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Correio Braziliense

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Comportamento

De fino trato

Formação e competência nem sempre garantem sucesso no trabalho. A etiqueta empresarial também conta na construção de uma carreira bem sucedida

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postado em 06/05/2013 10:44 / atualizado em 06/05/2013 10:51

Bruno Peres
Se em pleno casamento um dos convidados dá vexame e apresenta comportamento reprovável, pode até acabar expulso da festa. No entanto, situações como essa se estendem a outras realidades, inclusive ao ambiente de trabalho. E a consequência na área profissional vai além de um simples mal-estar. A falta de etiqueta empresarial pode tornar o caminho para o sucesso ainda mais árduo. Ela funciona como um tripé, sustentado pelo comportamento, a aparência e a competência, e deve se manter sempre em equilíbrio.

A atitude no trabalho, durante uma reunião de negócios, a roupa escolhida, a maneira de se relacionar com colegas, clientes e, sobretudo, com os chefes, compõem esse norma de comportamento nas organizações. São padrões de conduta regidos pela educação, pela ética profissional e por convenções sociais e oficiais. Segundo especialistas em consultoria de imagem, segui-los corretamente pode abrir portas. Cursos, mestrados e doutorados qualificam o funcionário tecnicamente, mas, de acordo com a professora Maria Aparecida Araújo, consultora de comportamento profissional, a etiqueta social e internacional e o domínio dos códigos empresariais ajudam o trabalhador a se relacionar com os demais e, por isso, se tornam diferenciais. “A etiqueta empresarial garante a sobrevivência do profissional e o seu sucesso, porque de nada adianta conhecer tecnicamente a área e mesmo assim não saber trabalhar com pessoas”, afirma.

Espelho da empresa
Além de ser um diferencial, a postura no ambiente de trabalho se torna uma ferramenta indispensável para a visibilidade das competências. Essa conduta fornece informações tanto a respeito da pessoa quanto da organização. Para Renata Mello, especialista em consultoria de imagem corporativa, um profissional pode até prejudicar a imagem da empresa, pois a representa. “A empresa gasta com marketing e propaganda, investe na procura por novos clientes e, às vezes, um profissional que trata mal um cliente pode prejudicar à  companhia”, comenta. Para ela, se a pessoa não sabe se comportar, fala palavrões, trata com informalidade os superiores, bebe muito em encontros de negócio ou confunde a vida social com a profissional, acaba expondo e prejudicando a reputação do local onde trabalha. Ao mesmo tempo, o funcionário compromete a própria imagem de confiança e credibilidade, e pode até perder a chance de ser promovido.

Fillipe Janiques de Matos Morales, 23 anos, aproveitou essa oportunidade. Ele entrou na Amcham-Brasília como analista júnior comercial de novos sócios e, depois de um ano e meio de carreira, passou a ocupar o cargo de responsável pelo setor. Ele acredita que a cordialidade e o respeito que recebeu ainda quando criança e vivenciou em casa com os pais e a avó foram fundamentais para conquistar o espaço que tem hoje. “Quando você consegue criar uma sinergia com as pessoas, você passa a ser aceito melhor por elas e a construir uma boa imagem”, conta Fillipe. Ao ingressar no mundo do trabalho, o profissional relata que o mais difícil foi se adequar ao relacionamento interpessoal da empresa. “Eu sempre tive essa base de família, mas eu nunca tinha construído relacionamento empresarial de fato, então, fomentar isso constantemente foi algo que eu lapidei com o tempo e com a vivência no trabalho”, comenta.

A consultora de etiqueta Silvia Seabra explica que a informalidade do século 21 fez com que as pessoas se esquecessem dos códigos de conduta. “Mas agora está havendo um resgate da etiqueta, principalmente no meio empresarial, porque, como diz o ditado, a primeira impressão é a que fica”, complementa.

No topo
Nem os profissionais que ocupam altos cargos estão imunes às influências da etiqueta empresarial e ainda precisam dar exemplo aos demais funcionários. Ubiratan Leite, 32 anos, diretor financeiro da empresa de soluções de sustentabilidade S4, sentiu essa necessidade. Após fazer carreira no serviço público, ele decidiu investir em um negócio próprio associado a uma empresa chinesa. As negociações com o governo, com grandes empresários e com pessoas de outras culturas foram tão intensas que Ubiratan decidiu aceitar a sugestão da esposa e fazer um curso de etiqueta profissional. Com a experiência, o diretor percebeu que a maneira de se portar é o verdadeiro cartão de visita de qualquer trabalhador e destaca ainda que a concorrência é tão grande que esses detalhes fazem toda diferença até na hora de fechar um contrato, como foi o caso dele.

A informalidade e a dificuldade de colocar os conhecimentos em prática eram os principais desafios de Ubiratan. “Na hora de cumprimentar, eu tinha mania de abraçar ou de dar um beijo no rosto da pessoa, mas eu vi que cumprimento, na verdade, é só um aperto de mão. Eu errava muito e o curso me ajudou a policiar essa informalidade”, conta Ubiratan. Hoje, ele se considera mais seguro para participar de eventos, reuniões e jantares de negócio. “Na dúvida, haja como o protocolo pede naquela situação”, aconselha. Quando tem alguma dúvida e a situação complica, o diretor sempre recorre aos livros e apostilas.

A especialista Maria Aparecida Araújo explica que, conforme aumenta o nível de exigência, as ferramentas se tornam mais sofisticadas e o profissional precisa se reciclar. Entretanto, a consultora Renata Mello alerta que, apesar do domínio da etiqueta empresarial e do alto cargo que ocupa, o líder tem que ser um bom exemplo, não pode cobrar horário se ele próprio chega tarde. É por isso que Ubiratan é sempre pontual e chega com antecedência aos eventos mais importantes.

Longe das gafes
A etiqueta profissional não vale somente no mercado de trabalho. Essa prática começa antes mesmo de se pensar que profissão escolher. “O jovem já se diferencia na escola ao se mostrar um aluno interessado. Isso chama a atenção do professor, que pode ser fonte de referência para contatos profissionais que ele fizer no futuro”, comenta a consultora Maria Aparecida. Nos casos de entrevista, ela sugere que o candidato chegue sempre informado sobre a empresa, o mercado em que atua, os produtos oferecidos e a concorrência.

Os especialistas também chamam a atenção para as diferenças entre ambiente interno e  externo, ou seja, a interação com os clientes eventos fora da organização. Renata Mello destaca que cada organização tem a própria dinâmica, tanto na maneira de tratar os clientes, quanto na apresentação pessoal. “O profissional precisa entender opapel dele na empresa, analisar como é o dia a dia, quais são as atividades e tentar se adequar a isso respeitando o estilo pessoal”, declara.
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