SIGA O
Correio Braziliense

publicidade

Avaliação

Cadê o retorno?

Maioria das empresas não tem programas de feedback e prefere a conversa informal com o funcionário

INFORMAÇÕES PESSOAIS:

RECOMENDAR PARA:

- AMIGO + AMIGOS
Preencha todos os campos.

postado em 21/01/2013 10:10


Samuel Polastrini sentiu-se motivado pelos retornos que recebia a cada projeto concluído: crescimento na carreira (Viola Júnior/Esp. CB/D.A Press ) 
Samuel Polastrini sentiu-se motivado pelos retornos que recebia a cada projeto concluído: crescimento na carreira

Uma conversa previamente agendada entre gestor e colaborador pode funcionar como um termômetro de resultados muito eficaz. No entanto, essa prática, cuja eficiência é atestada por especialistas do mundo inteiro, não conquistou muitos adeptos no Brasil. Pelo menos é o que mostra a pesquisa feita pela empresa de recrutamento Page Assessment. Segundo o levantamento, apenas 20% das companhias no país possuem um programa de feedback formal (fazem avaliações regulares dos funcionários). Os 80% restantes preferem o método informal, sem frequência garantida.

A justificativa para essa baixa adesão, de acordo com a gerente da Page Assessment Giuliana Menezes, é o fato de que um programa formal de retorno para os colaboradores é bem mais difícil e caro. Ao contrário de pequenas reuniões informais, uma avaliação desse calibre é coordenada pelo departamento de Recursos Humanos e envolve um comprometimento maior, uma vez que a frequência é garantida. “Essas avaliações exigem engajamento dos gestores e apresentam um custo mais alto. É mais cômodo não fazer”, afirma a gerente. Para a especialista, no entanto, essa visão não é estratégica em curto prazo, afinal, o funcionário só permanece na empresa onde se sente valorizado. “Se eu não sei com quem posso contar na minha equipe para ser um futuro gerente, isso dificulta o crescimento”, exemplifica Giuliana. O barato, com o passar do tempo, pode sair muito caro.

Pratas da casa
A principal vantagem de um programa de feedback formal é a retenção de talentos. Ao expor desempenho e sugestões, a prática estimula o colaborador que tem interesse em crescer dentro da organização. O funcionário ganha em reconhecimento e a empresa, em produtividade. Para a consultora de Recursos Humanos Liz Bittar, esse bate-papo apresenta inúmeros pontos positivos (ver quadro). “A prática constante de feedback é uma poderosa ferramenta para aparar arestas de comunicação, alinhar estratégias e planos de ação e fortalecer relacionamentos, melhorando assim o clima e a motivação das equipes”, ela resume. Nas empresas onde é feito, impera o método da meritocracia. Menções positivas, quase sempre, resultam em promoções. Assim, trata-se de uma lógica que privilegia os melhores. “Os profissionais querem esse tipo de avaliação, pois compreendem que elas ajudam a galgar degraus dentro da empresa”, explica a gerente Giuliana Menezes.

No caso de Samuel Polastrini, 23 anos, as avaliações serviram como um trampolim para a carreira. Ele ingressou em uma empresa multinacional de assessoria tributária há três anos, quando estava recém-formado, ainda como trainee. A cada projeto concluído, recebia uma avaliação do desempenho, o que ocorre até hoje. Ao perceber que o esforço seria reconhecido, o jovem agarrou a oportunidade de mostrar serviço e, agora, ocupa o cargo de assistente de auditoria. Outra promoção deve vir em breve.

Com base nessa experiência pessoal bem-sucedida, Samuel acredita que os feedbacks foram fundamentais para desenvolver um plano de carreira e mirar alto. “Acho muito interessante, porque auxilia no desenvolvimento, ajuda o profissional a identificar e aprimorar os pontos fracos e manter os pontos fortes”, opina.

Bate-papo
Para a consultora de Recursos Humanos Cíntia Bortotto, uma avaliação de desempenho, seja mensal ou anual, deve vir acompanhada da conversa diária. “Não adianta só o feedback formal, se não tem aquele bate-papo informal no dia a dia, em que o gestor pode aproveitar para corrigir e reforçar a percepção que tem do funcionário.”

Por outro lado, o diálogo mais informal também apresenta riscos à organização. A consultora Liz Bittar alerta: tudo deve ser feito com a maior discrição, principalmente quando a crítica não for positiva. “Ao ser comunicado na presença de terceiros, o feedback informal, especialmente se for negativo, pode ferir susceptibilidades e promover conflitos internos, causando uma ruptura no relacionamento entre gestor e funcionário”, explica.

“Os profissionais querem esse tipo de avaliação, pois compreendem que ela ajuda a galgar degraus dentro da empresa”
Giuliana Menezes, gerente na Page Assessment


Saiba mais
Confira quais são as vantagens do feedback formal, de acordo com a consultora de Recursos Humanos Liz Bittar

  • Esclarecer as metas de desempenho para o funcionário
  • Orientar o colaborador no alcance de metas
  • Reconhecer os esforços e o progresso efetivo
  • Corrigir eventuais falhas
  • Alinhar estratégias e planos de ação
  • Aparar arestas na comunicação
  • Fortalecer o relacionamento, criando um elo de confiança e parceria
  • Melhorar o clima organizacional
  • Fomentar o comprometimento do funcionário
  •  Escutar os colaboradores e definir ações para vencer dificuldades sofridas tanto pelo funcionário, quanto pela empresa
Tags:

publicidade

publicidade