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Empregos à vista?

Pesquisa revela que o Brasil está entre os países que mais vão contratar no início de 2013. Especialistas sugerem investir nas redes sociais e acionar os contatos antigos para aproveitar o momento

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postado em 28/01/2013 10:08 / atualizado em 28/01/2013 12:42


Renata Cardoso é formada em artes cênicas e sai de casa cedo com os currículos em mãos para garantir uma colocação antes do carnaval (Bruno Peres/CB/D.A Press  ) 
Renata Cardoso é formada em artes cênicas e sai de casa cedo com os currículos em mãos para garantir uma colocação antes do carnaval

Jeniffer Rocha, de 23 anos, começou 2013 correndo atrás de um novo emprego. A recepcionista, casada e mãe de dois filhos, foi demitida depois de seis anos de trabalho porque, segundo ela, a empresa em que era funcionária precisou fazer corte nos gastos. Agora, a moça sabe que precisa se esforçar por um novo contrato de trabalho. “Que ele venha o mais rápido possível”, torce. Antes de sair de casa, em Taguatinga, Jeniffer ajeita o terninho básico, a maquiagem no espelho e as cópias do currículo dentro da bolsa como se fossem artilharia de guerra. “Estou pronta para a batalha. Até março, tenho fé de que estarei empregada de novo. Topo tudo! Não tem essa de ficar escolhendo demais”, garante.

No Sudoeste, na casa de Renata Cardoso, 36 anos, o dia começa cedo e a luta diária é grande para conseguir se colocar no mercado antes do carnaval. Formada em artes cênicas, Renata sofre com a falta de boas oportunidades como atriz e, por isso, precisa apostar na primeira vaga que aparecer. “Já fui telefonista, auxiliar de produção de eventos, vendedora, secretária e até funcionária de um pet-shop.” Sem emprego há três meses, para ela, o mais difícil é ter de se privar de fazer o que gosta. “Toda vez que penso nas contas para pagar, ponho um monte de currículo embaixo do braço e saio batendo de porta em porta. Não tenho escolha.”

Para Jeniffer, Renata e outros 6,5 milhões de brasileiros que, de acordo com a Organização Mundial do Trabalho (OIT), estão à procura de emprego, 2013 é o ano ideal para quem não vê a hora de assinar a carteira de trabalho. A empresa de consultoria internacional CareerBuilder fez um levantamento com mais de 6 mil profissionais de Recursos Humanos (RH) de 10 das maiores economias do mundo e revelou que o Brasil tem a maior expectativa de aumento no quadro de funcionários em 2013. Ao todo, 71% das empresas com sede no país devem contratar novos empregados (veja o gráfico).

A consequência direta disso é, de acordo com a pesquisa, a geração iminente de novos postos de trabalho, o que não significa que o número absoluto de desempregados caia. A previsão da OIT é de que a taxa de desemprego em toda a América Latina cresça de 6,6% em 2012 para 6,7% em 2013 e alcance o índice de 6,8% até 2014. O professor da Faculdade de Economia da Universidade de São Paulo (USP) Hélio Zylberstajn explica que esse aumento na taxa de desemprego ocorre quando o número de pessoas que buscam vagas é maior do que o número de contratações. Como o mercado de trabalho é muito sazonal, a taxa acumulada no fim do ano pode apresentar aumento. “Em dezembro, por exemplo, a taxa de desemprego é menor porque as pessoas não estão procurando emprego.”

O programador Uenderley Montenegro acaba de conquistar uma vaga (Bruno Peres/CB/D.A Press) 
O programador Uenderley Montenegro acaba de conquistar uma vaga

Chave do sucesso
Segundo o professor Cristiano Rosa, especialista em RH do Instituto Brasileiro de Tecnologia Avançada (IBTA), em São Paulo, é preciso ter estratégia para garantir uma vaga no mercado. Ele explica que é comum algumas empresas aproveitarem os primeiros meses do ano para investir em setores que produzam resultados objetivos, como, por exemplo, a área comercial. “Há muitos empresários que esperam janeiro para dar uma guinada nos negócios, o que aumenta as chances dos candidatos”, explica o professor.

Isso não quer dizer que todos os setores estejam contratando. De acordo com Rosa, ter um plano B sobre a área de atuação é fundamental. “O bom profissional é aquele que está aberto às novas possibilidades. Se a sua profissão não tem oferecido boas oportunidades, talvez seja a hora de procurar outro posto de trabalho”, sugere o especialista. Segundo o levantamento da CareerBuilder, as carreiras no Brasil com mais demanda no momento são as das áreas de tecnologia, de administração e as que lidam com o público, como comércio e atendimento ao cliente.

Restabelecer contatos antigos, ligar para amigos e parentes, e até contatar os ex-chefes e velhos colegas de trabalho pode ajudar a tornar essa busca menos dolorosa. É o famoso QI (quem indica), uma forma de o mercado dar reconhecimento ao profissional por meio dos contatos que ele estabelece. “A contratação por indicação existe em todo lugar, e apesar de a maioria das pessoas pensarem o contrário, ela é legítima. Só é indicado quem merece e, se o contratado não for bom no que faz, ele não se mantém no emprego”, defende o professor.

Estratégia na internet

“Para qualquer profissional antenado, saber gerenciar os perfis nas redes sociais da internet é tão importante quanto ter um bom marketing pessoal”, ressalta a consultora de estratégias em RH Andrea Huggard. De acordo com ela, o uso da web como forma de identificar talentos é um caminho sem volta para todas as empresas. Andrea garante que, para contratar a pessoa certa, o recrutador busca todas as informações disponíveis, e a internet se tornou um aliado importante na hora de selecionar.

Por isso, é preciso, primeiro, estar conectado. Criar perfis em sites como Facebook, LinkedIn e You-Tube pode ser uma boa ideia, porque eles ajudam a ampliar a rede de contatos. Outra recomendação é cadastrar o currículo em páginas de recrutamento. Mas atenção: é preciso ter cuidado com o que se posta na rede, porque os futuros patrões estão de olho.

Foi graças à internet e aos bons contatos profissionais que o programador Uenderley Montenegro,  21 anos, conquistou uma vaga de emprego assim que o ano começou. Apesar de estar cadastrado em algumas redes sociais voltadas para negócios, o jovem, que estava trabalhando em outra instituição, só ficou sabendo que a empresa onde está empregado atualmente havia aberto vagas porque um amigo dele o indicou, via web, para o processo de seleção da companhia.  

“As vantagens que me ofereceram foram essenciais para eu decidir mudar de trabalho. Aqui vou poder me desafiar, trabalhando com novas tecnologias e me atualizar profissionalmente”, revela. Cheio de perspectivas por causa da mudança, Uenderley pretende fazer um curso de inglês e, quem sabe, investir em uma segunda faculdade. “O ano começou muito bem para mim, mas eu não posso vacilar. O mercado exige cada vez mais da gente, e é preciso se atualizar para acompanhá-lo.”

Por dentro do mercado
Uma das formas de o trabalhador aumentar a probabilidade de conseguir emprego em 2013 é conhecer o mercado. Uma série de índices que já são divulgados no país conseguem mostrar, além das taxas de emprego e desemprego, questões de raça, de gênero, de faixa etária e de qualificação, que costumam influir nas contratações. Neste mês, a empresa de currículos e vagas on-line Catho e a Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas (Fipe) lançaram novos índices que também prometem ajudar a entender melhor o mercado de trabalho.

O primeiro deles é a taxa de desemprego antecipada. Enquanto o Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese) e o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) divulgam no fim do mês os dados relativos ao mês anterior, o novo indicador vai apresentar a taxa com 30 dias de antecedência. De acordo com a projeção, a taxa de desemprego em dezembro será de 4,4%. Se confirmada pela Pesquisa Mensal de Emprego (PME) do IBGE, será o menor índice desde o início da série histórica, em março de 2002.

Para o cálculo do indicador são usados dados da base de currículos da Catho — que tem, em média, 300 mil vagas ativas por mês — além de outras informações coletadas pela internet. Também foram lançados os índices de vagas por candidato e de salários ofertados. O primeiro mostrou que, em dezembro do ano passado, para cada novo currículo cadastrado on-line foi oferecida 1,08 vaga. O segundo índice mostrou que, nos últimos três anos, os salários ofertados cresceram em média 20,5%, enquanto as remunerações de contratados aumentaram 33,6%.

A economista e técnica do Dieese na PED Ana Maria Belavenuto acredita que a metodologia usada determina a relevância dos novos índices. Na opinião da especialista, eles devem complementar os estudos que já existem. “Se for uma coisa que amplia conhecimentos, com certeza vale a pena”, diz. O Dieese divulga na última quarta-feira do mês a Pesquisa de Emprego e Desemprego (PED), relativa ao mês anterior.

Os dados divulgados pelo IBGE até agora reforçam o momento aquecido de contratações. “Hoje, o emprego está em alta”, avisa coordenador de trabalhos e rendimentos no instituto Cimar Azeredo.  A taxa de desocupação relativa a novembro medida pela PME foi de apenas 4,9%. 

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