SIGA O
Correio Braziliense

publicidade

Emprego

Começar de novo

Manter a calma e recuperar a autoconfiança são fatores fundamentais para driblar o trauma da demissão e buscar outro trabalho

INFORMAÇÕES PESSOAIS:

RECOMENDAR PARA:

- AMIGO + AMIGOS
Preencha todos os campos.

postado em 20/05/2013 10:16 / atualizado em 20/05/2013 10:18

Wallace Martins
A possibilidade de perder o emprego apavora qualquer um. Forçado a sair da empresa, o profissional precisa encontrar uma nova posição. No entanto, conquistar outra vaga fica ainda mais difícil quando a demissão prejudica não só a estabilidade financeira, mas também a autoestima e o interesse pela profissão. Então, como driblar a ansiedade e conseguir voltar à ativa?

“Primeiro, é preciso aceitar que se está em um momento de perda”, afirma Mike Martins, diretor executivo da Sociedade Latino-Americana de Coaching. Segundo ele, manter a calma e não agir por impulso são fatores fundamentais para se arranjar um novo emprego. “Se o profissional não souber lidar com a perda, ele não consegue se recolocar no mercado”, comenta Martins. Encarar o desemprego como processo de mudança ajuda o trabalhador a equilibrar a mente. “Sabendo que está em uma situação de desconforto, a pessoa consegue buscar o conhecimento para sair da crise”, diz.

Martins alerta também que quanto mais se demora a aceitar que se está desempregado e que se trata de um momento difícil, mais crescem os problemas relacionados à vida profissional. “O tempo passa, e o dinheiro vai acabando e isso aumenta ainda mais a ansiedade”, afirma. A falta de recursos é outro motivo de preocupação a quem está sem trabalho. “Isso ocupa a mente da pessoa e, assim, fica mais difícil se concentrar na busca por um novo emprego.”
De acordo com o especialista em coaching Carlos Prates, autor do livro Como conseguir um emprego, o desespero é maior ainda quando o demitido já sofria com dívidas ou passa por mudanças bruscas na família. “A maneira como o trabalhador vai superar a demissão depende muito de fatores externos ao emprego”, comenta. Para Prates, família e amigos devem ajudar o profissional a passar por esse momento. “O problema é quando as pessoas começam a cobrar do desempregado. O momento não é de cobrança”, alerta.

Sucesso

Procurar confiança dentro de si mesmo não é tarefa fácil, mas é possível e essencial para retomar o caminho para o sucesso profissional. É o que diz a psicóloga Celiane Secunho, autora do livro Resiliência — arte de enfrentar a adversidade no ciclo da vida (Thesaurus / 176 páginas / R$ 49,90). “Ter confiança e segurança é algo que faz bem também para a imagem do trabalhador”, afirma. De acordo com Celiane, a família deve ser logo informada da situação da falta de emprego. “O profissional precisa reunir os familiares e avisar que vai ser necessária uma reorganização dos gastos”, indica. Assim, o trabalhador sente que tem apoio em casa e fica motivado a seguir procurando um novo rumo para a carreira. “É sempre importante ter uma pessoa que seja uma alavanca para a pessoa se reestruturar na profissão”, comenta.

Demissões provocadas por problemas de comportamento na empresa ou por erro no trabalho são ainda piores para a autoestima do profissional. O medo de ser malvisto por possíveis novos colegas gera ansiedade e preocupação. “Quando o funcionário deixa a empresa porque a prejudicou de alguma forma, muitas vezes sai estigmatizado”, afirma o especialista Carlos Prates. Mas nem por isso o trabalhador pode se diminuir. “Nas demissões por justa causa, a pessoa precisa fazer uma análise sincera do que a levou a ser demitida e não ficar acomodada, com culpa”, comenta Celiane.
O excesso de culpa é outro obstáculo ao retorno bem-sucedido do profissional à carreira. Para Celiane, é importante ter consciência de que o mercado de trabalho exige preparo e se martirizar — ou responsabilizar outras pessoas — não resolve, nem justifica o problema. “Tem gente que culpa o patrão, os colegas e até mesmo o país pela perda do emprego”, diz.

Repaginada

Com a cabeça no lugar, é hora de agir. O momento da transição de emprego é ideal para editar o currículo, que deve estar sempre atualizado. Para Carlos Prates, o desempregado deve analisar bem a carreira antes de ir atrás de novos trabalhos. “Mandar currículos para qualquer oferta não é o ideal. É melhor ter certeza da área em que se desejar seguir. O profissional tem que saber para onde quer ir”, diz. Porém, Mike Martins afirma que o melhor é tentar várias seleções para vagas dentro de uma mesma área. “É bom procurar, no mínimo, três empresas. Se o profissional não é selecionado em uma entrevista, pelo menos para a outra já está preparado”, sugere.

Quem foi demitido por justa causa deve ter cuidado redobrado durante o processo de seleção. O motivo da dispensa não deve estar explícito no currículo, mas o candidato não pode jamais mentir. “Se perguntarem na entrevista se a demissão foi por justa causa, confirme. Não é preciso detalhar o que aconteceu, apenas explicar que houve um problema ou um desentendimento”, sugere Carlos Prates. Dizer a verdade, quando solicitado, é fundamental para o profissional não comprometer ainda mais a própria imagem. “É melhor falar logo na primeira etapa da seleção do que esperar que o recrutador ligue para pedir referências ao ex-chefe e fique sabendo do que aconteceu por meio dele”, sugere o especialista.

Fazer uma rede de contatos ajuda o trabalhador a ser conhecido entre outros profissionais. Por isso, é preciso, mais uma vez, ter cuidado com a imagem pessoal. “Não se deve pedir emprego insistentemente ao contato profissional, mas conversar e pedir dicas de onde e como atuar”, afirma Prates. No caso de demissão por questões procedimentais da empresa, como corte de gastos, vale a pena até pedir indicações ao antigo chefe, se a relação de trabalho tiver sido boa.
Conquistado o novo emprego, o momento é de aplicar o que foi aprendido durante a pausa. “Recolocar-se no mercado não é difícil. O desafio é se consolidar”, afirma Mike Martins. Trocar muitas vezes de área sem propósito, por exemplo, é uma atitude que mancha a imagem do profissional. “Ele tem de se posicionar e mostrar que vale a pena estar ali”, explica. Segundo o especialista, é preciso também se atualizar sempre para não ser pego de surpresa por mudanças no mercado. “Ler e manter-se informado sobre a área é essencial para ficar atento tanto a profissões que podem se tornar obsoletas quanto aos novos filões.”

Mudança radical

Às vezes, o momento do desemprego pode se tornar uma oportunidade para descobrir que há outros campos profissionais a serem explorados. Foi o que aconteceu com a gestora cultural Adriana Teles, 30 anos. Formada em publicidade, ela trabalhava no Ministério da Justiça até julho de 2010, quando todos os funcionários terceirizados, incluindo Adriana, foram demitidos. “Foi difícil, porque eu estava na minha zona de conforto e contava com flexibilidade”, relembra. No entanto, havia um agravante: ela estava grávida do primeiro filho. “Eu tinha a garantia de que só sairia depois da licença-maternidade, mas era complicado saber que eu precisaria procurar outro emprego com um bebê para cuidar”, conta.

Disciplinada, Adriana aproveitou o tempo da licença para acompanhar a rotina do marido, que atuava como freelancer de produção cultural. “Fui me interessando aos poucos pelo trabalho dele e acabei me envolvendo em uma ocupação prazerosa para mim”, diz. Acostumada a papeladas e à burocracia, a publicitária conquistou emprego em uma produtora seis meses após o anúncio do corte no Ministério. Para ela, não gostar de ficar parada ajudou a superar a dificuldade. “Sempre gostei muito de ir atrás das coisas. Saber que eu teria de sustentar uma casa com um filho só me motivou ainda mais”, admite.

Para Mike Martins, diretor executivo da Sociedade Latino-Americana de Coaching , Adriana é um exemplo de como estar alerta ao dinamismo do mercado de trabalho é essencial para encontrar um novo emprego, mesmo nos momentos difíceis. “Ela reconheceu no universo ao seu redor uma oportunidade que poderia dar certo”, afirma. Segundo ele, o desempregado, quando envolvido em pensamentos negativos, deixa passar inúmeras chances sem notar. Entretanto, mudar totalmente de carreira por causa de uma demissão nem sempre é o melhor a se fazer. “É preciso ver se há recursos financeiros para apostar em uma boa preparação para encarar a mudança, que jamais deve ser feita por impulso”, completa Martins.
Como conseguir  um emprego  » Autor: Carlos Prates » Editora: Aprenda Fácil » Páginas: 185 páginas » R$ 45 (Editora Aprenda Fácil/Divulgação) 
Como conseguir um emprego » Autor: Carlos Prates » Editora: Aprenda Fácil » Páginas: 185 páginas » R$ 45
Tags:

publicidade

publicidade