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Sem fronteiras

Em busca de aperfeiçoamento profissional, a maioria dos universitários está disposta a trabalhar em outros países. Vivência no exterior ajuda a ganhar pontos no currículo

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postado em 23/12/2012 16:07 / atualizado em 23/12/2012 16:12

Os universitários estão preparados para ir longe em busca de uma carreira mais sólida — até mesmo para o exterior. Segundo pesquisa feita pela rede de colaboração universitária Universia e pelo portal de trabalho on-line Trabalhando.com, 92% dos jovens trabalhariam fora de seu país de origem. O levantamento foi feito entre 11.937 estudantes de 10 países ibero-americanos. Desse percentual, 77% afirmaram que a experiência profissional poderia ser adquirida em qualquer área, mesmo uma completamente diferente daquela estudada na faculdade. O período de tempo ideal para se permanecer no exterior, para 47% dos entrevistados, é de um a três anos.

Para Carmen Bennet, gerente de Recrutamento e Seleção do Trabalhando.com, a demanda dos jovens por esse tipo de experiência faz parte da crença dessa geração de que a vivência internacional impulsionaria a carreira. Na verdade, não se trata de uma teoria infundada. “Ao voltarem para o país de origem, esses universitários contam com uma entrada melhor no mercado por terem vivenciado outras culturas, formado uma rede de contatos e terem aperfeiçoado a língua do país que visitaram”, garante Carmen.

Marcelo Ferreira/CB/D.A Press.


Mesmo que a experiência de trabalho seja totalmente fora da área de estudo do jovem, a vivência internacional pesa no currículo, principalmente em relação ao domínio do idioma, o maior benefício prático desses anos lá fora. Mas não basta constar no currículo que o universitário viajou para trabalhar se o retorno esperado em termos de fluência da língua não corresponder às expectativas. Segundo Patrícia Ventura, diretora de uma empresa de recursos humanos, não adianta nada sair do Brasil e conversar apenas com conterrâneos, por exemplo. “Se o jovem não adquiriu nenhum conhecimento técnico em sua área, o mercado vai avaliar o que ele aprendeu em termos de idioma. Se ele só conviveu com brasileiros, volta com a mesma bagagem que tinha”, explica ela. Patrícia ainda alerta: muitas empresas podem testar o profissional com uma entrevista de emprego em inglês.

Além do idioma, a experiência internacional contribui para o perfil do jovem como um todo. “Ao ver que o estudante foi para o exterior, os avaliadores vão perceber atitudes de uma pessoa arrojada, corajosa, que se arrisca”, resume Patrícia.

Intercâmbio diferente

A forma mais comum de procurar emprego no exterior é por meio de programas em agências especializadas, que recrutam jovens estudantes para atuar no setor de serviços de diversos países. Há opções de pacotes para quem quer trabalhar nas férias, em lugares como parques temáticos, e também para quem quer conciliar o emprego com o estudo do idioma. Ivana Valim, diretora regional de uma agência, explica que, mesmo que o universitário vá trabalhar em algo que não estudou na faculdade, a viagem é uma excelente forma de se garantir no mercado. “A experiência internacional mostra que o universitário tem flexibilidade e capacidade de lidar com mundos diferentes”, ressalta.

Países da América do Norte e da Europa são muito populares nesse caso, mas uma novidade que tem recebido adesão cada vez maior é a possibilidade do trabalho voluntário. Os estudantes viajam para países com condição socioeconômica frágil, como Índia, Peru e regiões da África. Segundo Gabriela Novaes, supervisora de uma agência que vende esses pacotes, a preferência nesses casos é por estudantes de assistência social, biologia e veterinária, para atuar em locais como escolas e zoológicos.

Se trabalhar no exterior enriquece o currículo, uma experiência voluntária pode trazer retornos ainda maiores na futura carreira do profissional. “É um grande diferencial pela questão da doação. O jovem de classe média tem um amadurecimento e um choque de realidade, e assim acaba aprendendo muito”, pontua Gabriela.

No entanto, o estudante que se interessar pelo intercâmbio precisa ter dinheiro para o investimento. Os custos de um programa como esses começam a partir de US$ 2,3 mil, algo em torno de R$ 4,7 mil. Para o estudante de turismo Leandro Coelho, 20 anos, essa ainda é a forma mais econômica de garantir fluência em uma língua estrangeira. No ano passado, Leandro trancou a faculdade para ir trabalhar no Canadá. O universitário atuou como empregado em mercados e lojas de roupas. Segundo ele, o salário era suficiente para se manter, o que compensava o investimento inicial. Ao voltar para o Brasil, Leandro conseguiu emprego em uma agência de intercâmbio.

“Foi ótimo porque melhorei o inglês, fiz curso de fotografia e aumentei meu currículo em outras áreas”, conta o rapaz. O jovem lembra, porém, que não adianta ir sem ter nenhum conhecimento da íngua. É necessário ter um nível de inglês no mínimo intermediário para lidar com os chefes e os colegas no exterior.

Dicas para o futuro

Para o universitário que tem uma renda disponível, viajar a trabalho pode ser relativamente fácil. Um pouco mais difícil é arranjar um emprego no exterior depois de formado. Patrícia Ventura explica que, devido à crise mundial, o fluxo de profissionais caminha no rumo inverso. “Agora, as pessoas estão vindo para o Brasil”, afirma. No entanto, essa nova dinâmica não impede os jovens de enfrentarem o mercado lá fora.

A recomendação é buscar universidades que tenham convênio com instituições de ensino internacionais, de preferência que forneçam bolsas de pós-graduação. Outro caminho, segundo Patrícia, é procurar empresas multinacionais com matrizes espalhadas pelo mundo. O inglês, obviamente, nem deve figurar como uma opção de língua estrangeira — o idioma é obrigatório. Para quem quiser se destacar, Patrícia aconselha correr para um curso de língua espanhola, demanda que começa a ter a mesma relevância que o inglês tinha. “Hoje em dia, é muito difícil encontrar alguém fluente em espanhol”, reclama Patrícia.
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