Sobram vagas no comércio por falta de qualificação

Setores do comércio e de serviços são os que mais contratam e apresentam menor taxa de desemprego no mercado. A falta de qualificação, no entanto, é o principal desafio para preencher os postos de trabalho

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postado em 18/02/2013 10:11 / atualizado em 18/02/2013 10:54


 

 (Bruno Peres/CB/D.A Press  ) 

“Não conseguimos fechar as vagas tão rapidamente quanto gostaríamos. Às vezes, nem aparecem interessados” Fabiana Moraes, gerente de Recursos Humanos de uma rede de supermercados

 

Profissionais de comércio e de serviços podem comemorar — e até se dar ao luxo de escolher —, pois os setores são os principais responsáveis por contratações no mercado de trabalho, apesar do fraco desempenho econômico. Só no ano passado, a cada cinco vagas criadas, quatro foram para uma dessas áreas, de acordo com o Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged), banco de dados divulgado mensalmente pelo Ministério do Trabalho e Emprego. Além disso, ambos apresentam a taxa de desemprego mais baixa, de acordo com o economista da divisão econômica da Confederação Nacional do Comércio (CNC) Fábio Bentes.

O incremento de 7,5% nas vendas em 2013, previsto pela CNC, dá aval para o número de contratações: 460 mil postos de trabalho serão criados apenas no varejo este ano, um aumento de 3,9% em relação a 2012. “O crescimento do setor possibilita o aumento de vagas. A indústria consegue preencher a produtividade com investimento em maquinários, mas, no comércio, é preciso ter funcionários para atender os clientes”, relata Bentes.

A busca por pessoas dispostas a preencherem um desses postos, porém, é árdua. Para Fabiana Moraes, 30 anos, gerente de Recursos Humanos que atua na seleção e no treinamento de funcionários em uma rede de supermercados, é difícil encontrar pessoas dispostas a trabalhar, e, principalmente, qualificadas. Vagas para o setor de perecíveis do supermercado, que exigem técnica e experiência na área de alimentos, como as de peixeiro, açougueiro e padeiro, chegam a levar dois meses para serem preenchidas. “Não conseguimos fechar as vagas tão rapidamente quanto gostaríamos. Às vezes, nem aparecem interessados”, relata.

Para atender a demanda, a rede de supermercados deixa de exigir experiência de todos os candidatos e, por isso, precisa investir no desenvolvimento das habilidades dos novatos por meio de um sistema de treinamento. “Nesses encontros, os funcionários entram em contato com técnicas e com toda a parte teórica, para depois desenvolverem na prática aquilo que aprenderam”, conta Fabiana. A rede também realocou profissionais para supervisionar os aprendizes dentro das lojas.

Alliny Batista, gerente financeira: %u201CA nova geração tende a não ter muita paciência para ficar em um emprego, fazer carreira%u201D  (Gustavo Moreno/CB/D.A Press) 
Alliny Batista, gerente financeira: %u201CA nova geração tende a não ter muita paciência para ficar em um emprego, fazer carreira%u201D

Fabiana relata que alguns comportamentos são fundamentais para atuar no varejo, independentemente do nível técnico do candidato. Comprometimento e foco no cliente e no resultado, segundo a gerente, são as principais competências buscadas. “Avaliamos se ele se dispõe a atender bem e se consegue se colocar no lugar do outro.” Organização com horários, cumprimento das tarefas e alcance de metas também são características que evidenciam a capacidade de um profissional dentro da loja. “A empresa dá espaço para quem tem pretensão de crescimento. Por isso, muitos acabam construindo uma carreira aqui dentro”, explica.

Procuram-se profissionais
Em 2012, foram oferecidas 60.424 vagas nas agências do trabalhador da Secretaria de Trabalho do Distrito Federal (Setrab), em todos os setores. Dessas, aproximadamente 80% não foram preenchidas. Entre 11.175 vagas ocupadas, 35% foram para a área do comércio e 43% para o setor de serviços. O secretário adjunto da Setrab, Divino Valero, explica que as agências intermedeiam o processo de contratação entre empresários e interessados por meio de 18 unidades espalhadas pelo Distrito Federal. São encaminhadas três pessoas por vaga para cada empresa. A contratação pode ocorrer no mesmo dia, mas, em alguns casos, leva até mais de um mês.

Valero relata que a colocação de pessoas no comércio sofre a influência da sazonalidade, que é o tempo propício para as vendas, além da qualificação dos trabalhadores e da interlocução entre oferta de vagas e pessoas dispostas a trabalhar. De posse do número de PIS e currículo, qualquer pessoa pode encontrar vagas com o seu perfil nas agências do trabalhador. Mas a principal dificuldade, segundo o secretário, é o preenchimento de requisitos quanto à qualificação. A necessidade do mercado por profissionais aptos é tamanha que, em um curso técnico na área de vendas promovido pela secretaria no ano passado, a empregabilidade foi de 100%.

Baixa formação
O número de interessados por qualificação técnica no comércio deixa a desejar. O presidente do Serviço Nacional de Aprendizagem Comercial no Distrito Federal (Senac-DF), Adelmir Santana, conta que, no ano passado, apenas 900 das 1,5 mil vagas oferecidas pelo Programa Nacional de Acesso ao Ensino Técnico e Emprego (Pronatec) no DF foram preenchidas. “Há um esforço do Senac objetivando preparar pessoas para ingressar nas atividades do comércio. As empresas também devem ter esse trabalho permanente, visando a uma melhoria de seus profissionais, porque o consumidor, hoje, está cada vez mais exigente no atendimento.”

A gerente financeira de uma loja de departamentos em Brasília, Alliny Batista, 28 anos, observa que, desde a abertura da franquia, houve uma diminuição significativa em relação à experiência e ao conhecimento dos candidatos. Para despertar o interesse dos jovens, é necessário custear a qualificação e oferecer benefícios. “Hoje em dia, é difícil achar alguém que tenha trabalhado cinco ou seis anos em uma livraria, em vez de dois ou três meses. A nova geração tende a não ter muita paciência para ficar em um emprego, fazer carreira”, conta.

Os recrutadores da loja direcionam os candidatos a setores específicos, nos quais os vendedores apresentam um conhecimento mais detalhado. Outro diferencial é o programa de trainee. Funcionários se alternam entre departamentos para ter uma experiência mais completa dentro da empresa. São diferenciais que ajudam a manter a competitividade para contratar e chamar a atenção dos candidatos. Porém, como consequência da falta de qualificação, percebe-se um afrouxamento nas exigências durante a seleção, já que, frente ao aumento de vendas, não se pode parar de contratar.

O economista-chefe da divisão econômica da CNC, Carlos Thadeu de Freitas, acredita que o setor continuará aquecido por causa da perspectiva de crescimento e da disponibilidade de crédito. “O comércio apresenta uma trajetória bastante favorável no Brasil, já que o país possui um grande mercado interno, que se expande a cada ano”, explica. Freitas alerta, porém, que a oferta de mão de obra deve acompanhar a crescente demanda para que o setor consiga se sustentar.

Capacite-se
Pronatec

As inscrições serão abertas amanhã. Acompanhe a oferta dos próximos cursos em seu estado e município no site pronatec.mec.gov.br. Os cursos são ministrados pelos institutos federais de educação, ciência e tecnologia, centros federais de educação tecnológica e entidades do Sistema S (serviços nacionais de aprendizagem)
0800-616161, opção 8

Instituto Federal de Brasília (IFB)
Câmpus de Taguatinga Centro
Curso técnico em comécio
www.ifb.edu.br/taguatinga
2103-2249

Senac
www.senacdf.com.br/portal
3313-8877

Secretaria de Trabalho
Qualificopa, Mais Autonomia e Planseq
www.trabalho.df.gov.br
3326-1379 e 3328-5549

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