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Meu primeiro emprego

Depois da colação de grau, o desafio dos formandos é garantir a vaga no mercado de trabalho. Mais de 2,3 milhões de brasileiros conseguiram uma em 2012

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postado em 07/01/2013 10:33 / atualizado em 07/01/2013 10:34

Pose para a foto de formatura da turma de desenho industrial. Clic! Formados, mas desempregados: Samuel Amorim, 26 anos, acabou de conseguir o diploma e vai continuar fazendo trabalhos como freelancer enquanto se especializa. Após cinco anos na faculdade, Isadora Tupinambá, 22, pretende viajar para o exterior antes de abrir o próprio negócio de estamparia em superfícies. Já a colega Cibele Varão, 23, não vê a hora de dar o grito de independência e conquistar o primeiro emprego formal. “Não tenho a menor ideia do que vai acontecer daqui para frente”, assume.

Com o número crescente de faculdades em todo o país e as mudanças nos critérios nacionais de avaliação do ensino, a quantidade e a qualidade dos candidatos em algumas áreas aumentaram. O mercado está aquecido também para os brasileiros formados pelo ensino técnico. “Tem muita gente boa por aí. Destacar-se da maioria está cada vez mais difícil”, analisa Cibele, a mais nova desempregada. “Já entreguei um monte de currículos. Agora, estou esperando o retorno. Vamos ver no que vai dar.”

Preparação

Para evitar problemas na hora de se candidatar pela primeira vez a uma vaga de trabalho, a recomendação de Lúcia Garcia, coordenadora da Pesquisa de Emprego e Desemprego (Sistema Ped) do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese), é ter planejamento. “O importante é se preparar o quanto antes e valorizar a formação e o ensino na idade certa”, ela destaca. Na avaliação de Lúcia, o Brasil mantém um ambiente propício para a contratação de quem sai da universidade ou conclui uma formação técnica. “Basta fazer uma escolha consciente da área e se preparar para o mercado.”

Dados do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged) mostram que mais de 2,3 milhões de brasileiros conquistaram o primeiro emprego com carteira assinada em 2012. Segundo o levantamento, os setores mais oportunos para candidatos sem experiência formal são os de serviços, de comércio e, em terceiro lugar, de indústria e transformação. “Não adianta o jovem escolher uma atividade cuja demanda profissional seja limitada”, explica Lúcia. A área industrial, por exemplo, é considerada estratégica para o desenvolvimento do país e, por isso, o mercado de trabalho vem oferecendo melhores chances aos técnicos e bacharéis em atividades ligadas a tecnologia e a produção.

Outra forma de não sofrer com a procura pelo primeiro emprego é estabelecer bons contatos durante os estudos. “O jovem precisa se arriscar, distribuir currículos, participar de muitos processos de seleção. Não há o que temer”, garante a coordenadora do Sistema Ped. De acordo com ela, a etapa é essencial para o amadurecimento profissional do candidato, que deve aprender a lidar com a frustração.

Uma vez contratado, a dica da especialista é permanecer no emprego por, no mínimo, um ano. Ela argumenta que a ansiedade do recém-selecionado em alcançar uma remuneração cada vez maior pode ser prejudicial. “Muitos jovens que acabaram de ser contratados desistem da oportunidade porque recebem propostas em outros lugares com salários apenas um pouco maiores. Isso demonstra falta de maturidade e revela que o candidato busca dinheiro, e não experiência. O ideal é conciliar os dois desejos”, opina Lúcia.

Teoria e prática
A estudante de psicologia Yarla Carneiro é estagiária de uma empresa de administração de cartões de crédito há 10 meses e conta que aproveitou o período para ouvir as dicas dos colegas mais experientes. Além disso, aprendeu a conviver com os perfis diferentes em prol dos bons resultados para a companhia. “Aqui, estagiário trabalha como funcionário. Ninguém fica servindo cafezinho. A experiência também serviu para eu mostrar o meu talento.”

Deu certo: aos 22 anos e às vésperas da formatura, Yarla acaba de receber a notícia de que será efetivada. “Não foi fácil conciliar com a faculdade, mas, no fim, valeu a pena. Não passei pela angústia que a maioria passa”, ela confirma.

Para a supervisora de Processos Seletivos Especiais do Centro de Integração Empresa-Escola (Ciee), Noely David, na disputa pelo primeiro emprego, ganham vantagem os candidatos que mais conseguiram acumular vivências profissionais complementares aos estudos. “Os estágios são fundamentais nessa hora”, afirma. Para a maioria das empresas, o período de treinamento prático preenche a exigência da experiência anterior, além de ajudar o candidato a conhecer melhor o mercado. “Quem relaciona teoria e prática aumenta as chances de contratação rápida”, sugere a especialista.

Camila Almeida decidiu seguir à risca essa receita antes mesmo de concluir o ensino médio. Aos 19 anos, ela concilia os estudos em uma escola pública de Samambaia à primeira experiência profissional como jovem aprendiz na mesma empresa onde Yarla acaba de ser contratada. “O que aprendi no trabalho não tem preço. Eu me sinto muito mais preparada que os meus colegas do colégio que ainda não trabalham”, compara a estudante.

Experiência
O jovem aprendiz precisa ter entre 14 e 24 anos e estar matriculado em um Programa de Aprendizagem numa Organização Não Governamental, escola técnica ou Sistema S. É diferente do estagiário porque a contratação deles é obrigatória às médias e grandes empresas. Já o estagiário não cria vínculo empregatício com a companhia, pode receber bolsa-auxílio ou outra forma de compensação que venha a ser acordada, e a prática nesse cargo deve ser compatível com a formação e horário escolares.
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