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Caça aos técnicos

A indústria brasileira vai criar 1,1 milhão de postos de trabalho até 2015. O desafio será encontrar profissionais preparados para ocupá-los

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postado em 28/01/2013 10:08


Jecivaldo Oliveira, 23 anos, trabalha na construção civil, área relacionada entre as que têm maior demanda (Iano Andrade/CB/D.A Press ) 
Jecivaldo Oliveira, 23 anos, trabalha na construção civil, área relacionada entre as que têm maior demanda

Mesmo com o crescimento fraco da economia, as estatísticas mostram que a indústria brasileira não vai parar de contratar. Pelo contrário, são os profissionais desse setor que vão ajudar a impulsionar o desenvolvimento do país. Serão 1,1 milhão de vagas abertas para profissionais de nível técnico e de média qualificação até dezembro de 2015, de acordo com o Mapa do Trabalho Industrial, elaborado pelo Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial (Senai). Quem investir em qualificação nas áreas que mais precisam de mão de obra sairá na frente e poderá ganhar mais do que imagina: a escassez desses trabalhadores começa a incentivar a alta dos salários.

Levantamento feito com exclusividade para o Correio a partir dos dados do Mapa do Trabalho mostra que, no Distrito Federal, haverá uma demanda de 7,2 mil profissionais de nível técnico e de média qualificação até o fim de 2015, período em que 10 áreas de formação reunirão 82% dessa necessidade de trabalhadores na capital. Para se ter uma ideia, a indústria de alimentos representará 45% dos novos empregos, seguida pela de metal-mecânica, com 11%. As áreas de eletroeletrônica, informática e energia e telecomunicações serão responsáveis, cada uma, por 5% da absorção desses profissionais.

A coordenadora de Educação Profissional da Secretaria de Educação do DF, Valéria Cristina de Castro Gabriel, explica que até a formação nessas áreas passa por mudanças para suprir a carência atual. “Por um longo tempo, o Brasil não tinha um olhar voltado para o ensino profissional técnico, e, sim, para a graduação. A situação de crescimento do país, incluindo o Distrito Federal, exigiu uma reorganização da oferta de educação, já que, hoje, a demanda por profissionais técnicos é muitas vezes maior do que demanda por profissionais de nível superior.”

Márcio Guerra, gerente executivo adjunto da unidade de Estudo e Prospectiva da Confederação Nacional da Indústria (CNI), explica que a estimativa dos novos postos de trabalho é feita a partir de estudos do comportamento da economia para os próximos anos. Dessa forma, o mapa pode subsidiar a oferta de cursos nas redes de ensino técnico do país de acordo com a demanda por mão de obra na indústria, além de orientar os jovens por meio de um direcionamento a áreas com mais oportunidades. “A partir do momento em que o jovem tem conhecimento das áreas mais carentes, ele passa a escolher melhor o que vai estudar e encurta o caminho para ingressar no mercado de trabalho”, explica.

Dados do mapa revelam ainda uma oferta de 204.632 vagas até 2015 em áreas que exigem domínio de matemática aplicada, programação de computadores e softwares. É o equivalente a 51 mil postos de trabalho por ano. Fellype Lorran, 21 anos, iniciou um curso técnico em eletrotécnica quando ainda estava no ensino médio. A formação permitiu que entendesse melhor a área e, agora, ele busca uma graduação em engenharia elétrica. “Acredito que é importante ter formação técnica antes da graduação, pois existem diversos problemas e situações que não são abordados no ensino superior, e alguns que até preparam o aluno para a graduação”, conta.

Tendência mundial
“Sempre que o Brasil passa por um ciclo de desenvolvimento, ele deve dar um salto na formação de profissionais técnicos. Além disso, o trabalho mudou: com a informatização, o operário deve ter uma visão mais ampla, e tudo isso faz com que a indústria brasileira apresente maior demanda por profissionais qualificados”, explica o secretário substituto de Educação Profissional e Tecnológica do Ministério da Educação (MEC), Aléssio Trindade. De acordo com o especialista, o técnico é quem coordena a execução das etapas produtivas e garante a qualidade dos processos, além de tornar-se um elo de comunicação com as cadeias superiores de uma empresa.

Hoje, apenas 6,9% da população em idade escolar opta pelo ensino profissional, número escasso frente a países em desenvolvimento, como Argentina, onde o índice é de 34%, Chile, com 30%, e Indonésia, com 17%, de acordo com dados da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE). Em economias desenvolvidas, o índice é ainda mais alto. No Japão, esse percentual chega a 55%, e na Alemanha, a 52%.

As companhias que mais contratam profissionais de nível técnico e de média qualificação no Brasil são as construtoras, empresas de prestação de serviços à indústria, fábricas de veículos, de máquinas e equipamentos, de alimentos e bebidas e de roupas e acessórios. Elas são responsáveis por 52% das colocações desses trabalhadores no mercado, gerando um total de 625 mil vagas (veja a tabela).

Além da grande oferta de vagas, algumas profissões de nível técnico oferecem salários atraentes. Entre as 15 com maior demanda, o salário médio de um recém-contratado é de R$ 2,4 mil. No Distrito Federal, essa marca ultrapassa o salário médio inicial de profissionais graduados em terapia ocupacional, arquivologia e museologia, que é de aproximadamente R$1,3 mil.

Danusca Tokarski, diretora do Instituto Centro Oeste de Educação e Pesquisa do Distrito Federal (ICEP-DF), reforça que o curso técnico permite um ganho salarial acima da média e auxilia a projeção profissional do trabalhador. “A demanda por pessoas com formação técnica no mercado é maior que a oferta. Isso faz com que haja uma valorização significativa do salário. Os cursos técnicos também dão muita autonomia ao profissional, que consegue se impor com mais facilidade do que em outros segmentos”, explica.

Ponto de partida
Os conhecimentos obtidos no ensino técnico funcionam como ponto de partida da qualificação profissional até para quem almeja cursar uma graduação. Para a analista de educação no Senai, Zuleica Ferreira, a escolha do jovem por essa modalidade de ensino é um passo importante para se obter reconhecimento na área de atuação. “O profissional tem condições de financiar uma graduação logo após a conclusão do ensino técnico e de continuar atuando em sua área com muito mais propriedade”, explica.

Jecivaldo Oliveira, 23 anos, optou por esse caminho. Sem condições de arcar com uma formação universitária, ele concluiu que poderia atuar na área de interesse e aproveitar a boa fase econômica do país com o curso profissionalizante. Em 2009, ganhou uma bolsa no Senai para o curso de técnico em construção civil. Essa é uma das ocupações mais demandadas, de acordo com a projeção da CNI. O país precisará de 16 mil desses funcionários até 2015.

 “O aprendizado foi muito grande, porque nós estudamos tudo sobre novas tecnologias e tendências de mercado”, relata. Jecivaldo acabou escolhido como aluno destaque do Senai-DF e foi convidado a atuar como instrutor em sua área depois que representou o Brasil na competição mundial de educação profissinal WorldSkills. Hoje, ele ganha cinco vezes mais do que no emprego inicial, de vendedor de cosméticos. Além disso, decidiu fazer graduação em engenharia civil. “O curso técnico facilitou para que eu escolhesse a engenharia, porque a formação me deu uma boa base para as matérias específicas da graduação, além de experiência prática na área.”

Diferenças
Os cursos de formação inicial e continuada ou de qualificação profissional têm menor duração e possuem carga horária de, no mínimo, 160 horas. Os cursos técnicos têm como objetivo capacitar o aluno com conhecimentos teóricos e práticos em diversas áreas do setor produtivo, e apresentam carga horária mínima de 800 horas. Candidatos que tenham concluído o ensino fundamental podem entrar no curso, mas só recebem o diploma depois de terminarem o ensino médio.


Onde buscar formação

Instituto Federal de Brasília (IFB)
Inscrições: até 29 de janeiro, no site www.ifb.edu.br
Informações: (61) 2103-2154

Pronatec
Informações: pelo site pronatec.mec.gov.br ou no telefone 0800 61 61 61, opção 8

Senai
Inscrições: pelo site www.sistemafibra.org.br/senai, para novos cursos em abril
Informações: (61) 3353-8715 / 8718 / 8719

Centros de Educação Profissional (CEPs) e Centro de Ensino Médio Integrado do Gama (CEMI)
Neste semestre, serão ofertados 151 cursos, todos gratuitos. É preciso entrar em contato com cada uma das unidades

Secretaria de Trabalho do DF
Informações: pelo site www.trabalho.df.gov.br ou pelos telefones 3326-1379 ou 3328-5549

Consulta
No endereço sistec.mec.gov.br/consultapublicaunidadeensino, é possível conferir a lista completa de instituições credenciadas ao Ministério da Educação que oferecem qualificação

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