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Gestores

O próximo capítulo

As prateleiras das livrarias estão repletas de títulos que trazem dicas valiosas para quem sonha em alcançar cargos de liderança e ter sucesso na função

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postado em 20/05/2013 10:19 / atualizado em 20/05/2013 10:26

Mariana Niederauer

magazine Luiza
Ninguém nasce pronto para liderar. As experiências profissionais e de vida são determinantes no processo de formação de um líder. Estar à frente de uma equipe traz dúvidas e desafios que precisam ser superados de forma a garantir o sucesso na nova função, mas muitos dos gestores de primeira viagem não são qualificados previamente para ocupar o posto. Pesquisa da consultoria de educação corporativa LAB SSJ mostrou que apenas 14,5% deles tiveram algum treinamento formal antes de assumir a primeira gestão. Com a falta de preparo, a solução pode vir das prateleiras das livrarias. Não faltam obras com dicas sobre como desenvolver as habilidades valorizadas pelas companhias nos profissionais que ocupam os cargos mais altos.

Perseverança, paixão, humildade, otimismo e prudência estão entre as qualidades listadas na obra Pequeno livro das virtudes para grandes líderes. O autor, Thomaz Wood Jr., explica que ele e os coautores portugueses Arménio Rego e Miguel Pina e Cunha escolheram o conceito de virtude por se tratar de algo essencial, um traço positivo que dá fundamento ao ser que é moralmente bom e promove o bem coletivo. Para desenvolver essas qualidades, Thomaz ressalta que é preciso disciplina e determinação. “Aprender e agir com base em virtudes pode ser difícil no início, mas a prática evolui até se tornar um hábito. Então, tudo fica impressionantemente simples”, diz. Tomar decisões sem refletir devidamente, com a desculpa da falta de tempo, é uma das atitudes que atrapalham o líder e vão contra a ideia de desenvolver virtudes. “Muitas organizações vivem, hoje, em um ambiente de frenesi, de caos autoimposto. Penso que o aprendizado e a prática das virtudes significa parar e refletir sobre como agimos, como tomamos decisões, o que nos norteia, e quais as consequências dessas decisões, para os outros e para nós mesmos”, explica o autor.

Colaboração

“Ser bem-sucedido como gestor requer uma grande mudança para a qual a maioria não está preparada. E, ao não realizar as mudanças necessárias para exercer o novo papel, os novatos podem causar uma grande impacto, obstruindo a liderança da empresa”, destaca o CEO da consultoria LAB SSJ, Alexandre Santille. Ele afirma que tanto a empresa quanto o funcionário devem assumir essa responsabilidade e promover uma boa formação. O estudo sobre primeira gestão sugere ainda que a maior preocupação desses profissionais é ter que desenvolver pessoas, e o principal desafio, saber lidar com conflitos. A chave para solucionar o último problema, segundo Santille, é desenvolver habilidades e cuidar dos relacionamentos antes que o atrito aconteça. Para o primeiro dilema, a sugestão é ter autoconhecimento, procurar ajuda de um superior e compreender que a gestão é mais um processo colaborativo do que de controle e de autoridade.

Marcelo Silva, diretor superintendente do Magazine Luiza, resolveu contar em um livro a principal lição que aprendeu na trajetória de liderança que traçou: sempre vale a pena acreditar e apostar nas pessoas. A obra, da série O que a vida me ensinou, mostra que tratar a todos com respeito e dar atenção àqueles com quem você se relaciona é o primeiro passo para uma liderança eficaz. “Tudo o que eu sei alguém me ensinou — pais, professores, colegas de trabalho — e eu procurei extrair a essência desses ensinamentos. Acho que a única coisa que vale é o relacionamento com as pessoas”, relata. Marcelo acredita que o líder é muito mais um servidor do que um demandador e precisa dar retorno aos profissionais com que trabalha o tempo todo, mantendo a transparência e a integridade. Isso não quer dizer, porém, que é preciso ser paternalista. O diretor ressalta que faz parte da atribuição apontar erros e falhas, explicando o porquê e mostrando como o trabalho deve ser feito. “O que eu sempre entendi é que, se você conseguir ser verdadeiramente um líder, vai motivar e inspirar as pessoas. Mas, se você for simplesmente um gerente, vai apenas monitorá-las”, conclui.

Qualidades e defeitos

Pesquisa feita pela DA Consulting em fevereiro e março deste ano mapeou as quatro maiores qualidades dos executivos brasileiros e os quatro maiores defeitos deles. De acordo com o estudo, os líderes do país são criativos, sociáveis, flexíveis e otimistas. Entretanto, têm dificuldade em dizer não ou dar um retorno negativo, não conseguiram ultrapassar totalmente a barreira da língua, são voláteis e indisciplinados e subjetivos demais. A diretora da empresa, Barbara Toth, explica que, para evitar os principais defeitos de um líder, a organização precisa, inicialmente, investir no processo de seleção. “Se a contratação do profissional for bem conduzida, identificando de forma objetiva as exigências da vaga e as aptidões essenciais desejáveis, a empresa reduzirá as chances de escolher a pessoa errada”, sugere. Segundo a especialista, se a decisão não for consciente e vinculada ao objetivo da companhia, o empregador corre o risco de perder o profissional por falta de adaptação à cultural organizacional.

Outra orientação importante, agora para os próprios executivos, é sobre o domínio do inglês. Chegar a um cargo de liderança sem dominar o idioma estrangeiro é muito difícil, principalmente em empresas de grande porte. Barbara lembra que a consultoria que dirige costuma atender clientes que exigem fluência em, no mínimo, três idiomas. “Nos dias atuais, são poucas as opções para pessoas que não dominam o inglês, somente em estruturas locais que não têm relação com o mercado global.”

Para o autor de Não faça nada!, J. Keith Murnighan, um dos grandes erros dos líderes é não saber delegar tarefas. Eles reclamam que não têm tempo o suficiente para concluir o trabalho, mas, muitas vezes, fazem mais do que precisam. O conselho pode parecer contraditório, ele alerta, mas funciona. “Muitos membros da equipe querem mostrar ao líder o que eles podem fazer. Eles também querem aprender novas habilidades e enfrentar desafios. Gestores que acham que, para fazer uma coisa benfeita, é preciso fazer você mesmo delegam pouco e barram a chance de crescimento dos funcionários.” Dessa forma, ainda sobra tempo para planejar e organizar as ações e garantir que o comportamento da equipe esteja sob controle.
A chegada ao cargo de liderança também exige o cuidado de não confundir esse papel com a figura do chefe despreparado ou com a imagem de um herói que beira a perfeição, como lembra o diretor da empresa especializada em gestão Ventana Capital, Walter Tamaki. Ele afirma que esse profissional precisa ser a pessoa que guia, orienta e coordena um grupo. Para alcançar esse posto, três questões são fundamentais: habilidade, conhecimento técnico e atitude. “É importante também que o líder tenha consciência de que dispõe de poder. Mesmo que em seu discurso ele não queira ser melhor do que ninguém, ele tem o poder e o dever de fazer o necessário para exercer seu papel de liderança com responsabilidade.”

O autor de Líderes não dão ordens, Ritch K. Eich, defende que uma liderança eficaz se aprende, e experiências variadas são, normalmente, as melhores lições. E a empresa depende desses profissinais em todos os níveis hierárquicos para alcançar o sucesso. Por isso, Eich acredita que todas as companhias devem ter um programa de desenvolvimento de liderança formal e contínuo, em que os gestores ensinam e treinam os colaboradores. Na opinião deles, um líder deve inspirar, construir confiança e treinar os funcionários. “Bons líderes possuem autoconsciência e percebem que os velhos tempos de comportamento autoritário raramente funcionam hoje em dia.”
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