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Setor em alta

Mesmo com a crise, área de petróleo e gás continua a oferecer salários atraentes e precisa de profissionais qualificados. Remuneração média no Brasil é de R$ 18 mil

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postado em 22/04/2013 10:26 / atualizado em 22/04/2013 10:57

Gustavo Moreno
Mesmo com as baixas na produtividade e as crises econômicas na Europa em 2012, a remuneração de quem atua no setor de petróleo e gás ainda é atraente. Dados do Instituto Brasileiro de Petróleo, Gás e Combustíveis (IBP) mostram que a produção dessas commodities e de derivados teve queda entre 2011 e 2012. No entanto, segundo pesquisa feita pela empresa de consultoria em recrutamento Hays, os salários na área aumentaram em 8,5% no ano passado no mundo inteiro. Para o Brasil, as notícias não foram tão boas: houve retração de 7,2% na média salarial de profissionais locais em contrapartida ao aumento de 23% nos vencimentos dos estrangeiros. Ainda assim, esse valor ultrapassa os 26 salários mínimos e especialistas acreditam que o grande potencial de exploração do pré-sal deve reverter esse quadro em breve.

Hoje, o Brasil é a oitava nação que melhor paga funcionários locais que atuam na área. De acordo com a pesquisa, a remuneração média em 2013 no setor para profissionais brasileiros é de US$ 110 mil por ano, o equivalente a cerca de R$ 18 mil mensais. Enquanto isso, o salário da mão de obra estrangeira no país está na 16ª posição, com ganhos anuais médios em US$ 131,4 mil, ou aproximadamente R$ 21,5 mil por mês (veja o mapa). Segundo o gerente de Petróleo e Gás da Hays, Keith Jones, a queda nos salários de petróleo e gás no país é reflexo do atraso nas licitações para exploração do pré-sal, recém-descoberto. Ele acredita que a situação será logo revertida. “A atividade no mercado crescerá quando essas contratações acontecerem. Então, a remuneração voltará a subir”, afirma.

Gratificante e rentável

Momentos difíceis para petróleo e gás não devem desanimar profissionais da área, segundo afirma o professor de engenharia mecânica da Universidade de Brasília (UnB) Eugênio Fortaleza, pós-doutor em estruturas navais e oceânicas. Para ele, a situação econômica brasileira para o setor foi atípica no ano passado e reforça que a tendência a médio prazo é que a baixa nas contratações e nos salários termine, por causa das novas licitações e dos investimentos. “A Petrobras sem caixa com a manutenção no preço dos combustíveis, somada à ausência de licitações, contribuiu para a estagnação na área”, explica. Mesmo assim, a estatal ocupa o 20º lugar no ranking das maiores empresas do mundo da revista Forbes.

O engenheiro de campo da Petrobras Rogério Tavares, 35 anos, é formado em engenharia de automação e controle pela Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) e atua como fiscal de sonda em Santos (SP). “Comecei a me interessar por petróleo ainda na graduação, quando estagiei na Petrobras, e o mestrado na área me levou a trabalhar para a empresa”, conta. Concursado, o engenheiro passa até duas semanas seguidas na plataforma em alto-mar e atua na construção de poços no pré-sal. “Ficar longe da família por semanas seguidas é a parte difícil, mas os longos períodos de folga compensam”, comenta.

Rogério também acredita que a baixa produtividade no setor não vá dificultar as contratações. “Não deve afetar muito a situação, porque a produção é um processo lento”, afirma. “A área como um todo vive um momento de expansão no Brasil, que ainda está carente de mão de obra especializada”, completa. Para ele, o crescimento no número de profissionais de óleo e gás vai ajudar o país a apresentar melhores índices de produtividade. “Teremos competição, o que vai se refletir em avanços no futuro.”

O coordenador do Laboratório de Petróleo da Universidade Federal do Espírito Santo (LabPetro/Ufes), professor Eustáquio de Castro, acredita que, até 2015, o Brasil vai passar por um momento favorável às contratações na área. “O país estará a pleno vapor, com institutos estrangeiros montando centros aqui, além de novas multinacionais que virão trabalhar na exploração do pré-sal”, afirma. “Ainda há petróleo a ser explorado por, pelo menos, 50 anos e a tendência é que o consumo diminua com as novas fontes de energia”, completa.

 

Futuro promissor

Viola Júnior
O estudo da Hays também aponta as áreas de atuação dentro do setor de petróleo e gás mais bem pagas pelas empresas. Entre graduados em nível superior, funcionários que atuam em comissionamento, construção e instalação e geociências são os que recebem remunerações mais altas. “Percebemos uma demanda muito alta também por profissionais especializados em perfuração, que apresentam o maior salário entre aqueles com posição intermediária e superior na empresa”, explica Keith Jones.

A busca por salários altos em um setor que pode se mostrar mais produtivo no futuro chama a atenção de jovens estudantes. Priscila Sousa, 22 anos, e Álvaro Xavier, 20, estão próximos da formatura em geologia pela Universidade de Brasília (UnB) e pretendem atuar na exploração de petróleo e gás. Priscila pensa em ser concursada na área e pretende alcançar estabilidade financeira com qualidade de vida. “A remuneração foi algo que me atraiu, além da ideia de conviver próximo ao mar”, diz. Já Álvaro, que também quer fazer concurso público, ingressou no curso com a ideia de trabalhar no setor. “Quando entrei, o assunto era um dos mais abordados pela mídia, e isso me influenciou na escolha da graduação”, conta.
Mesmo com o mercado em alta, os dois estudantes reclamam da falta de formação específica em petróleo e gás em Brasília. Por aqui, o foco dos cursos está em prospecção mineral, diferentemente de outras cidades, como o Rio de Janeiro. “Não temos, por exemplo, uma disciplina específica de perfuração”, comenta Priscila. “Quem quer trabalhar na área precisa buscar matérias optativas”, complementa Álvaro.

Sem formação específica, departamentos da UnB oferecem projetos opcionais para estudantes de graduação e de pós que procuram especialização em petróleo e gás. O professor Eugênio Fortaleza faz parte do Programa de Formação de Recursos Humanos em Automação Offshore, que prepara alunos para o mercado petrolífero. “Vale a pena ao interessado insistir na carreira e em especializações. As grandes empresas procuram, principalmente, profissionais pós-graduados em óleo e gás”, afirma.

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