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Estudante brasileira cria índice de desigualdade de gênero para o País

A estudante de economia, Luísa Cardoso, foi premiada pelo Conselho Regional de Economia do DF pelo trabalho "A Mensuração da Desigualdade de Gênero: um Índice para os Estados Brasileiros"

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postado em 12/11/2012 15:48 / atualizado em 12/11/2012 15:52

Blog do Planalto

Mulheres e homens têm acesso praticamente igual à educação no Brasil, mas em relação à política e economia, os homens têm vantagem considerável. Eles estão em cerca de 54,4 milhões de posições no mercado de trabalho, enquanto as mulheres ocupam 43 milhões. Em média, os homens ganham R$ 4,9 por hora a mais que as mulheres em cargos semelhantes. Já na política, são 2.013 homens e 292 mulheres no poder. Os dados são do trabalho A Mensuração da Desigualdade de Gênero: um Índice para os Estados Brasileiros, da estudante de economia, Luísa Cardoso, premiada pelo Conselho Regional de Economia do Distrito Federal (Corecon-DF). O trabalho da estudante propõe a criação do Índice Nacional de Desigualdade de Gênero (INDG) - capaz de medir, por estado, o acesso das mulheres à educação, saúde, economia e política - baseado no Índice Global de Desigualdade de Gênero (do inglês Global Gender Gap Index - GGGI), medido pelo Fórum Econômico Mundial em 135 países, no qual, em 2012, o Brasil aparece em 62º lugar. “O Brasil não tem um índice próprio. O GGGI considera variáveis que não fazem parte da nossa realidade. O INDG seria uma forma de monitoramento das desigualdades brasileiras e pode ser atualizado constantemente”, justifica Luísa.     Com base em dados de 2009, 2010 e 2011 do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), do Congresso Nacional e outros bancos de dados oficiais, a estudante aplicou a escala internacional de zero a um, na qual quanto mais próximo a um, maior o nível de igualdade para cada estado brasileiro. No total, o Brasil obteve 0,71 ponto. Se utilizado o INDG, o País estaria na 45ª posição no ranking mundial. O estado de Santa Catarina, com 0,676, aparece como o mais desigual, enquanto Rio Grande do Norte, com 0,779, é o estado com maior igualdade de acesso, seguido por Roraima, com 0,776, e Maranhão, com 0,768. O resultado mostra que a desigualdade não está ligada a uma menor renda, já que o Rio Grande do Norte tem quase metade (R$ 456,94) da renda per capita de Santa Catarina (R$ 864,51), de acordo com dados da Pesquisa Nacional por Amostragem de Domicílios (Pnad) 2009. “O Brasil tem uma desigualdade regional imensa. Mensurar isso com dados nacionais é mais interessante e confiável. Embora a discriminação por gênero, uma das principais causas da desigualdade, não possa ser medida por dados quantitativos, ela continua existindo na sociedade como um todo”, afirma a socióloga Nina Madsen, integrante do colegiado de gestão do Centro Feminista de Estudos e Assessoria (Cfemea). Segundo a socióloga, a discriminação começa na educação e se estende ao mercado de trabalho, prejudicando os salários e as promoções de mulheres a altos cargos. Um dos fatores da diferenciação é que as mulheres ainda são responsáveis, ao mesmo tempo, pela produção e reprodução, o que faz com que acumulem funções. Economia e política    O acesso à economia teve pontuação 0,730, quase igual ao índice nacional. Já a política foi a área com os menores índices, com 0,102 pontos. O estado de Santa Catarina aparece mais uma vez na última posição, com 0,035; seguido por Paraná, com 0,044; e do Ceará, com 0,055. Os primeiros lugares também se repetem: Rio Grande do Norte, com 0,404; Maranhão, com 0,321; e Roraima, com 0,273 pontos. De acordo com a Organização das Nações Unidas (ONU), o País aparece como penúltimo do ranking da América Latina em representatividade política, com somente 9% dos candidatos eleitos do sexo feminino. “É necessária uma reforma de âmbito partidário para inclusão de mulheres. Tem que haver um trabalho de base, de trabalho junto à sociedade, para que as mulheres tenham mais destaque em propagandas políticas”, afirma a oficial de Monitoramento e Avaliação do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (Pnud) no Brasil, Juliana Wenceslau. Segundo Vera Soares, secretária nacional de Articulação Institucional e Ações Temáticas da Secretaria de Políticas para as Mulheres (SPM), o governo tem se esforçado para diminuir as desigualdades. “Os países mais produtivos são os que têm menor desigualdade de gênero. É onde se aproveita melhor a capacidade produtiva e onde se utiliza o capital humano de maneira mais completa. Ganha o mercado, ganha o governo e ganham as pessoas”. De acordo com Vera, a secretaria discute a elaboração de indicadores complexos, como o índice nacional. Índice de Desigualdade de Gênero O Índice de Desigualdade de Gênero (IDG) é composto por três dimensões: saúde reprodutiva, empoderamento (autonomia) e atividade econômica. A desigualdade na atividade econômica é medida pela participação de homens e mulheres no mercado de trabalho. No quesito saúde reprodutiva são mensuradas a mortalidade materna e a proporção de adolescentes que tiveram filhos (as). Já o empoderamento é medido pelo percentual de homens e mulheres no parlamento e, de homens e mulheres de 25 anos ou mais com pelo menos o ensino médio completo. O índice mede a perda no desenvolvimento humano resultante da desigualdade entre homens e mulheres, variando também de zero a um. No entanto, ao contrário do índice de desenvolvimento humano, quanto mais próximo de um, maior a desigualdade entre os gêneros. De acordo com o Relatório de Desenvolvimento Humano (RDH), apresentado em novembro de 2010 pelo Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (Pnud), os países com baixo Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) geralmente apresentam um alto índice de desigualdade de gênero. Lideram a lista: Camarões (0,763), Libéria (0,766), República Centro-Africana (0,768), Papua Nova Guiné (0,784) e Afeganistão (0,797). Os países com maior igualdade de gênero são Holanda (0,174), Dinamarca (0,209) e Suécia (0,289).  
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