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Carreira

As vantagens de se trabalhar no exterior

Pesquisa inédita no Brasil revela que as empresas nacionais vêm ampliando as oportunidades para funcionários que sonham em atuar fora do país

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postado em 19/11/2012 10:13


O diretor de Planejamento Jorge Helito foi transferido, há cinco meses, para a filial no Chile da empresa aérea onde trabalha: adaptação difícil e saudade da família (Gladstone Campos/RealPhotos ) 
O diretor de Planejamento Jorge Helito foi transferido, há cinco meses, para a filial no Chile da empresa aérea onde trabalha: adaptação difícil e saudade da família

Uma vaga em mil. Dez anos atrás, era assim que a paulistana Carolina Serra, 31 anos, via a chance de trabalhar na filial estrangeira de uma multinacional brasileira. Hoje, a mobilidade de funcionários nascidos no país é uma tendência no mercado profissional. A pesquisa Mobility Brasil, inédita no país, mostra que, apesar de as empresas estrangeiras ainda serem responsáveis pela maior parte do fluxo de funcionários entrando ou saindo do Brasil, as multinacionais daqui superam as de fora em número médio de brasileiros enviados ao exterior.

Carolina aceitou o desafio, e se preparou para a primeira oportunidade que apareceu no banco Itaú, onde trabalha desde os 21 anos. Atualmente, ela ocupa o cargo de gerente de Recursos Humanos na filial da instituição financeira em Nova York, nos Estados Unidos, e faz parte do grupo de 50 brasileiros expatriados pela empresa ao redor do mundo.

A pesquisa — feita este ano pela Global Line, que presta consultoria no recrutamento de profissionais em viagem ao exterior — revelou que as multinacionais brasileiras mantêm, em média, 51 funcionários fora do país, contra os cerca de 31 empregados das empresas estrangeiras com filiais estabelecidas aqui. Segundo o estudo, hoje é mais fácil para um brasileiro fazer carreira internacional numa organização nacional do que em uma estrangeira. Os números mostram que as multinacionais brasileiras descobriram, afinal, a receita das estrangeiras para o sucesso.

A chance de Carolina é retrato de uma crescente característica do mercado brasileiro: a internacionalização da mão de obra. Para o banco onde ela é funcionária, manter um profissional fora do país significa dinamizar as relações de trabalho das filiais, diversificando e globalizando a relação entre os empregados. Já para a gerente de Recursos Humanos, além de viver uma experiência de trabalho em outro país e melhorar o currículo, o salário aumentou de forma significativa. “O valor que recebo é proporcional à responsabilidade que assumi. Comecei na empresa como estagiária, hoje sou o elo entre a matriz no Brasil e a filial norte-americana”, explica Carolina.

Os dois lados da moeda
Segundo a pesquisa, além dos ajustes salariais, os funcionários em mobilidade têm, na maioria das multinacionais, direito a passagens para visitas ao Brasil, curso de idiomas, ajuda de custo com moradia temporária e com a escola dos filhos. Algumas chegam até a oferecer mesada ao marido ou à esposa que se mudam para acompanhar o funcionário em mobilidade.

“As vantagens são inúmeras, mas a expatriação também tem muitos desafios”, pondera a psicóloga Andreia Fuks, que acompanha famílias expatriadas há 17 anos. “Os benefícios provam o quanto é importante as empresas manterem bons profissionais globalizados, apesar de todos os problemas que eles invariavelmente vão enfrentar durante a adaptação”, revela a psicóloga.

Jorge Helito trabalha em Santiago, no Chile, como diretor de Planejamento e Controle de Gestão na filial da companhia aérea brasileira TAM, que mantém uma sede no país desde a fusão com a Lan Airlines. Jorge foi transferido em julho de 2012, um mês depois do acordo entre as duas empresas. Acostumar-se aos hábitos sociais dos chilenos foi, para ele, o maior desafio. “Apesar de eles serem receptivos, são muito diferentes dos brasileiros. As relações são muito restritas ao ambiente profissional, o que dificulta um pouco a adaptação”, descreve ele.

Outro problema é a saudade da família, que ficou no Brasil. O gerente confessa que pretende antecipar a volta para casa por causa da namorada. “A expectativa é que eu fique por quatro anos, mas talvez retorne antes. Nunca pensei em morar permanentemente fora do Brasil. A experiência me ajuda a aprender a enxergar meu trabalho e a empresa de forma global, mas não é definitiva”, pondera o funcionário.

Qualidade de vida
Reclamações como essas são comuns. Os dados da Mobility Brasil mostram que a insatisfação com a qualidade de vida é a principal dificuldade dos funcionários mobilizados no exterior, seguida por falta de habilidade para adaptação e preocupação com a segurança. Problemas com o idioma ocupam o 5º lugar no ranking das reclamações. Jorge garante que o inglês é importante. “Mas entre brasileiros e chilenos falamos o ‘portunhol’ mesmo. Isso não é problema, o importante é se fazer entender com clareza.”

A vice-presidente da Associação Brasileira de Recursos Humanos (ABRH), Elaine Saad, esclarece que as dificuldades não são só do funcionário. “A empresa precisa definir com clareza o perfil profissional para representá-la no exterior. Planejamento é importante na hora de preencher uma vaga tão estratégica”, avalia a especialista.

O custo de um profissional expatriado para as multinacionais brasileiras equivale a mais que o dobro do valor de mantê-lo no país. É mais caro, por exemplo, do que contratar um funcionário nativo na cidade da filial estrangeira. Mas, de acordo com Elaine, o investimento vale a pena. “A empresa que pretende se globalizar deve manter alinhada as relações culturais e profissionais entre a matriz e as sucursais. É preciso ter um funcionário que conheça a companhia a fundo, que entenda os processos e seja capaz de responder pela empresa fora do país. Senão, o prejuízo de ter uma sucursal dessintonizada pode ser desastroso”, afirma.

Não é por acaso que os empregados brasileiros no exterior viajam para exercer funções de liderança nas sucursais estrangeiras. A pesquisa da Global Line mostra que 72% deles, quando saem daqui, ocupam cargos na presidência, diretoria ou gerência da empresa. Para Elaine, essa é uma característica que tem muito a ver com o perfil do candidato à mobilidade. “São líderes que buscam a exposição estrangeira como uma realização profissional.”

“Trabalhar fora do Brasil não é para qualquer um”, lembra a psicóloga Andreia Fuks. Nos recrutamentos que faz, a especialista precisa ter olhos atentos para não errar. “Eficiência técnica nem sempre é o mais importante. É essencial que o candidato esteja pronto para se adaptar à cultura local, sem esperar que a cultura se adapte a ele”, define Andreia.

Pessoas pouco tolerantes, com dificuldades de se pôr no lugar dos colegas, que não saibam ouvir nem liderar não têm vez nesse posto. “As empresas querem líderes globais, e isso requer um preparo acadêmico e pessoal que se destaca das características do funcionário médio”, pontua a psicóloga. Ela explica que a expatriação ocorre para suprir necessidades diversas da empresa a médio e longo prazos. “Quem viaja tem de estar preparado para tudo”, completa.

Expansão dos negócios
As multinacionais são grandes empresas que têm atuação em diversos países. Elas mantêm uma sede no país de origem, mas instalam filiais em outros lugares do mundo em busca de ampliar o mercado consumidor e baratear os custos de produção.

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