativos dos comentários nas redes sociais relacionados à empresa que atende. “O que me atrai bastante é o fato de não lidar somente com comunicação. Trabalho com inteligência de mercado. O consumidor não imagina que está sendo monitorado”, conta. Dessa forma, é possível detectar falhas nos produtos e consumidores insatisfeitos. Para Meneghini, a carência de mão de obra qualificada atinge o mercado mundial, como Inglaterra, Estados Unidos, Alemanha e França. A diferença, na opinião do diretor, é que aqui não há cursos voltados para o setor. “São as empresas que acabam formando muitos desses profissionais”, esclarece. Pedro Jeolás conheceu o marketing digital no fim da graduação, quando fazia intercâmbio na Inglaterra. De volta ao Brasil para cursar o último semestre, decidiu apresentar monografia sobre o tema. “Nenhum professor tinha conhecimento na área. Precisei procurar sozinho estudos para apoiar minha pesquisa”, alerta. Ele aconselha os interessados a procurar material por conta própria e dá dicas de alguns sites, como o norte-americano mashable.com e o brasileiro www.bluebus.com.br. Com a falta de cursos específicos, muitas vezes os profissionais disponíveis não têm experiência com mídias digitais, o que torna a adaptação complicada. “É um profissional muito difícil de se encontrar hoje, porque as pessoas que vieram do off-line têm dificuldade de entender a dinâmica do on-line, que muda com muita rapidez”, explica Meneghini. Migração Como não há uma lei que obrigue o profissional a ser formado em publicidade para trabalhar na área, graduados dos mais variados cursos estão migrando para o mercado das agências digitais. Advogados, engenheiros, arquitetos, matemáticos e estatísticos também podem se qualificar para atuar no ramo. Caroline Pazini, 21 anos, é estudante de biblioteconomia na Universidade de São Paulo (USP) e faz estágio relacionado às mídias sociais. Uma vez que o curso proporciona formação geral sobre como organizar informações, a jovem consegue usar os conhecimentos no trabalho. “O suporte da informação mudou muito no decorrer do tempo, mas a forma de lidar com ela é mais ou menos parecida”, avalia. André Zimmermann, diretor global do grupo Havas Digital — um dos maiores conglomerados de comunicação do mundo, responsável por três agências digitais — ressalta que o profissional também precisa estar preparado para uma profissão que muda com frequência. As redes sociais de hoje podem ser outras no futuro e a tecnologia está em constante transformação. “Tudo isso exige que as marcas e as agências se adaptem”, lembra. O que mais atraiu Heidi Kolarik, 28 anos, formada em tecnologia em rede de computadores, foi a inovação que a área oferece. Ela ocupou quatro cargos diferentes na agência em que trabalha, em Brasília, e hoje é coordenadora de projetos. Chegou a procurar cursos, mas teve dificuldade para encontrar. A qualificação veio mesmo na empresa. Para manter o nível de produção no trabalho, Heidi acredita que é preciso estar atualizado sobre o que ocorre no mundo, acompanhar o noticiário e os vídeos que fazem sucesso na internet. “Quem gosta dessa área tem de estar sempre conectado”, recomenda. No Distrito Federal, o mercado de agências digitais também está aquecido, mas as empresas perdem profissionais para as de São Paulo, segundo o presidente do Comitê Regional Brasília do IAB Brasil, Eliel Allebrandt. Há, ainda, a concorrência com outras agências, inclusive as que não trabalham com internet, e com companhias como Google e Facebook. “A falta de um ambiente de formação, o mercado aquecido e as outras organizações envolvidas tornam a busca desses profissionais bem difícil”, afirma. Allebrandt integra a equipe da agência Click, há 15 anos no mercado e que procura profissionais em outros estados, além de formar a mão de obra no próprio ambiente corporativo. Faltam no DF analistas em mídias sociais, arquitetos da informação, designers e funcionários para atendimento ao cliente. O empresário lembra que, com o projeto de implementação da Cidade Digital em Brasília, a demanda deve crescer e o mercado local terá de estar preparado para atendê-la. Os mais procurados Arquiteto da informação É responsável por simplificar o conteúdo que será apresentado nos sites. Deve organizar e classificar as informações, criando caminhos de acesso e relações entre elas para facilitar a busca do consumidor. Média salarial: R$ 6 mil Atendimento Gerencia a carteira de clientes, acompanha as entregas de mídia durante todo o período de veiculação, analisa os resultados e cria relatórios para os anunciantes. Média salarial: R$ 6 mil Webdesigner Desenvolve as interfaces gráficas de um site ou produto digital. Cria leiautes e banners de publicidade, que são a porta de acesso aos produtos apresentados on-line. Média salarial: R$ 2,5 mil Analista de mídias sociais São responsáveis por gestão e editoração de conteúdo nas plataformas digitais, disseminação de conteúdo, relacionamento, análise de dados e criação de ideias com a equipe de concepção e planejamento estratégico. Média salarial: R$ 2 mil “A falta de um ambiente de formação, o mercado aquecido e as outras organizações envolvidas tornam a busca desses profissionais bem difícil" Eliel Allebrandt, presidente do Comitê Regional Brasília do IAB Brasil
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