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Mudança

Oportunidade para crescer?

Profissionais consideram a troca de emprego uma maneira de subir na carreira, mas especialistas sugerem que eles passem pelo menos dois anos em cada organização

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postado em 08/10/2012 10:15 / atualizado em 08/10/2012 10:18

Quando o trabalho passa a não satisfazer os objetivos profissionais, a mudança de emprego é uma opção que passa a ser considerada. Muitos trabalhadores, inclusive, acreditam que essa é uma maneira de alcançar crescimento na carreira. Pesquisa feita pela empresa de soluções de força de trabalho Kelly Services mostrou que 53% dos entrevistados acreditam que trocar de organização é sinônimo de desenvolver habilidades e avançar profissionalmente. Especialistas alertam, porém, que a troca precisa ser planejada. Ficar menos de dois anos em uma corporação pode passar a impressão de que o funcionário não está preocupado em concluir projetos e entregar resultados.

No caso de Fabrícia Oliveira, 28 anos, os novos rumos na carreira foram bem-vindos. Ela trabalhou durante sete anos numa empresa da área de saúde e, nesse período, obteve apenas uma promoção. Há menos de dois anos, começou a trabalhar em outra empresa do mesmo ramo e foi promovida recentemente para o cargo de gerente financeira. A jovem acredita que a mudança de trabalho foi determinante para seu crescimento profissional e, hoje, se sente realizada, pois vê que a organização se preocupa com os funcionários. No emprego atual, Fabrícia recebe uma bolsa auxílio de 50% para cursar a graduação em farmácia. Apesar de considerar que fez a escolha certa, ela destaca que é preciso ter cuidado com a alta rotatividade de empregos. “Antes de mudar, é importante conversar com o empregador, expressar a ambição e verificar as possibilidades. Ficar mudando pode ser um desperdício de oportunidades.”

Planejamento
O diretor presidente da empresa de educação corporativa Mind Quest, Maurício Wendling Lopes, sugere que o profissional tenha cautela ao cogitar mudar de emprego em busca de crescimento. Ele defende que o funcionário fique de dois a quatro anos em uma organização, para provar que consegue entregar resultados. “Toda vez que eu avalio currículos, descarto pessoas que ficam menos de um ano constantemente em mais de uma empresa”, afirma. Lopes explica que essas mudanças devem ocorrer de forma planejada, estável e coerente.

 

Segundo o especialista, a mudança incentivada exclusivamente por causa do aumento salarial também não é bem vista, assim como trabalhar em diversas áreas, sem critério. “A impressão que isso passa é de que a pessoa não se aprofundou numa área”, diz. Na hora de mudar de organização, o profissional precisa mostrar ao novo empregador que tem comprometimento e que domina um setor do mercado. Isso só poderá ser feito mostrando as metas alcançadas no local de trabalho anterior, pois as corporações pretendem contratar pessoas que queiram deixar um legado por onde passarem. “As empresas também estão buscando profissionais que têm valores, princípios, e que queiram aderir aos seus projetos”, ressalta Lopes.

Ricardo de Oliveira, 24 anos, trabalhou em uma loja de departamentos por um ano meio. Ele era fiscal de prevenção de perdas e contava com a possibilidade de alcançar uma promoção ou ganhar um bônus salarial. No entanto, a dedicação e o cumprimento de metas não foram suficientes para conseguir o crescimento profissional desejado. Ele percebeu que o retorno esperado talvez nunca viesse e resolveu procurar um emprego que oferecesse maiores oportunidades de desenvolvimento. “Se você percebe que não está satisfeito, que não está progredindo, mesmo que o salário seja bom é melhor tentar outro caminho, que traga mais prazer e contentamento”, argumenta. Oliveira não se arrepende da mudança. Foi trabalhar em um shopping como recepcionista há um ano e sete meses. Pouco tempo depois, veio a promoção para vigilante.

 A especialista Suzana da Rosa Tolfo, professora dos cursos de pós-graduação em psicologia e administração da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), acredita que a mudança de emprego em busca de crescimento profissional é consequência das exigências que as próprias empresas fazem. Elas demandam uma matriz de competências flexível e pedem níveis de qualificação altos para que o profissional ocupe um dos cargos disponíveis. Por causa disso, os funcionários buscam estar sempre atualizados e correr atrás de objetivos que consideram importantes. Se a organização não oferece formas de alcançar esses metas, ele sai à procura de outra que o faça. “O profissional precisa identificar quais são seus objetivos e o quanto eles vão ao encontro dos da organização”, ressalta a professora, que é Secretária Adjunta de Gestão de Pessoas da USFC.

Suzana explica que, hoje, a carreira que as gerações mais jovens costumam desenvolver é horizontal, o que pode significar passar por diferentes áreas ou trabalhar no mesmo cargo em mais de uma empresa. Mais uma vez, a própria cultura de gestão de pessoas tem relação com essas características da força de trabalho: diante da insegurança quanto à manutenção da posição na empresa, a mudança de emprego aparece como uma forma que o profissional encontra de se adaptar à instabilidade do emprego. “É uma via de mão dupla: o mercado diz que se você não se capacitar, não for competente e mostrar qualidade e produtividade, não terá mais lugar na organização. O trabalhador, em função disso, tende a ter essa relação que não é mais do vestir a camisa.”

Mesmo com essa nova cultura organizacional, Vanderlei Ribeiro, 45 anos, dedicou 18 anos de trabalho à mesma empresa. No entanto, quando percebeu que não existia mais nada que a organização pudesse fazer para contribuir com seu crescimento, e vice e versa, decidiu mudar de emprego. “A essa empresa eu devo todo o meu conhecimento, foi lá que eu estruturei minha carreira, mas eu tinha estagnado”, explica. Há três anos, Ribeiro foi trabalhar como gerente de vendas de uma empresa do ramo de materiais para construção e metalurgia. A nova empregadora estava em fase de crescimento e ele achou que seria a oportunidade perfeita para crescer. “É muito bom chegar nessa fase da vida em que recebemos reconhecimento pelo trabalho”, afirma.

Alto escalão
Levantamento feito este ano pela Fesa, empresa de recrutamento de altos executivos, mostrou que as companhias oferecem, em média, pacote de remuneração 28% maior na contratação desses profissionais. Segundo o diretor da regional do Rio de Janeiro da recrutadora, Leonardo Ribeiro, o incremento salarial é decorrente da responsabilidade que eles têm no andamento dos negócios e da crise de talentos que o mercado enfrenta.

Com a oferta de profissionais qualificados em baixa e a demanda cada vez maior, os salários oferecidos aumentam. “Os altos executivos são os maiores responsáveis por participar das decisões da empresa. O acionista precisa desse profissional com competências-chave”, afirma. Ainda assim, o especialista ressalta que é preciso ter cuidado na mudança de emprego. “O executivo tem que planejar sua carreira como se fosse sua própria empresa. Precisa tomar decisões estratégicas.”
 

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