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Empreendedorismo

Inova rpara crescer

Abrir o próprio negócio exige muito planejamento e domínio de mercado, atitudes essenciais para fugir da falência, que atinge quase 27% das empresas brasileiras

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postado em 24/09/2012 08:00 / atualizado em 23/09/2012 16:54

Antonio Cunha
Para quem quer abrir a própria micro ou pequena empresa, uma boa ideia ainda é a alma do negócio. No entanto, é preciso ter conhecimento e planejamento para levar o sonho realizado à frente. Dados do Censo Demográfico 2010 do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) mostram que o país tem mais de 20,2 milhões de empreendedores. No entanto, muitos enfrentam dificuldades em manter o negócio: a taxa de falência das empresas após dois anos de existência é de 26,9%, segundo levantamento feito em 2011 pelo Serviço de Apoio às Micros e Pequenas Empresas (Sebrae). No Distrito Federal, o índice é quase o mesmo: 25%. Especialistas destacam que os principais erros dos novos empreendedores são a falta de conhecimento do mercado em que pretendem atuar e a de um planejamento adequado.

O consultor Wagner Roque diferencia empreendedores que abrem o negócio por oportunidade daqueles que o fazem por necessidade. Os primeiros têm mais chances de alcançar o sucesso, pois possuem afinidade com o ramo de atuação. Depois de escolher a área em que se vai trabalhar, manter o empreedimento é uma questão de acompanhá-lo com frequência e, principalmente, ouvir o que os clientes têm a dizer. Em empresas pequenas, não é necessário investir em grandes levantamentos. Conversar com quem visita a loja regularmente, escutar críticas e sugestões, além de oferecer benefícios aos fregueses mais assíduos podem ser boas soluções. “O cliente que compra mais tem de sentir que recebe tratamento diferenciado”, explica.

É preciso levar em consideração, ainda, que não basta ter uma ideia inovadora. Às vezes, o projeto funciona melhor em outra localidade e o empresário deve estar aberto a fazer mudanças de curso. Foi o que ocorreu com Flávio Cavalcanti, 32 anos. Campina Grande (PB) foi a primeira cidade a conhecer os bolos do empresário. No entanto, por aquelas terras a receita não era novidade e atraiu poucos clientes. Mesmo assim, ele persistiu. Vendeu a loja que tinha no Nordeste e partiu com a família para Brasília, onde começou a comercializar os bolos caseiros na Feira de Sobradinho, em 2007. O investimento inicial foi de aproximadamente R$ 15 mil. “Decidi deixar a minha terra porque lá havia muitos estabelecimentos desse tipo. Vi que aqui não era comum venderem apenas bolos e resolvi investir tudo o que tinha em uma nova empreitada”, conta.

Flávio é um dos empresários que ajuda a colocar o Brasil na terceira posição em número de empreendedores num ranking com 54 países, segundo o levantamento Global Entrepreneurship Monitor 2011. Para fazer o negócio dar certo, ele apostou na qualidade e na propaganda boca a boca. Os bolos, feitos com a ajuda da esposa, Fabiana Cavalcanti, 29 anos, caíram no gosto dos clientes e, depois de três anos, o casal abriu a primeira filial, em Águas Claras. Na unidade, o movimento é tanto que chega a formar filas nos fins de tarde. Os lucros permitiram abrir duas outras lojas, uma na mesma região e outra no Sudoeste. Cada uma delas chega a vender mil bolos por dia, que custam de R$ 4 a R$ 12. E a expansão vai continuar. A próxima casa Bolos do Flávio deve ser inaugurada dentro de 90 dias em Belo Horizonte (MG).

Investimento

Especialistas concordam que investir o próprio capital é a melhor forma de não perder o controle das finanças e correr menos riscos, ao contrário de quando se pede empréstimos para um familiar ou em bancos. O consultor Wagner Roque acredita, porém, que, se o empreendedor tiver um bom planejamento, pegar dinheiro emprestado não é tão perigoso assim — afinal, uma das características do empreendedorismo é correr riscos. O que o novo empresário precisa fazer é calculá-los e trabalhar para que sejam reduzidos. “Na medida em que se tem um plano de negócios bem elaborado, é possível perceber que o risco não é tão grande em pegar emprestado o dinheiro de um amigo, de um parente, ou de um banco.”

Nei Grando, organizador do livro Empreendedorismo inovador, lembra que, diferentemente do que ocorria no passado, hoje as pessoas recebem informações em excesso e precisam de orientação sobre como usá-las. O livro é voltado para as startups, mas grande parte das lições valem para qualquer empresa. Além de conhecer o mercado e os riscos que corre, o empreendedor precisa estar qualificado, ou seja, ter conhecimentos básicos de marketing e finanças. Buscar mentores e pessoas que possam lhe dar apoio também é essencial. Como dono do negócio, ele precisa assumir um papel de liderança e, dessa forma, montar e gerir a equipe de funcionários. E não basta selecionar aqueles que têm habilidades técnicas superiores, é preciso conhecer as atitudes da pessoa no passado e conexão dela com relação aos objetivos da empresa. “Os mais bem-sucedidos foram sempre aqueles que souberam lidar com as suas equipes”, afirma.

Expansão
Quando o negócio está indo bem, muitos empresários começam a pensar em expansão. Mas esse próximo passo também exige planejamento e conhecimento das regras do mercado. Segundo o consultor Wagner Roque, o momento certo de expandir é quando a empresa começa a dar retorno com relação ao investimento inicial. A partir daí, é preciso analisar a melhor forma de fazê-lo. O empreendedor pode optar por abrir uma franquia ou uma filial. Se escolher a primeira, deve seguir uma série de normas, como registrá-la na Associação Brasileira de Franchising (ABF).

A filial, por sua vez, nada mais é do que uma segunda unidade da mesma empresa, mas com caixas diferentes. Além disso, no caso da franquia, o empresário deixa o local nas mãos de terceiros. Na segunda unidade, por sua vez, o próprio dono precisa supervisionar o funcionamento do negócio. “O proprietário ou seu sócio, ou um familiar, vão visitar as duas unidades o tempo todo, e ambas devem manter um funcionamento parecido”, explica Wagner Roque.

Evolução rápida

Startups são empresas de base tecnológica que buscam um modelo de negócios que possa ser repetido e tenha expansão rápida, trabalhando para fornecer um produto ou serviço sob condições de extrema incerteza. O termo começou a ser usado no fim dos anos 1990, para definir as empresas que surgiam no Vale do Silício, na Califórnia, Estados Unidos.
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