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Bem-Estar

Saúde à mesa de trabalho

Empresas incentivam funcionários a adotarem hábitos alimentares saudáveis para melhorarem a produtividade. Especialistas sugerem valorizar a hora do almoço e não passar muito tempo em jejum

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postado em 17/12/2012 10:28

Sarita González

Layanne Fernanda passou a comer melhor por causa da iniciativa da firma: duas vezes ao dia os funcionários recebem frutas (Gustavo Moreno/CB/D.A Press   ) 
Layanne Fernanda passou a comer melhor por causa da iniciativa da firma: duas vezes ao dia os funcionários recebem frutas

Com a correria do trabalho, muitos profissionais se preocupam apenas em cumprir tarefas, e nem percebem quando o estômago começa a reclamar. Além de ficarem longos períodos sem comer, também tendem a substituir uma refeição completa por alimentos gordurosos, como sanduíches de fast-food. O lanchinho funciona na hora, para matar a fome, mas pode provocar danos à saúde em longo prazo e acaba afetando o desempenho no trabalho. Cientes disso, empresas passaram a oferecer alternativas de alimentação saudável aos funcionários e conscientizá-los sobre o impacto dos maus hábitos alimentares no ambiente onde todo mundo passa a maior parte do dia.

Em Brasília, a imobiliária Lopes Royal adotou, há cerca de cinco anos, a prática de distribuição de frutas e barras de cereais para os funcionários duas vezes ao dia. Daniela Demartini, diretora de Gestão de Pessoas da empresa, conta que a ideia surgiu para preservar a qualidade de vida dos funcionários a partir da adoção de hábitos mais saudáveis. “Eles gostam tanto disso que, se a copeira demora alguns minutos para entregar as frutas, já começam a reclamar”, brinca. Segundo Daniela, a empresa também estimula os funcionários a praticarem ginástica laboral, além de participarem de clubes de corrida.

A auxiliar administrativa Layanne Fernanda, 22 anos, funcionária da imobiliária, usufrui da prática e passou a se alimentar mais vezes por dia. “Procuro não ficar muito tempo sem comer e me sinto mais disposta para fazer minhas tarefas ao longo do expediente”, conta. Quando se trata do almoço, Layanne prefere preparar a refeição em casa e levá-la para o trabalho. “Antigamente, o jeito era almoçar na rua, mas passei a levar minha comida para poder prepará-la do meu jeito e também para comer com mais calma no refeitório da empresa.”

Depois de participar do programa promovido pela PGR, o técnico administrativo Alexandre Leles perdeu 5kg  (Mariana Raphael/Esp.CB/D.A Press) 
Depois de participar do programa promovido pela PGR, o técnico administrativo Alexandre Leles perdeu 5kg


Apoio do governo

Quem busca inspiração para desenvolver um programa como esse na própria empresa pode procurar o Programa de Alimentação do Trabalhador (PAT), do Ministério do Trabalho e Emprego (MTE), que atende 15,8 milhões de trabalhadores no país. As companhias que buscam incentivar seus funcionários a ter uma alimentação mais nutritiva aderem voluntariamente ao programa e recebem benefícios fiscais do governo.

De acordo com a coordenadora do PAT, Maria Flor de Lys Lopes, o objetivo é melhorar as condições nutricionais dos trabalhadores, além de aumentar a resistência a doenças e reduzir riscos de acidentes de trabalho. Mais de 10 mil fornecedoras de alimentos e 194 prestadoras de serviço de alimentação coletiva estão cadastradas no programa. Além disso, até setembro deste ano, cerca de 167 mil empresas estavam inscritas.

Entretanto, empresas e órgãos do governo não vinculados ao PAT também podem ter programas internos de hábitos saudáveis para os trabalhadores. A Procuradoria Geral da República (PGR) possui um programa próprio de reeducação alimentar voltado aos servidores, o Equilibra. Antes focado apenas em quem estava acima do peso, agora, o projeto abrange todos os profissionais que buscam uma alimentação mais adequada. “Com base em relatos de servidores, resolvemos expandir a ideia. A mudança de hábitos é importante para quem se alimenta mal. Emagrecer é apenas consequência”, explica a nutricionista  Amanda Branquinho, uma das coordenadoras do programa.

Segundo ela, a partir do mês de agosto de cada ano, ocorrem dez encontros durante o expediente, que incluem teoria e prática. “Além de receberem dicas sobre alimentação saudável, os servidores descobrem como preparar refeições diferentes e mais nutritivas. Eles acabam aprendendo, no ambiente de trabalho, a se alimentar bem também em casa”, ressalta.

O técnico administrativo Alexandre Leles, 28 anos, participou do programa e perdeu 5kg. “Eu costumava recorrer a besteiras para matar a fome, mas não tinha muita disposição durante o expediente”, confessa. Ele conta que, durante o programa, os servidores recebiam desafios, como passar a beber dois litros de água por dia ou comer mais frutas. “Com o tempo, vi que os desafios se transformaram em hábitos, já que me estimularam a buscar resultados concretos”, comemora.

Menos impostos
O PAT, criado pela Lei nº 6.321 de 1976, é destinado a todos os trabalhadores, mas tem como prioridade os empregados que ganham até cinco salários mínimos mensais. Empresas interessadas em aderir ao programa podem acessar o site portal.mte.gov.br/pat. A validação é imediata. É possível escolher entre gerir o próprio serviço de alimentação ou terceirizá-lo.

“Ficar muitas horas sem comer acaba reduzindo o nível de glicose no sangue. Consequentemente, a pessoa fica fraca e pode até desmaiar”

Raquel Brás, professora de nutrição da UnB

Rotina
Confira as dicas para uma boa alimentação na empresa:


» Levar frutas e castanhas para comer ao longo do dia
» Tomar café da manhã reforçado antes de iniciar o expediente
» Comer a cada três horas
» Não ingerir líquidos durante o almoço, apenas meia hora depois
» Ao levar almoço para a empresa, tomar cuidado para mantê-lo em condições de temperatura adequadas
» Não almoçar à mesa de trabalho
» Mastigar bem os alimentos

Mais frutas no cardápio Para a professora do curso de nutrição da Universidade de Brasília (UnB) Raquel Brás, uma boa alternativa para manter hábitos saudáveis no local de trabalho é levar frutas e castanhas para a empresa. “Ficar muitas horas sem comer acaba reduzindo o nível de glicose no sangue e, consequentemente, a pessoa fica fraca e pode até desmaiar”, alerta. Ela explica que quem pula o café da manhã, por exemplo, acaba comendo além da conta no almoço. “Jejum prolongado provoca perda de concentração da pessoa e, no trabalho, fica ainda mais difícil render. Alimentar-se a cada três horas é o ideal.”

A nutricionista ensina que, na hora do almoço, não adianta tentar enganar o estômago ao optar por comer sanduíches de fast-food, por exemplo, só para ter a sensação de saciedade. De acordo com Raquel, esses alimentos não possuem vitaminas e fibras e, em contrapartida, contêm grande quantidade de sódio e gordura. “O resultado é uma digestão mais lenta. Nada melhor do que almoçar refeições completas e com elementos mais nutritivos”, destaca. Para facilitar a digestão e proporcionar rendimento ao trabalhador no retorno às atividades, a especialista também recomenda ingerir líquidos apenas meia hora após a refeição. “Líquido ingerido com a comida ajuda a dilatar o estômago, sobretudo se for refrigerante, que contém gás”, salienta.

Para Raquel, preparar a comida em casa e consumi-la no trabalho pode ser uma alternativa para se alimentar melhor. É necessário, porém, tomar alguns cuidados com o transporte e a manutenção do alimento para evitar a proliferação de bactérias. “O ideal é levar a comida em uma bolsa térmica ou deixá-la no refrigerador da empresa até a hora de almoçar”, orienta. Ela aconselha evitar fazer a refeição à mesa de trabalho, e aproveitar da melhor forma possível o almoço.

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