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Sem receio de negociar

Pedir aumento de salário para o chefe ainda é tabu. Monte sua estratégia para superar esse medo e ganhar mais

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postado em 17/09/2012 10:03 / atualizado em 17/09/2012 10:11

Antônio Cunha
Negociar um contracheque mais polpudo dificilmente é uma conversa confortável entre chefe e funcionário, mas o receio é tamanho que, segundo a empresa de recrutamento Robert Half, 45,6% dos funcionários jamais pediu um aumento salarial. A pesquisa foi feita com 764 profissionais de vários cargos e áreas e, de acordo com a consultoria, 38,6% deles pretendem respirar fundo e arriscar a sorte ainda este ano. Claro que vários trabalhadores desejam o dinheiro a mais no fim do mês, o problema é que nem todos sabem como quebrar o gelo e propor a negociação. No entanto, muitos ignoram que trazem consigo a principal arma para vencer essa batalha: apresentar resultados.


Para o gerente de capacitação empresarial do Serviço Brasileiro de Apoio às Micros e Pequenas Empresas do Distrito Federal (Sebrae/DF), Ary Ferreira, é natural que exista uma certa apreensão do funcionário em trazer o assunto à tona. O medo de ser demitido ou entrar para uma possível “lista negra”, segundo ele, deve ser afastado, desde que o profissional esteja comprometido com a equipe. “As empresas precisam de empreendedores que não pensem somente em si. Se essas pessoas forem mais proativas e comprometidas com os resultados, com certeza conseguirão o aumento”, garante Ferreira.

Ainda de acordo com a pesquisa da Robert Half, 6,2% das negociações para aumento de salário ocorreram com base na oferta da concorrência. Foi o caso do gerente de marketing Gustavo Pompermaier, 27 anos. Cobiçado por outra companhia, que ofereceu um aumento significativo, Pompermaier sondou a opinião da chefia e garantiu uma contraproposta antes de pedir demissão do emprego atual. “Meu chefe falou que gostava do meu trabalho, por isso, preferia que eu ficasse onde estava, e iria cobrir o salário oferecido pela outra empresa”, conta.

Para o gerente de recursos humanos Mario Custódio, no entanto, casos como os de Pompermaier não devem ser estimulados. A garantia de oportunidades na concorrência, segundo ele, pode fornecer uma maior sensação de segurança para o funcionário na hora de pedir o aumento, mas é problemático para o funcionamento da organização. “Isso gera desgaste para todo mundo que está envolvido no processo, tanto para o chefe, que é pego de surpresa, quanto para a outra empresa, que gastou tempo no processo seletivo. É comum, mas não é saudável”, pontua Custódio.

Final feliz
Em metade dos casos, o reajuste de salário ocorre espontaneamente, como reconhecimento pelos resultados alcançados, segundo o levantamento. Outros 30% são fruto de promoções e em apenas 10,6% das ocasiões ele vem por iniciativa do empregado. Para os poucos corajosos que reúnem estratégias e resolvem propor um aumento, a resposta costuma ser positiva. A pesquisa demonstra que 70% dos entrevistados que elaboraram uma proposta foram atendidos.

A psicóloga e consultora de recursos humanos Elisângela Martins, 33 anos, por exemplo, nunca teve problemas em requisitar um aumento de salário — e obteve êxito duas vezes, em ocasiões diferentes. “Consegui porque mostrei um trabalho diferenciado. E também chequei antes com o chefe se haveria essa possibilidade”, conta. Outra dica que a consultora dá é avaliar o quadro econômico e a estabilidade da organização. Se  for um período de crise, é bom adiar a proposta. Mas, se os negócios vão bem e o funcionário apresentar resultados satisfatórios, o medo deve ser enfrentado. “Sempre fiquei esperta para pedir no momento certo”, conclui ela.

Passo a passo

 

 

1- Respire fundo e tome a iniciativa

Mario Custódio, gerente de recursos humanos da Robert Half, explica que o receio de apresentar uma proposta de aumento tem origem na própria tradição cultural brasileira, de esperar que a iniciativa seja tomada por outros. Para ele, não há problemas em chegar primeiro se o pedido for embasado por objetivos concretos. “É preciso manter uma comunicação clara e transparente com o seu superior. E ter bom senso também. Só fazer aquilo que é a obrigação ou pedir aumento simplesmente porque quer é errado. São necessários argumentos sólidos para justificar uma quantia adicional no fim do mês", comenta o gerente.

 

 

 

2- Apresente resultados
Atingir metas e produzir além do combinado é um bom começo para engordar o contracheque. Segundo Mário Custódio, justificativas como tempo de experiência na casa, compromissos financeiros ou comparação com profissionais de outras empresas não são validadas e podem gerar situações embaraçosas. A melhor forma de convencer o patrão é exibir um balanço da produtividade que demonstre a importância do profissional para a rotina da instituição. Mas é preciso cuidado e bom senso ao avaliar seu próprio desempenho.

 

 

3- Não apele para o autoelogio
A psicóloga e coach de carreiras Sabrina Ferroli aconselha os funcionários a não caírem na armadilha do autoelogio e a encararem com realismo o próprio desempenho. A solução, caso a empresa não tenha uma ferramenta ou relatórios constantes de feedback para os funcionários, é pedir avaliações constantes do superior. “É muito importante saber se aquilo que o profissional pensa a seu respeito é validado pelo gestor”, comenta Sabrina. “A partir dos resultados, é possível identificar a possibilidade de reconhecimento dentro da empresa. O aumento deve ser buscado em uma perspectiva de progresso, e não de insatisfação.”

 

O povo fala


  
Hernandes Vilhalba de Brito,

23 anos, eletricista
“Teria, com certeza, se estivesse desenvolvendo um bom trabalho, crescendo e produzindo.”

  
Thaís Geane,

23 anos, assistente administrativa
 “Sim. Inclusive já até pedi, mas não consegui. Acho que, se o chefe perceber que o funcionário está precisando e se for compatível com a atividade, ele pode pedir, sim.”

  

Ricardo Lucena,
33 anos, motorista
“Lógico que sim. Se o salário estiver ruim, a gente tem que falar. Mas o patrão também tem de ser inteligente e dar o aumento por conta própria.”
  

Maiara Oliveira,
17 anos, estudante e estagiária
“Acho que não
teria, porque sou muito tímida.”

 

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