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Nó na língua

Em meio a tantas matérias, o português é deixado de lado e acaba se tornando o grande vilão do concurso público

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postado em 20/05/2013 10:11 / atualizado em 20/05/2013 10:13

Ed Alves
Ed Alves
A cada edital de concurso público, os candidatos se veem imersos em uma infinidade de conteúdos. Na disputa por um espaço no planejamento de estudo, as matérias específicas do exame ganham preferência, e a língua portuguesa é deixada de lado. No entanto, especialistas alertam que essa é uma atitude arriscada. Afinal, o nível cobrado pelas bancas não é o mesmo que o do ensino básico. De idioma materno, o português se transforma no maior adversário dos concurseiros.

“Hoje, a língua portuguesa é a matéria que mais derruba as pessoas nas provas, pois elas imaginam ter domínio do conteúdo e acabam dando mais ênfase ao estudo de conhecimentos específicos. Essa é a grande cilada”, comenta o diretor superintendente da Fundação Fisk, Elvio Peralta. Ele explica que o ensino fundamental foca o papel da língua como forma de comunicação e de expressão. Entretanto, os concursos consideram o português objeto de estudo e continuam cobrando o domínio da norma culta do idioma.

Jean Carlo Araújo Lima, 46 anos, é professor universitário em Pernambuco. Ele veio para Brasília estudar para a seleção do Ministério Público da União (MPU) e descobriu que, apesar da experiência, o que sabia não era suficiente para responder às questões, por isso, faz um curso de português na capital. “Quando comecei a analisar as provas anteriores, vi que a língua portuguesa cobrada nos exames não é aquela que utilizamos no dia a dia. Apesar de saber escrever, dei-me conta de que precisava saber escrever como os concursos pedem”, conta Jean.

Diferencial

De acordo com Adriana Figueiredo, autora do livro Gramática comentada com interpretação de textos (Editora Elsevier / 2ª Edição /523 páginas / R$ 99,90), priorizar o estudo da língua portuguesa é um diferencial na briga por bons resultados nos certames, pois muitos candidatos acreditam que podem se sair bem apenas com o conteúdo que estudaram na escola. Maria Carolina Rodrigues dos Santos, 19 anos, estudante de direito, conta que foi obrigada a aprofundar o conhecimento na língua depois de uma frustração. Apesar da boa pontuação na prova do Tribunal Superior do Trabalho (TST), a candidata não passou, porque acertou apenas duas questões de português. “É a matéria que você mais estuda, da qual tem mais aulas e só nessas situações é que percebe que é a matéria que você mais tem dificuldade”, comenta Maria Carolina.
“O aluno que estuda somente as regras não consegue aplicá-las no tempo que a banca disponibiliza. Então, precisa treinar questões de provas anteriores com foco nos tópicos mais relevantes para concursos, como pronomes e conjunções”, explica Adriana Figueiredo.

Além das regras

As vantagens de um estudo planejado da língua portuguesa não se limitam às questões referentes à gramática. O domínio do idioma também auxilia na interpretação dos textos, na redação e, sobretudo, na compreensão das demais questões do certame. “Conhecer as técnicas de interpretação de texto ajuda o candidato a estudar melhor as leis, por exemplo, e a decodificar as demais questões”, exemplifica Adriana. Ela comenta que o candidato saberá reconhecer quando o examinador solicita que o aluno recorra ao texto, compare informações com alguma questão ou ainda que infira ou deduza determinada resposta.

A advogada Nayara Cardoso, 26 anos, começou um curso específico de português há um mês e reconhece que as aulas têm ajudado até na interpretação de itens específicos, além de ajudar a compreender melhor os enunciados dos exames. Ela também já percebeu que, hoje, o diferencial está no domínio aprofundando da língua. “Todo mundo está afiado nas matérias específicas, então, as bancas estão dificultando um pouco mais as provas de português, porque sabem que é o diferencial e que acaba eliminando muita gente”, comenta.

Na redação, o domínio do português também coloca o candidato à frente da concorrência. “A banca examinadora, atendendo ao órgão, visa a selecionar candidatos que tenham a capacidade de produzir, interpretar e escrever textos técnicos e oficiais”, explica o professor Filemon. Ele comenta que a instituição organizadora dá uma nota mínima necessária ao aluno que domina razoavelmente o assunto da redação, mas que essa classificação cai de maneira significativa quando há erros gramaticais. Os mais comuns são de estruturação sintática, pontuação e ortografia.
Os professores ressaltam ainda a importância do hábito da leitura para transformar o conhecimento das regras em habilidade linguística. O professor Filemon recomenda que o candidato leia textos relacionados com a área do concurso para dominar o vocabulário técnico e praticar a escrita.
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