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Gestão

Diálogo com o chefe

Comunicação mais fluida nas empresas contribui para resultados. Disponibilidade em ouvir os funcionários é uma das qualidades principais do líder ideal

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postado em 26/11/2012 10:18 / atualizado em 26/11/2012 10:20


A engenheira civil Ladan Sadri, 24 anos, pode expressar as opiniões na empresa sem medo e o líder Leandro Toré repassa o conhecimento de 30 anos de profissão (Marcelo Ferreira/CB/D.A Press ) 
A engenheira civil Ladan Sadri, 24 anos, pode expressar as opiniões na empresa sem medo e o líder Leandro Toré repassa o conhecimento de 30 anos de profissão

Assim que ingressam no mercado, os jovens profissionais estão ávidos para mostrar a vontade de trabalhar — e também como podem contribuir para o avanço da empresa. Assim, nada melhor que manter um diálogo aberto com quem ocupa níveis hierárquicos mais altos. De acordo com pesquisa feita pela empresa de recrutamento Page Personnel, para 52% dos jovens um bom ambiente de trabalho é definido pela liberdade em transitar por diferentes níveis da organização. Já 35% acreditam que a abertura para ouvir novas opiniões é a principal qualidade do líder ideal.

As empresas começaram a perceber como a necessidade de comunicação pode influenciar os resultados, e passaram a investir na área. Festas, confraternizações e palestras motivacionais são organizadas com frequência como forma de melhorar o relacionamento entre a equipe. O gerente da Page Personnel Luis Fernando Martins explica que todas as medidas de interação organizacional fazem parte de estratégia para reter os jovens, uma vez que as oportunidades do mercado são muitas. Para não perder os talentos recém-contratados, é preciso satisfazer as exigências de uma geração conectada e que busca conhecimento o tempo todo. “O jovem profissional contesta mais. Ele quer evoluir como pessoa e como profissional”, afirma.

A engenheira civil Ladan Sadri, 24 anos, é privilegiada por poder contar com um ambiente de trabalho aberto. Na empresa em que foi contratada, a palavra “chefe” é proibida. Os superiores são chamados de líderes — de acordo com uma nomenclatura mais moderna. Mesmo tendo acabado de ingressar na empresa, Ladan pode dialogar com qualquer profissional de níveis superiores, além de receber retorno sobre seu desempenho com frequência. “É importante receber uma crítica sobre aquilo que você faz e do que poderia fazer melhor. Como sou nova, tenho muito a aprender”, conta Ladan. A boa relação com os líderes é um dos fatores que mais a estimulam a permanecer na organização. “Às vezes, temos reunião e eu me sento para conversar, trocar ideias, e tenho total liberdade”, relata.

O diretor de Construções Leandro Toré, 50 anos, é um dos responsáveis por coordenar o trabalho de Ladan. Toré tem consciência de que a jovem e seus colegas são o futuro da empresa e precisam ser preparados agora. Por isso, não poupa conselhos e orientações. “Eles são nossos substitutos e precisam de todo suporte e atenção.”

Quando Toré ingressou no mercado de trabalho, há 30 anos, tamanha solidariedade na hora de transmitir conhecimentos era impensável. O chefe, mais rígido, não dialogava com o funcionário por medo da concorrência que essa atitude poderia gerar. Agora que ocupa um posto de comando, o diretor adota um comportamento totalmente diferente daquele demonstrado pelos próprios gestores no passado. “Não se pode limitar o acesso das pessoas nem negar conhecimento”, justifica.

Transição difícil
No entanto, aceitar essa nova ordem nem sempre é fácil para os chefes mais antigos. Luis Fernando Martins acredita que a solução é adaptar-se, não há outra saída. Os líderes precisam ter consciência de que, antes de exigir, é necessário conversar. Um relacionamento fechado e egoísta pode colocar em risco a própria posição. “Muitos gestores não entendem essa urgência das novas gerações. Se eles não conseguirem se adaptar, vão ser substituídos”, comenta o especialista.

Com esse comportamento da nova geração, as velhas relações de hierarquia ficam mesmo fragilizadas. Segundo a psicóloga e orientadora profissional Deise Navarro, o relacionamento tradicional, embora ainda exista em algumas empresas, não combina mais com o modelo atual das organizações, que prezam por diálogo e interação. “Hoje, as empresas buscam um relacionamento mais horizontal, e não mais aquela relação verticalizada entre superior e subordinado.”

A psicóloga lembra que os chefes também podem aprender com as novas gerações. O compartilhamento de ideias é essencial para desenvolver boas relações de trabalho e otimizar os resultados. “Não é como antigamente, quando os superiores detinham todo o saber. Os jovens de hoje têm mais conhecimento do que antes, principalmente sobre o uso das novas tecnologias”, afirma Deise. “É preciso que o gestor busque dar mais espaço para os novatos se manifestarem”, completa.

Para muitos líderes, a solução é buscar treinamento externo. A master coaching Mara Rosa do Instituto Brasileiro de Coaching (IBC) explica que o desenvolvimento humano é o principal tópico trabalhado nesse tipo de orientação. Entender e escutar os anseios dos funcionários são qualidades ensinadas aos chefes mais antigos, que ainda não se acostumaram com o novo ambiente. “O povo brasileiro ainda tem a cultura de que o funcionário só está interessado em dinheiro, mas há coisas que dão muito mais satisfação”, reflete Mara. “Nessa era da informática, da máquina, todas as pessoas precisam de alguém para ouvi-las. Um gestor inteligente entende que as empresas são compostas por pessoas, e então conversa e tenta ajudar”, completa.

Sem volta
Para a superintendente de gestão de talentos de uma grande instituição financeira do país, Maria Carolina Gomes, a escolha por um ambiente de trabalho mais aberto, além de proporcionar aumento de produtividade, é um caminho sem volta. Com tamanha fome de conhecimento, os jovens profissionais tendem a buscar ascensão mais rápida, e logo se tornarão gestores, contribuindo com a perpetuação desse modelo de trabalho. “Estamos vivendo uma revolução em que o ambiente colaborativo vai fazer parte do dia a dia de todas as pessoas”, garante a superintendente.

A dica para os gestores é compreender e aceitar a forma de agir dos novos talentos. O diálogo ajuda a revelar grandes colaboradores, com bagagem cultural enriquecida por experiências como intercâmbios e trabalhos voluntários. “Os jovens querem uma carreira mais acelerada e são muito impacientes, mas também são criativos e inovadores”, conclui Maria Carolina.

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