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Lei da Atração

Para reter talentos no quadro de profissionais, empresas oferecem benefícios que vão desde carro a participação nos lucros

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postado em 25/03/2013 10:09 / atualizado em 25/03/2013 10:12

Viola Júnior
Atrair a atenção do público-alvo é um dos maiores desafios das empresas para obter bons resultados no mercado. Porém, satisfazer apenas o cliente não é o bastante. As companhias investem cada vez mais no marketing interno e até oferecem benefícios, como prêmios e carro da empresa, para se tornarem interessantes também aos próprios funcionários e, assim, garantir a presença das pratas da casa entre os colaboradores.

O especialista em recursos humanos e marketing Rodrigo Lima, gerente regional da empresa de RH Munfort, explica que a sede das empresas brasileiras de manter os talentos na equipe é consequência do mercado aquecido e da estabilidade econômica. “As companhias têm encontrado dificuldade não só em contratar mão de obra qualificada, mas também em retê-la”, afirma. O dinamismo da nova geração de profissionais é outro obstáculo para a manutenção dos funcionários no quadro. “A geração Y, a que emerge no mercado hoje, troca de emprego com maior facilidade”, comenta Lima.

De acordo com o especialista, não basta o profissional buscar qualificação. Hoje, contratantes também precisam ser atraentes para ganhar espaço no mercado de colaboradores. “O trabalhador tem que se especializar para ser contratado, mas ele vai querer atuar em um local de trabalho que lhe seja agradável”, argumenta. Segundo Lima, as estratégias utilizadas pelas empresas para reter talentos são as mais variadas. Além de promover ações de endomarketing — a comunicação interna voltada ao fortalecimento da marca na própria organização —, as chefias devem lançar mão de métodos para fazer o funcionário ter um motivo, que não seja apenas o salário, para trabalhar ali. “Até mesmo atitudes simples, como flexibilidade de horário de entrada e saída, mantêm o bom colaborador na equipe”, completa.

Vestindo a camisa

A atmosfera alegre, aliada a boas estratégias de comunicação, mantém a gerente de loja da Central de Intercâmbio (CI) Gabriela Novaes, 25 anos, animada na empresa. “Logo que entrei, passei por um ritual de boas-vindas, em que conheci até quem ocupa cargos mais altos na companhia, tudo isso de forma bem descontraída”, relembra. Na opinião dela, confraternizações para novatos e para os funcionários que saem da organização motivam a equipe a continuar por lá. “Salário nenhum paga o ambiente de trabalho que tenho.”

Para incentivar a criatividade dos funcionários com momentos lúdicos, a comunicação interna da CI oferece ao quadro de colaboradores o projeto Mão na Massa. “A gente recebe prêmios pelas melhores frases, desenhos e ideias”, conta Gabriela. Para ela, essa é uma forma de manter a equipe concentrada no bom atendimento aos clientes. “Lidamos com o público, então, precisamos estar sempre de bom humor e dispostos a vir trabalhar”, comenta. A diretora de relacionamento da empresa, Priscilla Kabakian, acredita que momentos prazerosos motivam o profissional de turismo a se sentir satisfeito na área. “A remuneração desse setor não é das melhores, mas algumas atitudes promovem o prazer de se estar na empresa”, explica.
Cortesias em eventos culturais também ajudam a manter o clima positivo dentro da companhia, segundo o consultor de vendas da CI Tiago Camargo, 23 anos, que trabalha com Gabriela. “Já fomos assistir a uma peça juntos. A sensação que tenho é de que estou indo com amigos ao teatro, não apenas saindo com o pessoal do trabalho, que vejo diariamente”, comenta.

O orgulho de pertencer à companhia torna o profissional mais engajado. É o que afirma a especialista em endomarketing Rita de Cássia Oliveira, diretora da empresa de comunicação interna Intramark, que acredita ser essencial as empregadoras venderem a própria imagem aos colaboradores. “O público interno é o primeiro formador de opinião da marca”, explica. É preciso que a equipe conheça os benefícios e as vantagens de fazer parte daquele ambiente. “Nem todas as organizações conseguem demonstrar aos colaboradores o que pode ser oferecido a eles.”

Fazer campanhas e promoções internas sem perder a austeridade é o desafio da comunicação interna. “Essa área precisa entender o momento estratégico da empresa e dos funcionários para agir”, coloca Rita. Setores como o de Marketing e o de Recursos Humanos devem se unir para traçar planos e agregar os profissionais. “O objetivo é tornar a equipe coesa”, complementa. A especialista alerta, ainda, que o tamanho da organização não é parâmetro quando se trata de procurar estratégias. “Empreendimentos pequenos podem e devem criar programas comunicativos internos para aumentar a autoestima dos colaboradores”, propõe.

Pontos positivos

Na onda das redes de benefícios oferecidos pelas empresas, empreendedores aproveitam para criar mecanismos que organizam as bonificações (veja o box e o gráfico). É o caso da GoPoints, que começou como uma startup há três anos e meio e, hoje, é uma organização que investe em programa de acúmulo de pontos por parte de funcionários, para que eles possam resgatar prêmios em lojas de diversos ramos. “O colaborador pontua a cada meta atingida ou a cada atitude positiva no local onde trabalha. Aí, ele pode escolher entre mais de um milhão de produtos oferecidos em lojas on-line, que vão de recarga de celular a um pacote de viagens”, explica Carlos Kelner, sócio-diretor da empresa.

De acordo com o especialista em RH Rodrigo Lima, vantagens como prêmios são positivas, mas menos eficazes para reter talentos. “É um tipo de motivação que funciona bem, mas é momentânea. Em médio e longo prazo, pode não dar tão certo”, comenta. O financiamento de cursos, por sua vez, favorece tanto a empresa quanto o profissional. “Políticas como essa são excelentes, porque o funcionário trará um retorno maior para a companhia, ao estar mais qualificado e motivado.”

Para saber mais

Muito além do salário Pesquisa feita pela empresa de recrutamento especializado Page Personnel revela os benefícios cada vez mais cobiçados pelos profissionais. De acordo com o levantamento, executivos de diversas áreas que ganham até R$ 8 mil não levam em conta apenas os planos de saúde ou a compensação em gastos com transporte. Usar o carro da empresa no dia a dia, ter a possibilidade de trabalhar em casa e até mesmo remuneração extra são facilidades cobiçadas pelos funcionários da área de negócios.

“As empresas estão mais sensíveis às necessidades dos profissionais e do mercado. O trabalhador não quer receber apenas o salário”, comenta o gerente executivo da Page Personnel, Luiz Fernando Martins. Deixar de aumentar o salário da equipe para investir em benefícios pode ser vantajoso tanto à empresa quanto aos funcionários. “Esse dinheiro a mais seria convertido em impostos e outras taxas, de tal forma que não compensaria tanto aos funcionários, que preferem ter as vantagens oferecidas pela companhia já em mãos”, afirma.

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