Meu chefe, meu herói?

O relacionamento entre empregados e supervisores diretos não anda nada bem. A solução mora na comunicação aberta

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postado em 12/11/2012 10:50 / atualizado em 12/11/2012 09:56

A realização profissional também depende das relações construídas no ambiente de trabalho. Mas o que fazer quando justamente o relacionamento com o chefe está muito longe do ideal? Para começar, não se sinta sozinho: de acordo com pesquisa feita pela recrutadora Page Personnel entre 2,4 mil trabalhadores, 53,5% não estão nada felizes com a relação que mantêm com seus gestores diretos. O estudo revela que a principal causa da insatisfação se deve à falta de comunicação e também de motivação.

Os resultados mostram que, para os funcionários, especialmente os mais jovens, os fatores mais importantes são o aprendizado, o bom ambiente corporativo e a atmosfera de equipe. “Quando existe uma boa relação de comunicação, de proximidade profissional, o funcionário sente prazer em trabalhar para aquela empresa, e isso pesa muito mais do que salário e benefícios”, diz o diretor da Page Personnel Roberto Picino.

Para a professora do Departamento de Administração da Universidade de Brasília (UnB) Débora Barem, se a comunicação for ampliada e ocorrer de forma direta, os conflitos podem ser diminuídos. “As confusões começam justamente na comunicação, quando as pessoas não se entendem e, a partir de então, se fecham.” A autocrítica também é outro aspecto que merece atenção, na opinião da especialista. Afinal, o relacionamento turbulento entre funcionário e chefe é o primeiro indício de que algo precisa ser mudado. As transformações podem partir de um lado ou de outro. “Independentemente de o chefe ser uma pessoa fácil ou difícil, o importante é tentar humanizá-lo. O funcionário deve se mostrar disposto a desenvolver essa relação tanto quanto o chefe”, afirma Débora. É preciso ter iniciativa. Se o chefe não fornecer retorno, por exemplo, não fique esperando: vá até ele.

Autoconhecimento

A especialista destaca ainda que é preciso olhar para dentro de si antes de criticar o próximo. Débora acredita que a resposta para esse problema delicado pode estar no próprio funcionário. “É mais fácil para o subordinado tentar contornar a situação, já que o ônus é de quem sofre a pressão”, diz. Ela ressalta que a atitude conciliadora do profissional pode salvar um relacionamento complicado e garantir que o papel desempenhado pelo trabalhador não seja ofuscado por problemas no ambiente. “Tentar encontrar um canal de relacionamento com o chefe é fundamental.”

Segundo Débora, o primeiro passo deve ser uma avaliação do perfil do gestor. Depois disso, o próprio funcionário pode fazer uma autoavaliação. Dessa forma, é possível estabelecer um quadro da situação. “Às vezes, um indivíduo apresenta algumas características que podem não ser razoáveis para você, pois você talvez tenha tido um tipo de criação diferente, e lide com a vida de outra forma”, pondera. Para ela, ceder pode não ser simples, mas é eficaz. “É mais fácil você se adaptar do que transformar o ambiente de trabalho em um campo de guerra.”

O analista em tecnologia da informação Rodrigo Daher Milhomem, 22 anos, tem uma ótima relação com o chefe, Alexandre Pacino. Ele acredita que o fato de Alexandre tratá-lo como parte essencial da equipe é fundamental para nutrir esse bom relacionamento. “Não tenho medo de conversar, nem de expor ideias para meu gestor”, relata. Para ele, ter jogo de cintura e ser sincero é o que mais conta para se dar bem com seus superiores, com quem coleciona amizades. Rodrigo trabalha há quatro anos no atual emprego, e, mesmo assim, ainda hoje é amigo dos outros dois ex-chefes. Com o líder atual, a relação é uma via de mão dupla. “Quando preciso sair mais cedo para estudar para a faculdade, falo com ele e damos um jeito. Se ele precisa que eu fique até mais tarde, vai abrir o jogo e explicar que terei que estender meu horário”, conta. Para quem busca um relacionamento saudável com o gestor, Rodrigo aconselha: é sempre bom tentar vê-lo como uma pessoa que está lá para orientar e ajudar, e não para atrapalhar.

O ambiente amistoso o fez até desistir de ir para outra empresa. “Recebi uma boa proposta de emprego, mas, ao conversar com meu chefe, vi como eu era importante para a empresa, e aceitei a contraproposta feita.” Segundo ele, a decisão teria sido essa mesmo se fosse ganhar um salário mais baixo no colocação atual. Mais uma vez, o relacionamento com o chefe foi crucial. “Percebi que estamos na empresa para fazermos um trabalho em conjunto, e ele é o cara que tem mais experiência, é o líder, e que vai me ajudar a fazer o meu trabalho melhor ainda”, diz.

 (Editora Évora/Divulgação ) 

Como mandar no seu chefe
Autor: Gonzague Dufour
Editora: Saraiva
Páginas: 192
R$ 34,90
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