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Negócios

Para evitar a falência

Casos de fracasso são mais comuns entre as micro e pequenas empresas. Três empreendedores contam como conseguiram sair do vermelho e alavancar os negócios

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postado em 17/12/2012 10:29

Mariana Niederauer

 

O número de pedidos de falências diminuiu de 152 em outubro para 136 em novembro, de acordo com o Indicador Serasa Experian de Falências e Recuperações, divulgado na última segunda-feira. Apesar do sinal positivo, as micro e pequenas empresas ainda são as que mais sofrem com o problema: 57% dos pedidos vêm desses negócios. Entres as razões mais comuns que levam a fechar as portas estão a falta de planejamento e de adaptação às tendências do mercado. De acordo com especialistas, a preocupação com o sucesso da empresa deve continuar mesmo depois que a marca estiver consolidada.

Os cuidados começam logo na hora de abrir o negócio. O consultor diretor do Grupo Candinho de assessoria contábil, Glauco Pinheiro da Cruz, explica que os primeiros passos incluem a análise do mercado e a verificação de quais são os potenciais clientes, fornecedores e concorrentes. Outra orientação importante é conferir se a atividade pode ser exercida no ponto comercial escolhido e procurar os órgãos controladores para atender todas as exigências legais. Cruz também indica a elaboração do plano de negócios para saber qual o capital investido, custos e o retorno do investimento.

Ele destaca que é possível fazer esse controle por meio de planilha eletrônica, mas o ideal é ter um sistema de controle financeiro. “Hoje, há vários no mercado com custos baixos”, afirma. Para o especialista, outro grande erro do empreendedor é não separar o negócio da vida pessoal. “Misturar as contas da empresa com as contas pessoais faz com que não haja controle e o empresário acaba por não saber se tem rentabilidade ou não”, explica.

Entre as barreiras relacionadas pelos empresários para manter o negócio aberto estão os custos fixos, que são altos no Brasil. Carlos Wizard Martins, autor do livro Desperte o milionário que há em você, defende, no entanto, que eles não devem ser encarados como obstáculos. “Pensar que os valores são altos demais e atrapalharão o crescimento da empresa é acabar com o sonho antes mesmo de ele começar”, afirma.

Estabilidade parcial
Apesar de o nível de falência ser bem menor entre as firmas que estão no mercado há mais de cinco anos, a instabilidade pode atingir até mesmo negócios consolidados. Para Carlos Wizard, esse é o momento de se pensar em novas estratégias de crescimento, o que pode significar a ampliação da equipe ou a inauguração de espaços para novos canais de negócios. “Quando a empresa passa a viver em um cenário estático, ela abre oportunidades para que a concorrência se destaque com inovações. Além disso, à medida que ela se expande, jamais pode perder o foco no atendimento e na satisfação do cliente”, alerta.

O sucesso das micro e pequenas empresas é importante não só para os empresários que estão à frente delas, mas também tem impactos na economia brasileira. Elas são grandes geradoras de emprego e de renda para o país. “Eu acredito que o brasileiro está apreendendo a empreender e inovar. No momento, essas são as palavras mais citadas no Brasil. Em resumo, essas duas ações somadas são formas de sucesso no mundo todo”, explica Tecia Vieira Carvalho, vice-presidente da Rede de Incubadoras de Empresas do Ceará (RIC).

Ela ressalta, no entanto, que nem sempre uma boa ideia vai virar um grande negócio, por isso, é importante ter cuidado e, acima de tudo, planejar. “Planos de negócios ou modelos de negócios bem elaborados são ferramentas essenciais para as empresas darem certo”, afirma. Tecia destaca instituições como o Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae), o Instituto Euvaldo Lodi (IEL), as incubadoras de empresas como locais em que o empreendedor pode buscar apoio ou formação.

O próprio presidente da Associação Comercial Jovem do Distrito Federal já enfrentou uma falência. Rafael Mazzaro, 30 anos, tinhas apenas 20 quando a empresa do pai, da qual foi administrador, fechou as portas. Ele acredita que o erro foi a má gestão e falta de visão para investir na atualização, algo que os concorrentes já estavam fazendo. Hoje, ele se qualificou e, depois de pesquisar e planejar, investiu em outro negócio. “Sem isso, você não consegue abrir uma empresa que tenha vida sólida”, relata.

Consultoria
Esta semana termina o treinamento de 100 agentes locais de inovação do Sebrae-DF. Cada um deles vai prestar consultoria a 50 micro ou pequenas empresas da cidade nos setores de comércio varejista, indústria da transformação e serviços. O atendimento só começa no ano que vem e os interessados poderão entrar em contato pelo telefone 0800-570-0800 para mais informações. O superintendente do Sebrae-DF, Valdir Oliveira Filho, explica que a consultoria é gratuita e os agentes vão ajudar o empreendedor a fazer um diagnóstico e definir o que pode melhorar. “O empreendedor precisa se conhecer e conhecer o mercado em que está inserido”, sugere o superintendente.

Inimigos dos empresários

As cinco principais razões para falência de acordo com estudo do Sebrae:
1. Desconhecer as necessidades do consumidor
2. Depender de poucos fornecedores ou clientes
3. Não obter vantagens competitivas
4. Dimensionar mal o nível de endividamento
5. Ignorar variáveis e tendências de mercado

Persistência

 (Gustavo Moreno/CB/D.A Press    ) 

O sonho da fisioterapeuta Regina Nunes Soares de tornar-se empreendedora esbarrou no alto custo do aluguel da loja em que seu Spa, o Hadassa Maison, ficava, na Asa Sul. Cerca de um ano depois, ela precisou fechar as portas do estabelecimento e percebeu que só conseguiria reerguer o negócio se optasse por instalá-lo fora da zona central da cidade. “Eu não estava conseguindo arcar com os custos fixos da empresa”, relata. Há três anos, trocou o imóvel de 47m² por um de 140m² com aluguel menor, localizado em Vicente Pires. Regina repensou o negócio, dedicou-se a um planejamento detalhado, em que levou em conta até mesmo a renda per capita dos moradores. “Os preços que eu cobro aqui são completamente diferentes dos que eu cobrava no Plano Piloto, mas, em compensação, o número de clientes é infinitamente maior”, destaca. Regina reclama da dificuldade em conseguir crédito e também em fidelizar os clientes. Para evitar contrair dívidas, na carteira da empresária não entram mais cartões de crédito e ela passa longe do cheque especial.

Problema
Não conseguiu arcar com o aluguel e outros custos fixos da loja

Solução
» Alugou um local maior e mais barato, fora do centro da cidade
» Fez planejamento detalhado e pesquisa de mercado
» Deixou de contrair dívidas com cartão de crédito e cheque especial

Dedicação
 (Breno Fortes/CB/D.A Press) 

O principal erro do empresário Ricardo Lopes Costa, 32 anos, foi investir em negócios que não dominava e não se dedicar totalmente a eles. Aos 17 anos, abriu uma loja de móveis. Primeiro fracasso. Depois, teve uma lanchonete dentro de uma faculdade, mas o interesse apenas no resultado financeiro fez com que a dedicação ao trabalho ficasse em segundo plano. Fechou as portas mais uma vez. Na terceira tentativa, Ricardo começou a produzir cogumelos do sol e perdeu todo o investimento inicial. A solução veio do conselho da esposa e atual sócia do empresário. “Você tem que empreender na área que você conhece”, ela disse. O empresário resolveu deixar de lado a ambição e começou, de maneira tímida, a XTI Informática. Ele passou a trabalhar na área de tecnologia da informação, na qual tinha experiência. Foi aí que veio a decisão difícil: largar um emprego certo para se dedicar exclusivamente à empresa. Ricardo arriscou e não se arrependeu. “Tive vários momentos de dificuldade ao longo desses oito anos de empresa. Se estivesse fazendo algo de que não gostasse, teria largado”, relata.

Problema
Abriu empresas em áreas que não conhecia

Solução
» Começou a fazer o que gosta e o que conhece
» Passou a dedicar-se exclusivamente à empresa
» Não está interessado apenas no lucro do negócio

Reestruturação
 (Marcelo Ferreira/CB/D.A Press) 

Nos 21 anos de empreenderismo, Laércio Moura Júnior, 47 anos, nunca enfrentou uma situação tão difícil quanto há três anos, quando precisou fechar duas das quatro papelarias que tinha na cidade. “Se eu não tomasse a decisão de fechar onde o custo estava alto, eu não teria condições de manter nenhuma aberta”, relata. Laércio resolveu manter o foco onde o custo era menor e a receita maior e passou a vender materiais escolares por licitação para o governo, além de fazer um MBA em planejamento e gestão empresarial. Não foi uma transição simples. Ele levou dois anos para tomar a decisão e enfrentou a desconfiança dos fornecedores por ter fechado as lojas com maior visibilidade. Mesmo assim, não se arrependeu e alcançou uma margem de lucro maior. “Quando (o empresário) começa a ver que o negócio não está andando bem, tem que parar e colocar tudo no papel, receitas e despesas, e fazer uma reformulação”, aconselha.

Problema
Não conseguiu arcar com custos das quatro papelarias que tinha

Solução
» Vendeu as duas lojas localizadas em áreas mais nobres
» Focou nas unidades onde o custo é menor e a receita maior
» Passou a vender materiais escolares por meio de licitação
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